Novos bandeirantes sobre rodas

Rally dos Sertões, maior competição cross country do país, acontece em agosto. Conheça pilotos mineiros que estão em contagem regressiva para a disputa com chegada em Belo Horizonte

por Rafael Campos - Encontro BH 04/08/2014 15:07

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Divulgação
(foto: Divulgação)
A partir do século XVI, bandeirantes começaram a desbravar o Brasil em busca de ouro e diamante. Séculos depois, uma versão motorizada de expedicionários surgiu. De moto, carro, caminhão ou quadriciclo, os pilotos do Rally dos Sertões rasgam os rincões brasileiros, mas à procura de adrenalina e obstáculos naturais. Trata-se da maior competição cross country em um único país. Os pilotos já se preparam para a prova, que acontece de 20 a 30 de agosto. Desta vez, uma novidade. Belo Horizonte foi escolhida para sediar a grande final do desafio, que alcança a 22ª edição. Encontro conversou com três pilotos mineiros que estão arrumando as malas e apertando os últimos parafusos de suas máquinas. Eles avisam: querem fazer os adversários comerem poeira.

São dez dias longe da família, respirando adrenalina em meio a muita terra e ao ronco dos motores. Para quem participa da prova, o que não falta são histórias. As lembranças nem sempre são referentes a vitórias ou derrotas. "Em uma de nossas paradas, encontrei um menino. Dei-lhe uma bala Chita, mas, passado algum tempo, percebi que ele continuava com ela nas mãos. Foi quando um homem se aproximou e disse que o garoto jamais abririria aquela bala, pois era o único brinquedo dele", conta o empresário e piloto Marco Túlio Lana, de 41 anos. O encontro inusitado motivou o empresário a ajudar as famílias pobres que vivem às margens da estrada por onde o rali acontece. "Realizamos uma ação social para entreter as crianças e distribuímos brinquedos", diz Marco Túlio. A iniciativa é o que também motiva o piloto a não desistir do desafio. "Temos de chegar à final, nem que seja com o carro nas costas", afirma o piloto, que montou sua própria equipe, a Lana Racing, com aproximadamente 30 pessoas que atuam nos bastidores. E haja trabalho. À noite, enquanto os pilotos dormem (ou tentam dormir), os carros são desmontados e montados. "É como matar um leão por dia", diz Marco Túlio, enquanto organiza as malas para a disputa.

Fotos: Roberto Rocha e Samuel Gê/Encontro
(foto: Fotos: Roberto Rocha e Samuel Gê/Encontro)
James Guidi, de 42 anos, também está em contagem regressiva para a largada, em Goiânia (GO). No caso dele, a emoção é sobre duas rodas. Para o empresário do ramo de transportes, a corrida não é para iniciantes. "Exige uma resistência muito grande, por isso a preparação tem de começar bem antes", afirma ele, que foi o segundo colocado na edição de 2010. Um dos segredos, para James, é administrar os desafios, pois uma falha pode ser fatal. "Por mais que nos planejemos, surpresas podem aparecer pelo caminho", explica, ao se lembrar de um acidente sofrido em 2011. Na ocasião, apesar de a planilha do percurso indicar um mata-burro em um dos trechos, havia uma ponte. O resultado foi uma queda com capacete e moto danificados e perda de tempo. Nesta edição, o piloto acredita que o trecho mais complicado será em Minas, sobretudo na região de Diamantina, devido ao grande número de pedras.

Esta edição será mais enxuta em relação à de 2013. Serão 2,6 mil km de percurso, contra 4,1 mil do ano passado. Ainda assim, a disputa continua sendo a menina dos olhos dos amantes do off-road. Para Luiz Carlos Nacif, de 50 anos, outro veterano em Sertões, a prova é uma bela oportunidade para conhecer o Brasil. "A possibilidade de passar por lugares que normalmente você não visitaria é maravilhosa", diz o piloto, que já subiu ao degrau mais alto do pódio em 2000, na categoria carro a gasolina. Os pilotos já elegeram o deserto do Jalapão, em Tocantis, como um dos lugares mais instigantes por onde passaram. O Rally dos Sertões, para Nacif, é uma mistura de diversão com coisa séria. "Primeiro, você entra para competir, se der errado, vira diversão", afirma.

Antônio Manoel dos Santos, vice-presidente de Federação Mineira de Automobilismo (FMA), comemora a escolha da capital mineira para encerrar o desafio e reforça os cuidados que os pilotos devem ter com a empreitada pelo sertão brasileiro. "Por se tratar de uma competição longa, todos devem estar muito bem preparados fisicamente, para suportar a dureza das etapas, noites curtas de sono e o altíssimo nível de adrenalina durante vários dias", diz Antônio. Então, que venha a poeira!

 

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