Uma luz na penumbra

Marcas premium desafiam tendência de queda no mercado de automóveis e registram crescimento em vendas

por Fábio Doyle 04/08/2014 15:24

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.


Divulgação
Modelo X1: levou a BMW à liderança de vendas entre as marcas premium no Brasil (foto: Divulgação)
Enquanto o mercado de automóveis novos no Brasil atravessa fase de declínio nas vendas, há um segmento que caminha no sentido exatamente oposto e comemora crescimento: é o dos carros premium de marcas importadas. Se, por um lado, carros como Mercedes-Benz e BMW são os mais caros do mercado, por outro, seus preços foram reajustados para baixo, graças à redução do índice de impostos obtida pelas marcas que decidiram construir fábrica no país. Desse modo, apesar de ainda caros, seus preços estão agora mais próximos dos modelos top de linha de marcas mais "populares".

O segmento premium, que cresceu 32% no primeiro trimestre do ano, é um ponto de luz que brilha na penumbra da queda geral das vendas, que registrou declínio de 5%, de acordo com os números divulgados pela Anfavea e Fenabrave, as associações dos fabricantes e dos revendedores de veículos, respectivamente. Impostos de importação elevados tornam os modelos mais sofisticados excessivamente caros para todos, à exceção dos consumidores que estão no topo da pirâmide social. Com isso, as marcas de luxo ajustam-se às necessidades do mercado, dirigindo o foco para seus carros de entrada, por exemplo, o Mercedes, Benz Classe A 200 Turbo, com preço sugerido na casa dos R$ 110 mil.

Com o novo Toyota Corolla custando R$ 93 mil e o Honda Accord R$ 120 mil, os consumidores brasileiros com maior poder de compra migram das marcas "tradicionais" para as premium, sem necessidade de pagar mais. "Nós entramos no segmento de novos clientes no que diz respeito a estilo e preço", diz Dimitris Psillakis, diretor de carros de passeio da Mercedes-Benz do Brasil.

Enquanto regras mais rígidas na área de crédito bancário limitam as compras de consumidores da classe média, os compradores com maior poder aquisitivo foram beneficiados com a redução de taxas que incidem sobre veículos importados de fabricantes como a Daimler e BMW, que assinaram carta de intenção prometendo investir na produção de carros no Brasil.

"O mercado tem demanda para esse tipo de veículo, que independe de questões de crédito, tendo em vista o perfil do consumidor premium", diz Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave. "Essas marcas são as responsáveis pelo crescimento no volume de vendas do segmento de entrada dos carros de luxo."
  
Parece incoerente que os fabricantes de carros apostem no Brasil, apesar de o crescimento econômico da maior economia da América Latina estar projetado em apenas 1,8% para este ano. A BMW investe US$ 276 milhões em sua primeira fábrica brasileira. Arturo Piñeiro, CEO da BMW Brasil, diz não acreditar que a situação econômica será tão dramática no Brasil, como vem sendo apregoado. A produção da BMW no país terá início ainda este ano, seguida pela Audi, Jaguar Land Rover e Mercedes.

Divulgação
Mercedes-Benz Classe A representou ajuste da Daimler ao mercado: foco para carros de entrada (foto: Divulgação)
Três anos atrás, o governo determinou 30% de aumento no imposto de importação para os carros das marcas que não tinham fábricas locais, isso sobre os impostos de 37% que recaem sobre todos os carros. Com a medida, em 2012, as vendas de automóveis Mercedes-Benz no Brasil caíram para 8 mil unidades, contra 11 mil antes do aumento no imposto, o que pressionou a decisão de construir uma fábrica aqui. Os resultados já podem ser observados. A BMW viu suas vendas no Brasil aumentar em 90% no primeiro trimestre, para 3.554 carros, enquanto as vendas da Mercedes cresceram 30%, ao atingir 2.442 unidades no mesmo período.
 
A Mercedes está investindo R$ 500 milhões em uma nova fábrica em São Paulo, com capacidade de 20 mil carros por ano, a partir de 2016. A meta é dobrar as vendas para 20 mil unidades em um período de dois anos. Já a empresa bávara está investindo cerca de US$ 280 milhões em uma fábrica em Santa Catarina, que deverá iniciar produção em outubro deste ano com o modelo Série 3. A capacidade é de 32 mil carros por ano, com possibilidade de expansão.
 
A Jaguar Land Rover, que registrou crescimento em vendas de 30% em 2013, está investindo R$ 750 milhões em uma fábrica no Rio de Janeiro, com capacidade para 24 mil veículos por ano, e começará a produzir em 2016, diz Terry Hill, presidente da Jaguar Land Rover para América Latina e Caribe. "Nós esperamos ter no Brasil 17 mil novos milionários, de acordo com recente pesquisa de mercado, o que mostra o potencial" , afirma. 

A Audi, por sua vez, investe R$ 500 milhões na fábrica do Paraná, apostando na venda de 30 mil unidades por ano a partir de 2018. O local escolhido é a mesmo da fábrica onde, em 1999, chegou a produzir o A3, projeto abortado sete anos depois, por falta de demanda.

As vendas totais deverão registrar queda de 5% este ano, diz Meneghetti, da Fenabrave, revisando as projeções da associação, que eram até então de queda de 3,5%. A projeção negativa é o resultado da redução na demanda de exportações, economia fragilizada e restrição ao crédito. O índice de vendas de automóveis e comerciais leves caiu 32% este ano, indicando o maior declínio dos últimos dez anos.

Os juros também estão subindo, tornando a compra de carros mais cara para o brasileiro médio, afirma Augusto Amorim, analista para a América do Sul da IHS Southfield. Esses índices, por outro lado, estão aumentando os ganhos de brasileiros mais ricos, que investiram no mercado financeiro, diz.

Apesar de os carros premium ganharem este ano 1,7% de participação no mercado, índice que deverá quase dobrar no longo prazo, há um limite, pondera o analista. "Tudo vai depender do nível de agressividade dos fabricantes de carros premium em termos de preço e financiamento." 

Últimas notícias

Comentários