Integrais de verdade?

É preciso ficar atento à composição dos produtos integrais para não ser enganado. Nutricionistas indicam o que observar e as quantidades que devem ser consumidas

por Marina Santos 07/08/2014 16:09

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.

Eugênio Gurgel
(foto: Eugênio Gurgel)
Ir ao supermercado com tranquilidade tem muitas vantagens. Você pode comparar os preços dos produtos e fazer uma compra mais consciente, além de verificar a data de validade e a integridade das embalagens. E se essas razões ainda não forem suficientes, acrescente mais uma: é sempre bom fazer uma vistoria na lista de ingredientes para ter mais segurança naquilo que está comprando. Forte exemplo disso são os alimentos integrais. Nutricionistas alertam que muitos produtos que carregam o "selo" integral, na verdade, levam em sua composição uma mistura de farinhas, em alguns casos, em quantidades até maiores do que aquela integral.

Segundo explica a nutricionista Aline Oliveira Penedo, da loja Mundo Verde, no Lourdes, integrais são aqueles produtos que apresentam o grão em sua forma mais completa, composto por farelo ou casca, endosperma e gérmen. Porém, em produtos industrializados, os grãos costumam ser submetidos a um processo de refinamento, tendo sua estrutura modificada e perdendo grande parte de seus nutrientes.

Para compensar o prejuízo e deixar o produto mais nutritivo, a indústria alimentícia recorre ao acréscimo de farinha refinada enriquecida com ferro e ácido fólico. A nutricionista Rafaelly Cristina, especialista em nutrição esportiva, também explica que muitos produtos recebem adição de fibra ou farelo de trigo à farinha de trigo convencional e, assim, são vendidos como integrais.

O ideal seria se todos pudessem preparar os alimentos em casa. Na falta de tempo, então, não custa perder alguns minutinhos inspecionando o rótulo. "Convencionou-se entre os fabricantes que o primeiro ingrediente do produto é o de maior quantidade, e assim sucessivamente, em ordem decrescente. Se o primeiro ingrediente for integral, ele pode ser considerado integral", explica Rafaelly.

Conferir a composição pode ser trabalhoso, mas os ganhos de uma alimentação que inclui grãos e cereais compensam. "Um dos maiores benefícios vem em função do alto teor de fibras consumidas, que são responsáveis pelo bom funcionamento intestinal, pela diminuição do colesterol, pela sensação de saciedade e por limpar o organismo de substâncias tóxicas", diz a nutricionista Renata Rodrigues de Oliveira, integrante do Instituo Mineiro de Endocrinologia e especialista em nutrição clínica, fisiologia do exercício e obesidade e emagrecimento. Além disso, os grãos são ricos em vitaminas, minerais antioxidantes, tais como selênio e zinco, ferro, que auxilia na circulação sanguínea, e fonte de carboidrato e proteína.

A nutricionista Aline Penedo aponta outros benefícios: "Para os diabéticos, os alimentos integrais ajudam a evitar picos glicêmicos, que vêm com o consumo de farinhas refinadas, bastante presente em doces e que são rapidamente absorvidas pelo organismo". Mas isso não significa que os integrais devem ser consumidos sem restrições. A alta ingestão de fibras pode causar gases e estufamento do estômago. "Toda fibra deve ser hidratada, para ter melhor efeito. O consumo de fibras sem a ingestão adequada de água pode piorar ainda mais o quadro de constipação intestinal", diz Rafaelly Cristina. Além disso, o excesso pode reduzir a absorção de nutrientes e sais minerais pelo organismo. Por último, é bom lembrar que os alimentos integrais são tão ou mais calóricos que os alimentos refinados.

Assim, a recomendação para adultos é de um consumo de até 30 g de fibras por dia, o que seria equivalente a 48 g de cereais integrais, de acordo com a Dietary Guidelines for Americans 2010, guia de referência mundial em nutrição. Para crianças acima de 2 anos, a Fundação Americana de Saúde e a Academia Pediátrica Norte-americana orientam consumo diário de fibras acrescentando-se de 5 g a 10 g à idade da criança.

Segundo o nutrólogo Enio Cardillo Vieira, é importante esclarecer que existem dois tipos de fibras: as insolúveis, encontradas principalmente no trigo, e as solúveis, presentes em cereais como a aveia, mas também em frutas e vegetais. "É  importante introduzir esses alimentos assim que a criança passa a comer sólidos", diz. Embora possa haver resistência a esses alimentos integrais devido à coloração mais escura e ao aspecto seco, é válido incentivar o consumo, especialmente na infância, quando as preferências são criadas. "O número de vezes que uma pessoa tem de se expor para gostar de um alimento é em torno de 10", diz o nutrólogo.  Vale a pena insistir.

Últimas notícias

Comentários