A década das conquistas

Na chamada Turbo Década, que vai dos 25 aos 35 anos, a corrida contra o tempo impulsiona os jovens a buscar realizações profissionais e pessoais

por Daniela Costa 12/08/2014 14:30

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Pedro Nicole/Encontro
A empresária Maria Carlota Gario, de 30 anos, decidiu resolver sua vida profissional antes de se casar: "Não fui só com a cara e a coragem. Para encarar o mercado, temos de nos preparar muito antes" (foto: Pedro Nicole/Encontro)
O que você vai ser quando crescer? Chega um momento em que essa pergunta começa a ser levada bem a sério. E é aí que decisões que vão impactar o resto da vida são tomadas. Segundo especialistas, as principais conquistas acontecem em exatos dez anos, em média dos 25 aos 35 anos, período conhecido como Turbo Década. É nessa fase que projetos como concluir a faculdade, comprar uma casa, ter filhos ou montar o próprio negócio ganham força total. O momento também é crucial para conquistar espaço no mercado de trabalho. "A cada nova geração, a cobrança pelo sucesso profissional acontece bem mais cedo", explica a psicóloga Cassandra Pereira França, professora de psicanálise do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A corrida contra o tempo às vezes é conturbada, afinal, traçar as diretrizes da própria vida nem sempre é tarefa fácil e é preciso coragem para decidir.

O empresário Felipe Lobo, de 29 anos, que o diga. Natural do Rio de Janeiro, ele abandonou a faculdade de engenharia de produção aos 23 anos, fez as malas e mudou-se para Belo Horizonte para trabalhar com o que realmente gostava: gastronomia. Na capital, juntou-se a um primo para abrir seu primeiro negócio, o restaurante Takê, de comida japonesa e chinesa. Quatro anos depois, em 2012, ousou novamente, dessa vez em parceria com a irmã. A aposta foi no Botequim Arantes, especializado em carnes nobres. "Considero-me um cara bem-sucedido, mas nunca descarto novas possibilidades", diz Felipe.

Samuel Gê
Valéria Montandon, diretora executiva do Grupo Velos, não titubeou quando teve de assumir os negócios da família: "Trabalhei em quase todas as áreas do grupo até assumir o cargo atual" (foto: Samuel Gê)
Aliar trabalho ao bem-estar é uma característica dos novos empreendedores. Diferente das gerações anteriores, a prioridade é a realização pessoal, mesmo que para isso tenham de se arriscar. Para eles, quando pinta a dúvida, a chave do sucesso encontra-se em atitudes ousadas. Há alguns anos, a musicista Keilla Jovi, de 32 anos, teve de resolver um dilema antigo. Desde pequena, ela tinha duas paixões, a música e os animais, e queria trabalhar com algo ligado a elas. Mas qual a escolha certa a fazer? No fim das contas, ela conseguiu unir o útil ao agradável. Keila cursou dois períodos na faculdade de medicina veterinária, mas largou o curso e mergulhou de cabeça na música, seguindo o exemplo dos pais. "Tive minha primeira banda aos 12 anos e definitivamente não poderia seguir outra carreira. Percebi que poderia cantar e ajudar os animais ao mesmo tempo", conta Keila, que tem "apenas" 32 gatos, cinco cães e uma pomba. Com a carreira consolidada, ela e o noivo, Gleison Tulio, seu parceiro musical, preparam-se para mais uma temporada no exterior. No final de agosto, os roqueiros vão se apresentar no Beatle Week, em Liverpool (Reino Unido). "Quando voltar, pretendo me mudar para um sítio, para que meus animais fiquem melhor acomodados. Será a realização de um grande sonho."

Samuel Gê/Encontro
A musicista Keilla Jovi sempre teve a música e os animais como paixão, mas enfrentou um grande dilema para decidir a qual se dedicar profissionalmente: "Tive minha primeira banda aos 12 anos de idade e definitivamente não poderia seguir outra carreira" (foto: Samuel Gê/Encontro)
Se alguns ficam indecisos com várias possibilidades, outros se mostram mais firmes quanto ao caminho a seguir. A diretora executiva do Grupo Velos, Valéria Montandon de Figueiredo Lassi Lopes, de 31 anos, não titubeou quando teve de assumir a rede de concessionárias Mitsubishi Mit Car e Barão Motors, empresas do grupo, que eram comandadas pelo pai. Ela seguia carreira no direito – formou-se na Faculdade Milton Campos –, mas na sequência fez pós-graduação em negócios na Fundação Dom Cabral, onde passou a dar aulas de Gestão  Estratégica. O berço de ouro em nenhum momento a deixou acomodada e o desafio de ingressar em um negócio comandado por homens também não a intimidou. Em pouco tempo, ela fez uma revolução na empresa, mudando rotinas e processos e estabelecendo novas regras e padrões de atendimento. "Trabalhei em quase todas as áreas de negócios do grupo. Desde a parte jurídica, área de finanças, pós-vendas, comercial, ao setor de marketing, até assumir o cargo no qual estou desde 2009", diz. A empresária já se prepara para a inauguração de uma nova concessionária no bairro de Lourdes em 2015 e, apesar do ritmo acelerado, não abre mão de suas outras paixões. "Dedico tempo e amor às pessoas que são especiais em minha vida", diz ela, referindo-se ao namorado, à família e aos amigos.

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Aos 29 anos, o empresário Felipe Lobo, dono do restaurante Takê e do Botequim Arantes, não se arrepende das decisões ousadas que tomou: "Considero-me um cara bem-sucedido" (foto: Samuel Gê/Encontro)
Na chamada Turbo Década, os projetos pessoais também pesam na balança. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o maior índice de casamento acontece entre os 25 e 29 anos de idade. Seguindo as estatísticas, a empresária Maria Carlota Gario, de 30 anos, prepara-se para dar o grande passo. "Vou me casar em dezembro", conta. Essa decisão, no entanto, só veio após a conquista da  realização profissional. Graduada em comunicação empresarial e em moda, ela comemora o sucesso da loja que leva seu nome, inaugurada há dois anos. "Consegui criar minha própria marca, com peças exclusivas, que eu mesma desenvolvo." Para Carlota, aliar sua experiência com moda e administração tem sido seu maior diferencial. "Não fui só com a cara e a coragem. Para encarar o mercado, temos de nos preparar muito antes."

A psicóloga Cassandra Pereira França ressalta que, apesar de produtiva, a Turbo Década também traz alguns inconvenientes, como o de achar que o sucesso profissional deve acontecer obrigatoriamente até os 30 anos. "Isso leva muitos jovens a abandonar profissões que demandam mais tempo de especialização e para as quais possuem vocação, para se aventurarem em outras áreas. O resultado é uma expressiva perda de talentos." Para ela, fundamental é respeitar o próprio tempo.

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