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Pescarias são programas cada vez mais comuns entre os brasileiros - mentirosos ou não. E podem ser feitas em qualquer época do ano

por Luís Otávio Pires 13/08/2014 15:51

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Sidney Porto/Divulgação
Durleno Rezende, superintendente do BH Shopping, não abre mão da pescaria para descarregar o estresse: "Não tem diversão melhor" (foto: Sidney Porto/Divulgação)
Pega o caniço, coloca o baite na ponta da leader e faz um belo pincho. Se pescar um baita, põe no samburá – ou você é um sapateiro? Parece papo de maluco, mas se trata, na verdade, de um linguajar todo específico (veja box) para quem adere cada vez mais à pesca, nas lagoas, nos rios ou até mesmo no mar. Esses pescadores viajam sem medir esforços, compram equipamentos caros e vivem de olho em tudo o que acontece nas revistas, sites e programas de TV especializados. Eles navegam em um mercado que movimenta muito dinheiro. No Brasil, são cerca de R$ 2 bilhões anuais, que ficam a ver navios quando comparados aos números norte-americanos ou até mesmo de nossos vizinhos argentinos, que injetam em suas economias, respectivamente, R$ 100 bilhões e R$ 50 bilhões.

"A pesca, principalmente a esportiva (em que a pessoa pesca, fotografa e solta o peixe na água), explodiu de uns dez anos para cá no Brasil, país com  enorme biodiversidade e muitas opções de ambientes para a prática, como rios, lagos e mar. Por isso, tem tudo para crescer ainda mais", diz Jenner Leite, do Clube Mineiro de Pesca Esportiva e fabricante de iscas artificiais, chamadas de baites ou plugs. "Pode-se afirmar que, como esporte, a pesca tem mais praticantes que o próprio futebol, por ser individual, perdendo apenas para o golfe."

Eugênio Gurgel
A escolha dos equipamentos adequados é importante para o sucesso da pescaria, diz Alexandre Pereira (foto: Eugênio Gurgel)
Mas, como no futebol, a pesca é uma paixão, às vezes de infância – caso do empresário Sidney Porto. Natural de Niterói (RJ), ele lembra que pescava com o pai no mar da praia do Flamengo, na capital carioca, e, aos 15 anos,  incrementou suas "arremessadas" no rio Araguaia, em Goiás, com amigos de Anápolis.

Já adulto, morando em Belo Horizonte, sua intimidade com a pescaria aumentou, graças à amizade com Sérgio Luiz, famoso pescador da capital que tinha um restaurante – o Clube dos Pescadores –, apresentava programa local de TV e organizava pescarias para o Pantanal. É para lá que Sidney vai todos os anos, quase sempre acompanhado de seu filho Luiz Alfredo Cortez Porto e dos amigos Durleno Rezende e Ricardo Bauer.

"Pescaria não se resume apenas aos dias em que passamos juntos, mas começa já nos encontros que são realizados antes para combinarmos todo o esquema", diz Sidney Porto, que descobriu, há 16 anos, a região de Porto Jofre, no município de Poconé (MT), a 250 km de Cuiabá. Além da pescaria, é a região onde os visitantes veem diversos tipos de animais, como a onça-pintada. "Vários estrangeiros visitam a região só para ver o bicho", conta.

Para ele, a pescaria nada mais é do que um grande momento de confraternização com os amigos. "Costumo dizer, que a companhia é 80% da qualidade da pesca, as condições (infraestrutura, equipamento) são 19% e só 1% é o peixe.  Ou seja, o peixe é um coadjuvante muito interessante, mas não absolutamente necessário", diz.
Que o diga Durleno Rezende, seu companheiro de pesca de muitos anos.

Superintendente do BH Shopping, ele descarrega o estresse e recarrega as energias na pescaria com a turma de Porto. "Não tem diversão melhor, ainda mais tendo um companheiro como o Sidney. Ele administra todo o material da pesca, vê todos os detalhes da viagem e ainda registra a aventura em fotos e vídeos", diz o amigo.

O empresário Ricardo Bauer Ferreira engrossa o coro sobre a dedicação do parceiro de pesca . "Eu e o Durleno somos responsáveis pela diversão, as bagunças, as piadas, enquanto o Sidney faz com que toda a pescaria saia sem erros e que tudo seja registrado", diz.

Ele considera que não há terapia melhor. "Você levanta às 5h, pesca o dia inteiro, volta para a pousada às 16h e às 20h já está dormindo. O melhor é que o telefone celular não toca e nós simplesmente esquecemos qualquer problema", diz Bauer, pescador há cerca de 30 anos. "No litoral capixaba, já cheguei a pescar,  por sorte, um tubarão anequim de quase 250 kg", conta o pescador.

Esse atributo revigorante da pescaria é compartilhado pelo diretor do grupo Jorlan de BH, Antonio Gamaliel. "Troco fácil uma semana em Paris pelo mesmo período no Xingu, na região amazônica", resume. Na sua opinião, a pesca é um ato de grupo que tem a capacidade de reunir os amigos e em que as afinidades são indispensáveis – afinal, passa-se,  às vezes, entre 12 e 14 horas dentro de um barco, com mais uma pessoa e o piloteiro (piloto do barco).

Fotos: Arquivos pessoais
O empresário Sidney Porto e o filho Luiz Alfredo (esq.), Antônio Gamaliel (centro) e o empresário Ricardo Bauer (dir.). "Já pesquei um tubaraão de quase 250kg", diz Ricardo. (foto: Fotos: Arquivos pessoais)
Como a maioria dos pescadores, Gamaliel investe seu tempo e dinheiro no hobby (R$ 5 mil por pescaria, em média) e programa-se com critérios para suas aventuras, que já incluíram regiões como as dos rios São Francisco e Xingu, na Amazônia, além do Pantanal (Sul e Norte). As aventuras sempre são acompanhadas pelo irmão, Pedro, e pelo sobrinho Lucas, hoje os responsáveis por organizar e preservar todo o material. Para este ano, já tem pescaria agendada de cinco dias no rio Araguaia, no Centro-Oeste.

Locais especiais, aliás, não faltam no Brasil para a prática da pesca. Pode ser até uma reserva indígena, onde os médicos Ruy e Henrique Vianello, pai e filho, já se aventuraram. A dupla também já foi para a Argentina, atrás de peixes diferentes. "Gostamos de viajar pelo menos duas vezes ao ano", conta o pai, Ruy Vianelli, acrescentando que a preferência é pela pesca em água doce, mas que também já experimentaram o mar: "O jeito é diferente e os equipamentos, também, mas não deixa de ser muito prazeroso", diz.

Para se obter sucesso em uma pescaria, contudo, é muito importante a escolha do equipamento certo. A vara, a carretilha ou molinete, a linha e até a isca devem ser adequados ao tipo de peixe a ser fisgado. "Para peixes de couro, como grandes bagres e surubins, é fundamental optar por varas com resistências compatíveis, como as de até 300 libras, que suportam os peixes de até 500 g", diz Alexandre Pereira, proprietário da Pesca & Prosa, uma das lojas de equipamentos para a prática da pesca de Belo Horizonte.

O pescador também deve seguir critérios até mesmo na seleção das iscas, que podem ser naturais (pequenos peixes, por exemplo) ou artificiais. "Entre estas existem as de superfície, as de subsuperfície, as de meia-água e as de fundo, de diferentes cores, tamanhos e pesos", explica Pereira.

Samuel Gê
Rodrigo Freitas, em uma das lanchas à venda na AvantGarde: atração em meio a carros de luxo (foto: Samuel Gê)
Luxo sobre as águas

Para uma pescaria de alto nível, ou apenas para passear, não se pode deixar de lado uma embarcação à altura. Caso dos modelos Focker, fabricados pela catarinense Fibrafort e representada em Minas pela Guerra Náutica. Em BH, no showroom da AvantGarde, pode-se ver um modelo 280 GT em meio a Porsches, Ferraris e Lamborghinis.

Segundo Rodrigo Freitas, diretor da AvantGarde, a lancha de 28 pés tem motor Volvo 6.0 V8 de 380 cv de potência, leva até dez pessoas e navega a 72 km/h. Com acabamento sofisticado, a cabine tem iluminação em LED, banheiro completo (incluindo chuveiro), mesas retráteis e duas camas de casal, que podem ter até roupa de cama especial fornecida pelo fabricante. "Como opcional, são disponíveis itens como geladeira, TV de 22 polegadas integrada, micro-ondas, rádio VHF e até churrasqueira em inox articulada", ressalta.

Externamente, são cinco opções de cores (branco, preto, vermelho, azul e marrom). O modelo custa R$ 380 mil, mas há outros mais caros, de até R$ 442 mil.



 

Clique na imagem e confira onde são encontradas algumas espécies de peixe no Brasil


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