Eles merecem cuidados

Muitas vezes esquecidos, os pés sofrem com os agitos do dia a dia. Especialistas dão dicas para evitar problemas como ressecamento, calos e até fraturas por estresse

por Marina Santos 21/08/2014 14:22

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Samuel Gê/Encontro
A podóloga Tânia Pereira diz que os cuidados com os pés devem ser diários: "Se fôssemos seguir à risca todas as recomendações, o pé seria o rei" (foto: Samuel Gê/Encontro)
Entre uma passada e outra, para ir a um restaurante, passear com o cachorro, caminhar no vai e vem do trabalho e subir escadas, as mulheres brasileiras caminham em torno de 2 km por dia. O dado é de um estudo realizado, em 2012, pelo instituto inglês Perfect Crowd e que levou em conta mulheres da América Latina e Europa. O número é baixo; ficamos atrás da média geral, que é de 2,5 km. Mas, ainda assim, significa que, aos 55 anos, uma brasileira já terá percorrido distância suficiente para dar uma volta ao mundo a pé.

Grandes aliados na sustentação do corpo, os pés sofrem, diariamente, com todo tipo de ameaça. Vírus, fungos, desgaste das articulações. São vários os problemas que acometem os pés, sendo que a grande maioria poderia ser evitada com cuidados simples, como higienização e escolha adequada dos calçados. É o que diz o podólogo e enfermeiro Magno Queiroz, da Clínica Podológica São Camilo.

Conforme explica Magno, a limpeza correta dos calçados é extremamente necessária, principalmente aqueles fechados, que, úmidos, facilitam a proliferação de fungos. Por isso, é válido reforçar a atenção nos meses de inverno, para evitar doenças como as micoses. Para a higienização, pode-se usar uma solução que mistura água sanitária e água, na proporção de 30 ml para 1 l, ou álcool 70%, que devem ser borrifados dentro dos sapatos. Depois, é só deixar secar naturalmente por um período de 24 horas. "As pessoas não devem usar o mesmo sapato dois dias consecutivos", diz Magno.

Assim como os calçados devem ser ventilados, o podólogo explica que é muito importante deixar as unhas "respirarem". Muitas mulheres colocam a acetona como vilã, mas o erro está em trocar de esmalte ou usar unhas postiças sem dar intervalos. "Independentemente de marca ou material, o que ocorre é um abafamento do leito ungueal (parte rosada, abaixo da lâmina), o que também pode levar a micoses", diz.

Outro erro comum é usar a lixa para tratar calos ou rachaduras. O especialista explica que os calos são resultado de atritos excessivos na região. Formados de queratina, eles surgem como um mecanismo de proteção do corpo. Mas o uso desnecessário da lixa acaba por agredir a pele. "É como se o organismo entendesse que é preciso produzir mais células para repor", esclarece Magno. O risco é de os calos voltarem ainda piores. Por ser muito abrasiva, a lixa também pode aumentar as rachaduras, causando feridas. "Ressecamento se resolve com hidratação", explica.

Hidratar os pés é, segundo a podóloga Tânia Pereira, um cuidado que deve ser diário. "Mas nunca hidrate entre os dedos, para evitar frieiras e micoses", alerta. Funcionária do Spa Lótus, espaço voltado para práticas de medicina oriental, Tânia oferece serviços para o bem-estar e relaxamento dos pés, que incluem esfoliação, banho de ozônio (com ação fungicida e bactericida), massagem, hidratação e reflexologia, que consiste em ativar pontos de reflexos dos pés, que estão ligados a diferentes órgãos, vísceras e membros. Segundo Tânia, os pés merecem todos os luxos. "Eles deveriam receber cuidados especiais toda semana. Se fôssemos seguir à risca todas as recomendações, o pé seria o rei", brinca.

Um cuidado simples de ser seguido é deixar para lavar os pés por último durante o banho, já que a sujeira escorre toda para o ralo. Também é preciso secá-los bem, principalmente entre os dedos. Outra dica é o uso de desodorantes próprios para os pés, no caso de intensa sudorese, para evitar a bromidrose, mais conhecida como chulé. "O talco contribui para que o pé fique úmido e pode agravar o problema. O desodorante antisséptico costuma ser mais eficaz", explica Tânia.

Ao falar de pé, é preciso considerar também questões relacionadas a biomecânica, sobrepeso, postura, maus hábitos e sapatos inadequados. Pessoas acima do peso podem sobrecarregar os pés, bem como todas as articulações de carga, incluindo joelho, quadril e coluna vertebral, explica o ortopedista Lúcio Honório de Carvalho Júnior. Professor do Departamento do Aparelho Locomotor da Faculdade de Medicina da UFMG e coordenador da clínica de ortopedia do Hospital Madre Teresa, ele reforça que o uso contínuo de sapatos de salto também cria uma concentração de carga, neste caso, especificamente na parte da frente dos pés, causando dores e até fratura nos ossos por estresse, a metatarsalgia.

O uso de calçados inadequados também pode ser responsável pelo aparecimento do joanete. Lúcio afirma que, até a Segunda Guerra Mundial, o problema não existia no Japão. "O contato com a cultura ocidental e a utilização de calçados com bico fino, principalmente pelas mulheres, disseminou o problema naquela população", explica.

Na hora de escolher o sapato, é bom estar atento ao formato dos pés e ao tipo de pisada, sempre priorizando o conforto. Em alguns casos, o uso de palmilhas é necessário para distribuir melhor a pressão sobre os ossos do pé. Há tratamentos que passam por cirurgias, injeções locais de anestésicos e fisioterapia, mas dependem da causa da dor. "A dor é o grande alerta e deve ser sempre investigada", alerta Lúcio.

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