Animais que são companheiros

A convivência com animais de estimação ajuda na recuperação de adultos e crianças submetidos a tratamentos de doenças físicas ou mentais

por Daniela Costa 10/10/2014 12:01

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Alexandre Rezende/Encontro
Danielle Mendes, que sofre de doença degenerativa da retina, depende da cão-guia Luck para realizar as atividades do dia a dia: "Com a Luck, recuperei minha liberdade de ir e vir" (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
Quando King, cão da raça Pastor de Shetland, de 1 ano, chega aos hospitais e instituições da capital, distribui lambidas por todos os lados. Ele alegra da criança portadora de câncer ao idoso que depende da cadeira de rodas para se locomover. Quer apenas dar e receber carinho. No Lar de Idosas Santa Teresinha, Alice Maciel Castro, de 79 anos, emociona-se sempre que reencontra o amigo. E o que parece apenas brincadeira se transforma em uma forma de trabalhar a reabilitação física, mental e social de jovens e adultos, melhorando sua coordenação motora e desenvolvendo as relações afetivas.

Paulo Márcio/Encontro
O empresário Heleno Aires e a esposa Nidia Grecco, com o gato persa Jujuca: "O Heleno teve um problema sério de coração e o nosso gato foi fundamental para sua recuperação", diz Nidia (foto: Paulo Márcio/Encontro)
A atividade conhecida como Terapia Assistida por Animais (TAA) surgiu em 1792 em um asilo psiquiátrico de Londres. Desde então, especialistas estudam os benefícios da relação entre homens e animais. Em Belo Horizonte, quem treina King é o psicólogo Leonardo Curi, da Religare. No início de sua carreira, quando dava assistência em um abrigo de crianças e adolescentes no interior de Minas, observou que um adolescente considerado caso perdido em razão da rebeldia retornou das férias trazendo consigo um hamster. "O menino havia sido abandonado pela família, não se relacionava bem com as pessoas, tinha o temperamento violento. No entanto, aprendeu a amar e proteger aquele pequeno ser." A partir dessa experiência, Curi passou a treinar animais com a finalidade de realizar atividades e terapias assistidas. Atualmente, além de cães e gatos, tem em sua "equipe" aves e roedores.

Pesquisas comprovam que 15 minutos de contato com um animal já são o suficiente para melhorar a fisiologia do corpo humano. "Por isso, sempre aferimos a pressão dos pacientes antes e depois das atividades. Verificamos que ocorre o equilíbrio da pressão arterial", diz o psicólogo. Além disso, o contato estimula a comunicação, a socialização, a autoestima, reduz a ansiedade e auxilia no tratamento da depressão. Cada espécie tem sua especificidade e atende a demandas diversas. No tratamento do autismo e depressão, os gatos trazem melhor resultado. Os cães auxiliam nas atividades psicomotoras e trabalham a parte afetiva. Os aquários são muito utilizados no tratamento de Alzheimer, pois além de trazer calma estimulam a concentração. Os pequenos roedores afloram no indivíduo o desejo de cuidar e proteger.

Alexandre Rezende/Encontro
Portador de paralisia cerebral, João César Barroso faz aulas de equoterapia: em um ano, melhorou a fala e a postura (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
O cavalo, por sua vez, ajuda na recuperação da coordenação motora de pessoas com paralisia. João César Barroso Lima, de 12 anos, é portador de paralisia cerebral. Sua mãe, Nazaré Barroso, diz que, quando ele está montado na égua Pelúcia, nem se lembra de suas limitações. Há um ano, desde que começou as aulas de equoterapia no Centro de Equoterapia do Regimento de Cavalaria Alferes Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais, houve melhora em sua fala e postura. "Hoje, ele consegue firmar mais a coluna e, além disso, é uma alegria só quando está com a Pelúcia", diz a fisioterapeuta Viviane Maciel.

A esteticista de pets Kelly Cristina de Paula André, de 42 anos, só conseguiu superar a depressão com a ajuda da gatinha vira-lata Pupy. "Fiquei semanas sem sair do quarto e durante todo o tempo ela me fazia companhia. Volta e meia me presenteava com alguns mimos, como lagartixas e grilos. Era a forma que ela encontrava para demonstrar seu amor", diz.

Ivan Costa Mendanha/Religare/Divulgação
Alice Maciel Castro, do Lar de Idosas Santa Teresinha, e o cão King: ela se emociona sempre que se encontra com o animal, que foi treinado por especialista para auxiliar na reabilitação física e mental dos internos (foto: Ivan Costa Mendanha/Religare/Divulgação)
O empresário Heleno Aires, de 65 anos, e a mulher, Nidia Grecco, de 53 anos, psicopedagoga, não gostavam muito de gatos. Mas foi o persa Jujuca, presente de um amigo à filha, que os ajudou em um dos momentos mais críticos da família. "Há cinco meses, o Heleno teve um problema sério de coração, e a dedicação e fidelidade do Jujuca, sem dúvida, foram fundamentais para a recuperação dele", diz Nidia.

As possibilidades de os animais auxiliarem os seres humanos vão mais além. Em alguns casos, eles são os olhos e as pernas dos portadores de deficiência visual. Aos 13 anos de idade, Danielle Mendes, hoje com 40 anos, descobriu que tinha retinose pigmentar, doença hereditária que causa a degeneração da retina e acarreta a perda gradativa da visão. Com o tempo, foi se tornando mais dependente da família, pois já não conseguia sair às ruas sozinha. "Isso me incomodava muito, porque queria ter mais liberdade sem precisar sempre de outras pessoas", diz. Há sete anos, decidiu contar com o apoio de um cão-guia. Como no Brasil o processo de adestramento e liberação do animal é complicado e oneroso, buscou ajuda nos Estados Unidos. "Durante 26 dias fiz um curso intensivo de técnicas de uso da bengala e treinamento com o cão em Sarasota, na Flórida. Lá conheci a Luck, minha labradora de 8 anos e meio. Foi amor à primeira vista", diz.

Desde então, a dupla se tornou inseparável e Danielle reconquistou seu direito de ir e vir. Há três anos, durante a gravidez do primeiro filho, passou por um processo de depressão profunda e mais uma vez Luck esteve a seu lado. "Minha vida se resume a antes e depois dela. Quando eu estava triste, ela me lambia, puxava a minha coberta. Foi superimportante para a minha recuperação", diz Danielle. Agora as companheiras se preparam para uma nova etapa. A labradora já está na idade de se aposentar e sua dona terá um novo cão-guia. "Vou passar por todo o processo de adaptação novamente, mas a Luck continua conosco. É um membro da família. Somos muito gratos por todo o bem que ela nos proporciona."

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