A nova geração sertaneja

Eles trocaram brinquedos por violões e as brincadeiras infantis pelo palco. Quem são os adolescentes mineiros que despontam como novos talentos do gênero e têm tudo para estourar no futuro

por Amanda Aleixo e Marina Dias 13/10/2014 13:11

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Paulo Márcio/Encontro
(foto: Paulo Márcio/Encontro)
Era fim de tarde quando a cantora Sofia Del Prado despontou no corredor que separa os bastidores do público do Expominas, onde foi realizada a Fifa Fan Fest. Com passos firmes e apressados em direção ao camarim, ela logo se sentou na cadeira do maquiador e esperou para que o tempo passasse rápido. Os pés, inquietos, não paravam de bater um minuto, até que ela desabafou: "Estou supernervosa. Tem muita gente hoje". O nervosismo é natural. Não é todo dia que uma garota de 13 anos canta para 20 mil pessoas e encerra o show da badalada Paula Fernandes. Enquanto Sofia dá a última olhada no espelho, já noite, o staff chega para chamá-la. É hora do show.

Nascida em Nova York (EUA), mas criada em Belo Horizonte, Sofia impressiona pela versatilidade. Ela já cursou balé clássico, teatro, canto e acaba de lançar o primeiro EP, intitulado Em Sua Direção, com quatro faixas inéditas. Quem não a conhece se espanta ao descobrir que por trás da voz e do estilo adulto das composições está uma adolescente. O contato com a música começou aos 7 anos, na fazenda do avô, em Piumhi (MG), onde ela cantava de tudo. "Passava por todos os ritmos: da música norte-americana até o sertanejo de raiz", conta Sofia.

Divulgação
(foto: Divulgação)
Para se firmar no concorrido universo da música, ela aposta no sertanejo com forte influência do pop e recebe ajuda de uma equipe de peso. A produção executiva é de Romualdo Bueno, consagrado pelo trabalho de quase uma década ao lado da dupla César Menotti e Fabiano, e a produção musical é de Fabinho Gonçalves, respeitado no meio sertanejo. Quem entende do assunto sabe o quanto isso faz diferença. Para o produtor Marcos Roberto, reconhecido por trabalhos ao lado de Fernandinho, David Quinlan e Ludmila Ferber, famosos no meio gospel, os profissionais envolvidos nos bastidores podem alavancar – ou derrubar – a carreira de um artista. Na opinião dele, nesse aspecto, Sofia começou bem. "Ela tem um bom projeto e trabalha ao lado de pessoas de renome. Isso traz respeito para o início da carreira", explica Marcos Roberto.

Em poucos meses de estrada, ela já chamou a atenção de outros profissionais. O timbre forte é uma de suas características mais lembradas. A dupla sertaneja Bruna e Keyla, indicada em 2013 para o Grammy Latino, acredita que a garota já é um sucesso. "Ela tem voz marcante, postura de artista, é segura e, com certeza, tem um belo caminho pela frente", diz Keyla.

Se Sofia surpreende o público com suas letras e postura adulta, Mayara Fernandes, outro talento mirim surgido em terras mineiras, é lembrada pela leveza e doçura com que interpreta as canções. Com apenas 12 anos, a menina já teve participações nos shows de Bruno e Marrone, e Daniel. Nascida em BH, sempre se interessou por música. "O rádio ficava ligado nas estações de música de raiz. Acabei me apaixonando", conta Mayara. Quem primeiro atestou o talento da pequena foi o compositor Marcus Viana, que alertou Mariana Carmo, mãe de Mayara, sobre o diamante que tinha em mãos. "Mesmo sendo criança, tem alma de cantora romântica. É uma nova estrela", diz ele.

A canção Ainda Ontem Chorei de Saudade, de João Mineiro e Marciano, foi regravada por Mayara, que também é compositora e assina a faixa Bolha de Sabão, do CD Coração de Menina, lançado em 2012, quando tinha 9 anos. Sua participação no programa Encontro com Fátima Bernardes, da Globo, e Máquina da Fama, do SBT, rendeu-lhe maior visibilidade. O cantor Sérgio Reis não poupa elogios: "Quando nos encontramos em algum show, sempre fico emocionado. Uma vez até disse a ela: 'Mayara, quando Deus te mandou, você já veio pronta. Pronta para alegrar todas as almas brasileiras'".

Paulo Márcio/Encontro
(foto: Paulo Márcio/Encontro)
Sérgio Reis não é o único a se posicionar sobre os cantores mineiros que despontam no mercado musical. Jorge e Mateus, donos dos sucessos Flor, Amo Noite e Dia e De Tanto Querer, são fãs da mineira de coração Isa Santana.  Depois de convidá-la para uma participação na Exposete, os meninos de Goiás garantem que ela é uma artista promissora. "Isa vai longe. Tem uma linda voz, carisma e muita desenvoltura no palco", diz Jorge. "A cada apresentação, ela mostra sua simpatia e talento para o Brasil", completa, Mateus.  Por alguns instantes, a voz grave e a segurança quando fala sobre a carreira confundem a cabeça de quem fica sabendo que ela tem apenas 15 anos. Nascida em Campinas (SP), Isa chegou a Belo Horizonte ainda bebê e não demorou para demonstrar interesse por acordes e dedilhados de violão. Adelvar Salvador, pai e fã incondicional, conta que ela nunca ligou para brinquedos. "Sempre que passeávamos pelo shopping, ela corria para as lojas de instrumentos musicais. Quando vi que ela realmente gostava, dei o primeiro violão, aos 4 anos, e investi nas aulas de canto. O tempo foi passando e o hobby se transformou em trabalho", conta.

Alexandre Rezende/Encontro
(foto: Alexandre Rezende/Encontro)
O público conheceu o talento da cantora adolescente em 2010, no programa Cantando no SBT, quando ela foi selecionada entre 1 mil crianças para representar Minas Gerais. Depois disso, só sucesso, convites e participações em shows de artistas renomados. Cercada de profissionais que lhe garantem boa preparação vocal, como a requisitada Janaína Pimenta, fonoaudióloga dos famosos, Isa planeja o futuro na música e garante que a agenda não atrapalha seus estudos. "Meus pais sempre me cobram um bom resultado na escola. Por isso me esforço para conciliar minhas atividades. Quero fazer faculdade de música e me dedicar mais para ser reconhecida musicalmente em todo o país", diz, bem segura do que quer. Neste ano, ela lança mais um CD e um videoclipe da nova música, Sonhar.

Muitas vezes, a paixão musical começa com o desejo de aprender violão ou outro instrumento mais comum. Foi assim com o cantor Daniel, que começou a tocar violão aos 5 anos, junto ao pai, e com o prodígio Luan Santana, apegado à música desde o primeiro contato com as cordas. No caso de Virgínia Branquinho, também cantora adolescente, o instrumento fugiu a todas as regras. Sem influências musicais na família, a curiosidade foi despertada por um berrante que ficava no sítio do avô. A pequena menina, com 5 anos de idade, pegou a corneta feita de chifre de boi e soprou até sair um som confuso. Depois de muitos treinos, a primeira apresentação aconteceu em uma cavalgada em Santo Antônio dos Campos, distrito de Divinópolis, onde morou por 13 anos. Hoje, aos 16 anos, ela fala com propriedade sobre o instrumento e conta que para tocá-lo é preciso um "bocadinho" de fôlego. "O meu avô não sabia tocar, ele gostava bastante, mas só brincava. Quando eu quis aprender, ficávamos treinando juntos até pegarmos o jeito." E pegou mesmo. Atualmente, ela é a berranteira oficial da maior festa sertaneja de Divinópolis e coleciona prêmios de concursos de berrantes – os últimos foram conquistados na Festa do Peão, em Barretos.

Já a carreira de cantora despontou quando Virgínia começou a fazer aulas de canto e apresentações com cantores experientes. Os irmãos César Menotti e Fabiano foram os primeiros a assegurar que ela tinha dom. "Conhecemos a Virgínia desde que ela tinha 5 anos. Além de ser muito talentosa, ela tem uma linda voz", diz César.  "Sem dúvidas, é uma grande promessa para o sertanejo", afirma Fábio Lacerda, irmão de César e de Fabiano e empresário da dupla.  A cantora conta que a primeira vez que subiu ao palco cantando para muitas pessoas foi ao lado de César Menotti e Fabiano, no Mineirinho. Daí em diante, a carreira ganhou fôlego e outros artistas a convidaram para participações, como Chitãozinho e Xororó, que a levaram para abrir o show no Caldas Country, um dos maiores festivais da música sertaneja do Brasil. A rotina não é fácil. Para conciliar os compromissos musicais com o lazer, Virgínia conta com a ajuda da família. "Faço aula de canto em Belo Horizonte, quinzenalmente; pratico hipismo e ensaio as canções todos os dias. Se não fosse o apoio dos meus pais, tudo seria mais difícil", diz. Mesmo assim, a cantora não desanima e planeja cursar veterinária. "Música e animais são minhas paixões. Por isso, quero trabalhar com as duas possibilidades", diz.

Carlos Roberto/Sala 11
(foto: Carlos Roberto/Sala 11)
Vinícius Terra, outro talento musical do interior mineiro, já consegue conciliar a graduação no curso de direito com a agenda de shows. Aos 17 anos, ele tem um álbum que une composições próprias a outras letras consagradas no meio musical. Nascido em Simonésia, pequeno município do Leste de Minas, Vinícius ficou mais popular depois de uma apresentação no programa Raul Gil, do SBT, e realiza shows semanais no interior do estado e no Espírito Santo. Ele conta que é difícil adaptar a rotina e ficar longe da família nos fim de semana, mas tudo compensa em razão do carinho do público. "A agenda de shows é cansativa, mas é tudo que eu sempre quis fazer. Os fãs têm tanto carinho comigo que já tenho até fã-clube no Piauí", conta.

A dupla Thaeme e Thiago, que acabou de gravar novo DVD com participação de Lucas Lucco e Fernando e Sorocaba, anima-se ao falar do rapaz. "Vinícius está pronto para decolar. Além de uma grande voz, ele tem muito carisma. Agora é cair na estrada e mostrar esse talento para todo o Brasil", diz Thiago. A aposta do rapaz de Simonésia é divulgar as composições próprias – são mais de 50 – nos shows que faz pelo Sudeste. "Levo desde modão até o arrocha. Mas não abro mão de cantar minhas composições. Isso ajuda a criar uma identidade do meu trabalho junto ao público", explica.

Letras e arranjos próprios também regem o trabalho dos irmãos Lucas Magalhães e Vitor Magalhães – de 14 e 10 anos, respectivamente. O interesse pela música começou há seis anos, quando Victor e Leo, dupla favorita dos irmãos, lançou o CD Ao Vivo em Barretos. Os meninos gostaram tanto do álbum que, além de cantar todas as músicas, aprenderam a tocar violão e passaram a imitar os ídolos de Ponte Nova (MG) em todos os eventos da família. "No casamento da nossa prima, cantamos uma música deles, pegamos gosto pelo palco e não paramos mais", conta Lucas, primogênito e primeira voz da dupla. Depois de aprender violão, os irmãos exploraram outros instrumentos e hoje sabem de tudo um pouco. Vitor, que assume o violão e a segunda voz durante as apresentações, faz questão de dizer que o talento facilitou o aprendizado musical. "Na época que o Lucas estudava violão, eu ficava ao lado dele tentando aprender alguma coisa. O tempo passou e, além do canto, descobrimos um pouco de cada instrumento. Hoje, pegamos várias músicas na bateria, piano e guitarra sem dificuldade", conta Vitor.

JC Martins/Encontro
(foto: JC Martins/Encontro)
A ex-dupla sertaneja Diogo e Danilo foi a primeira a apoiar a carreira de Lucas e Vitor e reconhecer a capacidade musical deles. Além de levá-los para participar dos shows, Diogo e Danilo convidaram os irmãos para ir a Barretos cantar na Festa de Peão, em 2010. Com tantas vivências musicais, a gravação de um CD demo era importante. Foi aí que o lazer ficou sério. O demo, que levava duas faixas inéditas compostas por Lucas, abriu as portas para outros convites – o mais importante veio da produção do SBT – e permitiu a participação da dupla no quadro "Jovens Talentos Kids", do programa Raul Gil. "Essa experiência foi incrível. Foram cinco meses aprendendo mais do universo musical até chegar à final. Além de dar muita visibilidade ao nosso trabalho e um amplo material de divulgação, o programa realizou o nosso sonho de cantar com Victor e Leo", explica Lucas.

Quem também acredita nos jovens irmãos é a dupla do Camaro Amarelo, Munhoz e Mariano. Para eles, não há hora certa para começar a investir na carreira. Se o talento já existe, é só aperfeiçoá-lo. "Lucas e Vitor têm qualidade vocal e uma marcante presença de palco com pouco tempo de estrada. Aulas de canto, música e teatro só vão colaborar para que isso aflore e impulsione a carreira deles", diz Mariano.  Por isso mesmo, os irmãos fazem aulas de canto semanalmente e aproveitam para ensaiar as novas composições do próximo CD, que será gravado em breve.

 

O dueto entre vozes irmãs é um diferencial valorizado pelo mercado sertanejo. Gamaliel de Souza, produtor que assina trabalhos com Chitãozinho e Xororó e Zezé di Camargo e Luciano, explica que os timbres não destoam um do outro. "Quando as vozes são irmãs, o casamento entre elas é perfeito e ambas se completam", diz. É nisso que os irmãos Thallys e Gabriel, de 13 e 14 anos, respectivamente, apostam. O profissionalismo musical acompanha a carreira dos garotos, que começou quando eles tinham 6 e 7 anos de idade. Gabriel, responsável pela execução da viola e primeira voz durante os shows, explica que tudo começou com a influência de primos que também cantavam sertanejo. "Minha mãe conta que me levava aos shows que eles faziam quando eu tinha 2 anos. Quando percebi, já estava insistindo para o meu pai me colocar na aula de violão e para o meu irmão cantar comigo", conta. Pouco tempo depois, Thallys já sabia tocar guitarra e queria o mesmo que o irmão. "Fizemos aulas de canto e fomos procurando o nosso lugar no palco. Queríamos ser como os nossos primos", diz Thallys.

Samuel Gê/Encontro
(foto: Samuel Gê/Encontro)
Depois de algumas apresentações nos bares mineiros – sempre acompanhados dos pais –, o telefone tocou incessantemente. Do outro lado da linha, produtores de casas noturnas e empresários de rodeios que ofereciam convites para shows em São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e no interior de Minas Gerais. Assustada com a popularidade repentina dos filhos, Lena Rodrigues, mãe dos garotos, abandonou o trabalho para gerenciar a carreira deles. A importância que os pais têm durante esse período é primordial, segundo a psicóloga Paula Salim. Ela explica que os filhos não devem tomar decisões sem a devida maturidade para isso. "É preciso cautela para não enxergar essa criança ou adolescente como adulto, pois, apesar de já trabalharem, eles ainda precisam de orientações, regras e limites", explica.

Por isso mesmo, Lena sempre conversa com os filhos sobre a profissão e deixa que os ensaios fiquem por conta deles. "O que mais cobro são as notas escolares, já que a obrigação que eles têm agora é de estudar. A música ainda não pode tomar o primeiro lugar na vida deles", diz Lena. Com CD gravado e agenda lotada nos fins de semana, os pequenos já dividiram palco com o fenômeno do sertanejo universitário João Lucas e Diogo. Os meninos de Panrampampam e Água na Boca, trilha sonora de novela da Rede Globo, reconhecem em Thallys e Gabriel um timbre que é escasso no Brasil. "As vozes são muito diferenciadas. Ainda crianças, eles têm um timbre grave muito bonito, que não se vê com frequência. Entram no palco com tudo e se comunicam muito bem com o público. É questão de tempo para que busquem algo maior para a carreira", diz João Lucas.

A participação no programa Raul Gil, em 2012, aproximou os garotos da cantora e, hoje, grande companheira de estrada Jéssica Lima.  Com vasta bagagem musical e o quarto lugar no quadro "Jovens Talentos" em 2011, ela deu dicas aos pequenos sobre o programa e daí em diante a amizade e parceria em shows foi firmada.  Hoje, aos 17 anos, a cantora – dona de uma voz versátil, que alcança notas gravíssimas – dá vida a modas de viola da década de 1980 e embala sucessos do sertanejo universitário em seu novo CD, que carrega seu nome. Jéssica conta que tudo começou com as princesas da Disney e o rádio do carro do pai. "Eu assistia aos desenhos e ficava admirada com as princesas cantando. Queria ser como elas, mas planejava cantar o sertanejo que o meu pai tanto ouvia no carro", conta. Depois de aulas de violão e canto, Jéssica e o pai, companheiro e amigo incondicional, foram em busca do sonho dela. "Aos 9 anos, ele me levava aos bares da capital e pedia aos cantores da noite para eu dar uma palhinha. Fiz muitos amigos e comecei a carreira assim", diz.

H SILVA/Divulgação
(foto: H SILVA/Divulgação)
Desse modo, a adolescente de muitos sorrisos e bom humor foi gostando dos palcos e fez turnê durante um ano, quando passou por muitas cidades do interior. "Muita gente me conhece dessa época", diz. A carreira profissional e a agenda cheia na adolescência não lhe renderam só trabalho, mas também boas histórias. Jéssica conta os entraves que já vivenciou por ser menor de idade e cantar em boates. "Já tive de sair da casa às pressas quando a produção descobriu que eu era menor de idade. Só quando o dono da boate explicou que eu estava com meus pais e tinha a autorização do Juizado é que pude voltar para cantar", conta.  Entre um show e outro, a mineira interpretou canções ao lado da ex-dupla Marcelinho de Lima e Camargo e Alan e Alex, mas quem não deixa de falar do seu trabalho é o músico e baixista Beethoven Júnior. Com 24 anos de experiência no mercado sertanejo, ele se surpreende com a voz da cantora. "Jéssica se apresenta como cantora profissional. O olhar, que penetra o público, e a potência vocal provam que ela vai longe", diz.

Perto de fazer 18 anos, ela planeja ingressar na Escola de Música da UFMG. "Quero estudar e deixar que a música me acompanhe por toda a vida. Se o sucesso vier ou não, vou continuar cantando", pontua, com ar de tranquilidade. O público mineiro torce para que ele venha, e que venha depressa.

Confira o vídeo da dupla Thallys e Gabriel:



Colaboraram João Pombo Barile e Marina Santos. Agradecimento: Vale Verde Alambique e Parque Ecológico

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