Sorria, você está sendo vigiado!

Contraofensiva da polícia aperta ainda mais o cerco aos motoristas que insistem em unir bebida com direção. Operações com agentes descaracterizados vão monitorar bares e restaurantes

por Rafael Campos - Encontro BH 10/11/2014 15:39

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Cláudio Cunha
Bar lotado de frequentadores na capital mineira: clientes serão observados por policiais civis à paisana (foto: Cláudio Cunha)
Se você é daqueles que toma sua bebida no bar e depois pega o volante na certeza de que os aplicativos de celular o ajudarão a evitar as blitzen da Lei Seca, cuidado. Aplicativos como Waze, plataforma colaborativa que ficou famosa entre os motoristas por revelar os locais de blitz, não serão mais tão certeiros em BH. Para virar e vencer a guerra contra o álcool, a campanha "Sou pela Vida. Dirijo sem Bebida" recebeu o reforço de policiais civis à paisana, que estarão em bares, restaurantes e casas de festas da cidade para vigiar e flagrar quem insiste em beber e dirigir. Andrea Abud, coordenadora de operações especiais do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG), avisa: as blitzen, que receberam o nome de itinerantes, serão diárias.

Samuel Gê/Encontro
Blitz da Lei Seca em BH: operações vinham perdendo a batalha para os aplicativos de celular (foto: Samuel Gê/Encontro)


A ação (confira no box) começou como projeto piloto, às quintas-feiras. Somente nos dois primeiros dias de atuação – nos dias 16 e 23 de outubro –, 13 motoristas foram flagrados alcoolizados. Desses, três foram autuados por crimes de trânsito – quando o índice de álcool por litro de ar apontado no etilômetro (bafômetro) passa de 0,34 mg/l. As ações foram executadas no bairro Prado, região Oeste, e em bares da Zona Sul. "Estudamos a rotina de lugares com bares e restaurantes, os horários de saída dos clientes e, em cima disso, preparamos a nossa ação", diz a delegada Andrea.

A estratégia de usar policiais descaracterizados veio da Espanha,  durante a Copa do Mundo, quando agentes daquele país estiveram em BH. Lá, desde 2009, houve redução de 40% do número de pessoas flagradas alcoolizadas. "Não queremos que as pessoas deixem de se divertir, beber e sair com os amigos. Queremos apenas que tenham a consciência de que não se pode beber e dirigir", afirma Andrea. Na operação, policiais civis à paisana vigiarão bares e seus frequentadores. Ao perceber que um motorista alcoolizado deixou o local, acionarão uma viatura militar que estará na região. A abordagem caberá aos militares.




O novo modelo de operação, que envolve Polícia Civil, Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), BHTrans, Polícia Militar e Guarda Municipal, é apoiado por Miguel Marques, presidente da Comissão contra Acidentes de Trânsito da OAB-MG. "É uma medida inteligente e acredito que será eficiente, desde que permaneça e vire rotina na cidade", diz. As operações convencionais, em lugares fixos, vão continuar, a exemplo das megaoperações nomeadas de Labirinto, cujo objetivo é fechar saídas de bairros com grande concentração de bares e restaurantes. A ideia é apertar ainda mais o cerco.

A ação da campanha "Sou pela Vida. Dirijo sem Bebida" visa reduzir os números alarmantes de acidentes de trânsito em BH. Segundo a delegada Andrea, mais de 60% das mortes no trânsito na capital mineira têm ligação com o uso de bebida alcoólica. "É uma mudança de cultura que não acontece da noite para o dia, mas queremos acelerar esse processo", afirma a delegada Andrea Abud.




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