Tropa de elite

Findas as eleições, ficou o recado: é preciso renovar. Quem são os políticos com menos de 50 anos que devem ocupar posições de destaque nos dois grupos que dividem o poder em Minas

por Paulo Paiva 18/11/2014 16:48

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Fotos: Cláudio Cunha
Da esquerda para a direita: Odair Cunha (PT), Gabriel Guimarães (PT), Miguel Corrêa (PT), Reginaldo Lopes (PT), Paulo Abi-Ackel (PSDB), Dinis Pinheiro (PP), Rodrigo de Castro (PSDB) (foto: Fotos: Cláudio Cunha)
Em toda eleição, as urnas costumam mandar recados de diversas cores e matizes para a classe política. Elas mostram indignação da população, protestos e desejos de mudança - mas também consolidam projetos, trabalhos e propostas vitoriosas. Em Minas, longe dos holofotes (que estavam focados na disputa para governador e presidente), as eleições deste ano consagraram e fortaleceram o trabalho de um restrito grupo de parlamentares mineiros ligados às duas principais forças políticas do estado - o PT e o PSDB. O grupo tem vários pontos em comum. São parlamentares jovens (entre 30 e 50 anos), já testados pelas urnas (alguns estão indo para o terceiro ou quarto mandato) e que, de alguma forma, serão protagonistas dos próximos movimentos no tabuleiro político estadual. Há, entre eles, quem pretenda disputar a Prefeitura de Belo Horizonte em 2016. Outros sonham com o Senado. Alguns estão cotados para compor o secretariado do governador eleito, Fernando Pimentel (PT), ou o novo ministério da presidente Dilma Rousseff (PT). E, por fim, já há quem sonhe com o governo de Minas em 2018. Ou seja - você, com certeza, ouvirá falar dessa pequena tropa de elite da política mineira nos próximo anos.

Encontro ouviu parlamentares em geral, lideranças consagradas dos principais partidos do estado e muitos políticos para saber quem saiu destas eleições consagrado como nome do futuro nas duas correntes majoritárias da política mineira. Do PT, emergiram os deputados federais Reginaldo Lopes, Miguel Corrêa, Gabriel Guimarães e Odair Cunha. Do PSDB, Rodrigo de Castro e Paulo Abi-Ackel. Do PP, legenda que em Minas integra o rol de aliados do PSDB, sobressai-se o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Dinis Pinheiro. São nomes que, de uma forma ou de outra, deverão ocupar o cenário político no futuro próximo.
 
Cláudio Cunha
(foto: Cláudio Cunha)


Tome-se como exemplo o grupo petista. Juntos, os quatro parlamentares - Reginaldo Lopes, Miguel Corrêa, Odair Cunha e Gabriel Guimarães - obtiveram perto de 1 milhão de votos. É volume suficiente para decidir uma eleição majoritária, seja para governador, seja para presidente, no estado. Não à toa, os três primeiros - e agora também Gabriel - são chamados de "meus mosqueteiros" pelo governador eleito, Fernando Pimentel. O futuro governador, por sinal, foi peça decisiva na formação dos "mosqueteiros", ao incentivar a renovação nos quadros do partido há alguns anos.

"Pimentel, com sua sensibilidade, apostou na renovação do PT mineiro, no encontro entre as novas gerações e os fundadores do partido. Ele foi um dos entusiastas da minha eleição para presidente do partido em Minas em 2007 e depois apoiou minha reeleição em 2009. Durante todo esse tempo, nossa missão era clara: promover a renovação, com o encontro entre as jovens lideranças e os quadros mais antigos", diz o deputado federal Reginaldo Lopes, o mais votado de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados neste ano.

Reginaldo, Odair e Miguel formam um time unido, com pretensões que não se chocam. Cogitado até para assumir um ministério no governo Dilma, Reginaldo já trabalha para lançar-se candidato ao Senado em 2018. "Minas precisa de um senador militante. Esse é meu objetivo, com planejamento e ouvindo todos os setores do PT", diz. Como deputado federal, Reginaldo tem trabalhado em temas que afetam diretamente a vida de milhões de pessoas, como juventude, drogas, educação e idosos. A partir de 2015, vai iniciar o quarto mandato consecutivo.

Cláudio Cunha
(foto: Cláudio Cunha)


Também cacifados pela votação, Miguel e Gabriel olham com carinho para a avenida Afonso Pena 1.212 - sede da Prefeitura de Belo Horizonte, no coração da capital. Ambos são mineiramente cautelosos ao falar sobre suas pretensões. "Ser candidato a prefeito da cidade onde nasceu é o desejo de todos os políticos. Mas ainda é cedo para colocarmos essa discussão na mesa", diz Miguel.


Ele está certo. Em Belo Horizonte, o senador Aécio Neves, que disputou a Presidência da República pelo PSDB, obteve uma vitória esmagadora sobre a presidente Dilma Rousseff - o que mostra que a maior parte da população terá de ser "convencida" de que o projeto petista pode ser uma boa opção para a cidade. "Esse é um dos nossos principais desafios a partir de agora: buscar soluções, junto ao governo federal e estadual, para os problemas que afligem Belo Horizonte, como Anel Rodoviário, segurança pública e metrô. Temos agora um alinhamento entre estado e União e precisamos dar respostas para essas questões. Vamos iniciar o diálogo para ouvir e compreender os setores da cidade que não caminharam conosco", diz Miguel.

Essa também é a preocupação de Gabriel Guimarães, filho do ex-deputado Virgílio Guimarães, bastante conhecido dos belo-horizontinos. Mais novo integrante dos "mosqueteiros" (ele tem 31 anos) e também bastante ligado a Pimentel, Gabriel refere-se com carinho ao trabalho que o partido terá de fazer para reconquistar a confiança dos belo-horizontinos - e deixa no ar, sutilmente, a possibilidade de disputar o cargo.

"O PT já teve a oportunidade de governar Belo Horizonte com projetos vitoriosos. Tenho certeza de que, nos próximos dois anos, criaremos as condições necessárias para retomar esse projeto. Como morador de Belo Horizonte e filiado ao PT da cidade, vou me dedicar muito para que alcancemos esse objetivo", diz, lembrando que a votação obtida nas urnas (ele foi o quinto deputado federal mais votado em Minas) o credencia como uma das novas e fortes lideranças do partido. "Minha votação no estado e em Belo Horizonte me deixou com uma grande responsabilidade. Agora, nos próximos dois anos, com Dilma e Pimentel, teremos tempo para mostrar que nosso projeto para a cidade é bom", diz. Gabriel chega com uma carta na manga: na Câmara dos Deputados, foi um dos coordenadores do Prosus, o programa que salvou os cofres da Santa Casa de Belo Horizonte.

Cláudio Cunha
(foto: Cláudio Cunha)


Atual presidente do PT mineiro, o deputado federal Odair Cunha, cuja base eleitoral é o Sul de Minas e que quase preteriu a política ao sacerdócio, diz que o PT vive momento de boas expectativas em Minas, mas não pode esquecer os resultados das urnas nas eleições presidenciais caso queira, de fato, consolidar e ampliar o espaço conquistado. "A população deixou recados que precisam ser traduzidos em ações, como dar transparência às iniciativas do governo e promover uma agenda clara de combate à corrupção. Precisamos também dialogar melhor com a nova classe média", diz o parlamentar, vice-líder do governo na Câmara dos Deputados.


No ninho tucano, algumas de suas principais lideranças também devem alçar novos desafios. É o caso do deputado federal Paulo Abi-Ackel, que angariou, ao longo de dois mandatos (ele vai agora para o terceiro), fama de bom articulador, herdada do pai, o ex-deputado e ex-ministro Ibrahim Abi-Ackel.

Um fato emblemático mostra que a fama faz sentido. O processo de escolha do candidato do PSDB e aliados ao governo de Minas foi marcado pela fragmentação e disputa acirrada. Pelo menos três nomes, entre eles o do presidente do partido em Minas e deputado federal Marcus Pestana, pleiteavam a indicação. Paulo Abi-Ackel foi chamado pessoalmente pelo senador Aécio Neves para tentar pacificar a disputa interna, que ameaçava rachar o partido. Chegou a reunir os postulantes à indicação em um jantar na sua casa para tentar chegar a um consenso. Inútil. Ninguém queria abrir mão. Foi quando Aécio cogitou, então, duas possibilidades: a de lançar o próprio Abi-Ackel ao cargo ou chamar alguém de fora para ser o candidato tucano ao Palácio Tiradentes. "Ligue os motores e os mantenha em ponto morto", disse ao deputado o senador Aécio Neves, que acabou optando por trazer um nome acima das disputas internas - Pimenta da Veiga.

Cláudio Cunha
(foto: Cláudio Cunha)


Fiel ao estilo de articulador, o deputado desconversa quando o assunto é futuro, principalmente em relação à eleição para prefeito ou para governador, em 2018. "Ainda é muito cedo para se falar nisso. Mas estarei pronto para servir a meu partido em novo desafio, se o partido assim entender por bem", diz. Nos bastidores tucanos, a leitura é a de que as eleições para governador, daqui a quatro anos, teriam entrado no radar de Abi-Ackel, embora sua candidatura a prefeito de BH também seja uma possibilidade, ainda que remota. O parlamentar abre o leque de possibilidades. "Já ocupei praticamente todas as posições que um parlamentar do PSDB poderia almejar. Acho natural que um deputado nessa condição pretenda buscar novas posições. Gosto de desafios", afirma.

Mas há outros tucanos que também gostam de novos desafios. É o caso do deputado federal Rodrigo de Castro, segundo mais votado de Minas nestas eleições, com quase 300 mil votos (e mais votado de seu partido). Filho de Danilo de Castro, ex-deputado, ex-secretário de estado e um dos principais articulares políticos de Aécio Neves e de Antonio Anastasia, Rodrigo tem a política no sangue. "Sempre gostei de política.

 

Quando fui chefe de gabinete de Anastasia (que então ocupava o cargo de secretário do Planejamento no governo Aécio), meu pai era secretário de Governo. Pude, então, ter a visão política e a técnica do governo Aécio. E a junção das duas visões ajudou a forjar o meu perfil", diz o parlamentar, que assume em janeiro seu terceiro mandato na Câmara dos Deputados.

Cláudio Cunha
(foto: Cláudio Cunha)


Otimista, Rodrigo garante que as eleições majoritárias no estado e no país trouxeram conquistas para o PSDB - por exemplo, o despertar da juventude para as causas do partido e o nascimento de uma militância que, no futuro, poderá desembocar em novas lideranças tucanas. "A renovação é uma exigência da sociedade. Precisamos caminhar para um novo modelo de política, mais transparente, que insira o Brasil no mundo e que enfrente os velhos problemas do país, como a reforma tributária", diz.

Rodrigo destaca um fator que foi fortemente explorado nestas eleições como prova da renovação tucana. "Fomos muito ativos nas redes sociais. Essa foi uma novidade do PSDB, fruto de uma militância jovem. Precisamos ter competência e sabedoria para manter essa juventude no partido", diz.

O parlamentar aceita, com naturalidade, o papel de liderança que as urnas lhe conferiram. "Terei novas missões importantes no partido e me sinto pronto para caminhar nesta direção", diz. A Prefeitura de Belo Horizonte estaria nessa caminhada? O futuro dirá, mas Rodrigo não descarta a possibilidade. "Tenho serviços prestados a Minas Gerais e a Belo Horizonte. Sou eleitor da capital e me sinto em condições de pleitear novos cargos no futuro. Disposição não me falta. Sob a liderança de Aécio Neves, vamos buscar o consenso e o melhor caminho", afirma.

Fora do PSDB, mas aliado de primeira hora dos tucanos, surge o nome do atual presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Dinis Pinheiro. Candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Pimenta da Veiga, Dinis ficará sem mandato a partir de 2015 - o que não significa que perderá seu cacife político.

Cláudio Cunha
(foto: Cláudio Cunha)


Ao contrário, grupos ligados a Aécio acreditam que, se Dinis tivesse encabeçado a chapa que disputou o governo mineiro, o resultado das eleições em Minas poderia ter sido diferente. De palavra mansa e fácil, o deputado é considerado um bom articulador (ele é querido por praticamente todos os deputados estaduais, inclusive do PT) e de estilo mais popular. Gosta de estar cercado por gente (de todas as condições sociais) e de dialogar com vários segmentos da sociedade. Uma curiosidade desta campanha, e que bem define o perfil de Dinis Pinheiro, ocorreu quando o marqueteiro do PSDB, Cacá Moreno, pediu para que ele vestisse terno e gravata para gravar os programas eleitorais que iriam ao ar. Dinis respondeu: "Deixe eu ser o Dinis. Me sinto melhor sem isso".
 
Posteriormente, Cacá lhe entregou o texto que deveria falar. Dinis reagiu: "Não gostei. Quero que tenha as palavras fé, amor, crianças e pobres". Cacá aceitou as três primeiras, mas disse que Dinis não deveria utilizar a última em sua gravação. O político ouviu, mas, na hora de gravar, não hesitou: incluiu os pobres na fala. "Eu sou assim, simples, do povo, não quero mudar meu jeito", diz ele.


Graças a esse estilo, foi, por duas eleições consecutivas, o deputado estadual mais votado do estado. Também exerceu o cargo de presidente da Assembleia por duas vezes seguidas - posto do qual se despede em janeiro. "Vivi durante a campanha um momento muito rico da minha história. Considero como vitória todo o processo do qual participei. Saio destas eleições mais tolerante, mais generoso e mais idealista", diz. Embora não admita ser candidato a nada neste momento, deixa claro que vai participar ativamente das eleições para a Prefeitura de BH em 2016 e para o governo do estado em 2018. "Tenho um amor incondicional por Minas e por Belo Horizonte", afirma.

Cláudio Cunha
(foto: Cláudio Cunha)


É claro que as eleições deste ano trouxeram mais novidades e nomes além dos que estão apresentados nesta reportagem, para oxigenar a vida política do estado. Mas essas novas caras ainda terão de ser testadas algumas vezes até que se firmem como protagonistas da história de Minas. Uns vão emergir, outros, contudo, serão como espuma de ondas, que somem na maré baixa. O fato é que essa pequena tropa de elite ouvida por Encontro já foi testada exaustivamente nas urnas e nas articulações políticas. Eles chegaram para ficar - é melhor ir guardando quem são.

Colaborou: Marina Dias

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