Shake não faz milagre

O suplemento tem sido adotado como fórmula mágica de emagrecimento. Mas seu consumo exige cuidados para não comprometer a saúde. Confira as dicas de especialistas

por Daniela Costa 19/11/2014 16:57

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Alexandre Rezende/Encontro
O empresário Felipe Alecrim conseguiu o que queria: "Minhas meta era ganhar 10 kg. O resultado foi muito positivo" (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
Pouco afeita ao tradicional arroz com feijão e sem o hábito de comer frutas e verduras, a consultora de moda Raquel Fernandes Barroso, de 34 anos, descobriu nos shakes uma forma prática de se alimentar. Há dois anos, substitui com regularidade o almoço pelo suplemento. "Foi a forma que encontrei para manter o peso depois que tive meu primeiro filho", diz. No entanto, especialistas afirmam que, apesar de a mistura ser rica em carboidratos e proteínas e ter baixo teor de gordura, não tem a quantidade de nutrientes necessária para manter o equilíbrio do organismo. E a dúvida que fica é uma só. Qual será o consumo adequado do suplemento?

Mariela Guimarães/Encontro
Há dois anos, a consultora de moda Raquel Barroso substitui o almoço pelos shakes: "Foi a forma que encontrei para manter o peso depois que tive o meu primeiro filho" (foto: Mariela Guimarães/Encontro)
A dica é aliar o shake a uma dieta balanceada e a atividades físicas, sempre com acompanhamento profissional. Dessa forma, ele atua como suplemento, e não refeição principal, reforçando as carências nutricionais do organismo. "O sobrepeso é uma doença relacionada a vários distúrbios e deve ser avaliado como um todo. Mudar a alimentação radicalmente pode trazer problemas ainda mais graves", diz o nutrólogo Lucas Mendes Penchel. Segundo ele, o consumo indiscriminado do suplemento pode trazer graves consequências. Além do risco de insuficiência de vitamina B1, podem ocorrer hipovitaminoses das vitaminas A, B12, C, D e de minerais como ferro e zinco.

A ausência desses elementos provoca desde problemas de visão, falta de concentração, a raquitismo, anemia e osteoporose. "Há casos de pessoas que adquirem doenças metabólicas por carência de macro e micronutrientes que são encontrados somente em alimentos como frutas, verduras e hortaliças", diz Penchel. Outro fator importante é que o uso prolongado de shakes em substituição às refeições pode levar à desnutrição e à perda de massa magra, e não exatamente à redução de gordura. "O músculo é o nosso tecido ativo e é ele que acelera o nosso metabolismo. A perda desse tecido resultará em um metabolismo mais lento, menos eficiente no gasto de calorias", explica a nutricionista Fernanda Axer Vieira Pinto.

No entanto, quando utilizado da maneira correta, o consumo de shakes pode trazer bons resultados, tanto para perder quanto para ganhar peso. O empresário Felipe Alecrim, de 28 anos, seguiu a receita certa. "Sempre fui muito alto e magro e minha meta era ganhar 10 kg. Então, aliei o shake a uma boa alimentação e a exercícios anaeróbicos. O resultado foi muito positivo", diz. Por falta de tempo, a bancária Kelly Cristina Gomes da Cunha, de 26 anos, utilizou o shake por um ano seguido. "Quando não tinha tempo de ir a um bom restaurante, optava pela bebida no almoço. Na época, cheguei a perder 13 cm de circunferência abdominal e emagreci 6 kg, mas sempre me alimentando de três em três horas e com um jantar leve", diz Kelly.

Os especialistas alertam que os alimentos jamais devem ser totalmente substituídos, pois são as únicas fontes naturais de vitaminas, minerais, proteínas e carboidratos. Sem falar na mastigação, que é fundamental para ativar enzimas que atuam no intestino. "O mau funcionamento do intestino impacta em ganho de peso, alteração da glicose e surgimento de doenças como azia, gastrites e úlceras", diz Ana Paula Fidélis, nutricionista funcional. O alto teor de sódio na composição dos shakes de algumas marcas também deve ser considerado. "Nesses casos, o consumo de água é fundamental para auxiliar no funcionamento renal e hepático", diz a nutricionista esportiva Luciana Angelini Lage.

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