A "família" Oliveira

As características do técnico tetracampeão ajudaram a consolidar um clima especial no Cruzeiro, marcado pela união dos jogadores e pelo espírito de solidariedade entre o grupo

05/12/2014 15:01

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Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press
O jeito mineiro e tranquilo de Marcelo Oliveira vem sendo decisivo para as conquistas do time celeste desde o ano passado (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)
Três palavras foram repetidas como mantra ao longo da temporada que marcou o incontestável tetracampeonato brasileiro do Cruzeiro: família, trabalho e Deus. A equipe do futebol que encantou o Brasil, líder desde a sexta rodada e campeã com duas de antecedência, também ficou conhecida pelo comportamento fora das quatro linhas e pelo discurso de paciência e disciplina em contraposição à eufórica torcida, que tinha certeza do troféu muito antes daquela tarde de domingo, 23 de novembro, quando o time celeste venceu a chuva e o Goiás por 2 a 1, pela 36ª rodada do Brasileiro, para levantar a segunda taça consecutiva, a quarta da sua história (feito obtido em 1966, 2003 e no ano passado).

A postura adotada pelo Cruzeiro – que em três anos ressurgiu de um quase rebaixamento, salvo com goleada por 6 a 1 sobre o Atlético, para o topo do futebol brasileiro – reflete a personalidade de alguns de seus líderes: o ponderado técnico Marcelo Oliveira, que soube administrar um grupo de 30 jogadores ao longo do Brasileiro com total controle e liberdade para mudar as peças quando necessário; o goleiro Fábio, líder em campo e um dos responsáveis pela religiosidade do grupo; o volante Tinga, que, mesmo ausente por lesão, é uma espécie de guru para os mais jovens; e o presidente Gilvan de Pinho Tavares, que conseguiu conter o assédio de clubes europeus por suas principais estrelas e turbinou o programa de sócio-torcedor (que hoje conta com 66 mil associados).

É um grupo tão entrosado que até o discurso é afiado. Quando Encontro perguntou ao goleiro Fábio sobre o segredo do sucesso da equipe, o craque não titubeou. "O Marcelo nos dá oportunidade de fazer as reuniões, não só antes dos jogos, mas no dia a dia. É uma família." "Ele abre espaço para conversa e ouve bastante. De fácil acesso e ponderado. Sabe lidar com jogadores", concorda o zagueiro Leo. "É um grupo muito família, que se apoia, ajuda. Dentro de campo, quem entra e quem sai mantém a mesma postura", reforça o volante William Farias.

O respeito entre os atletas e a confiança no treinador culminaram em recordes que atestam a superioridade: pela primeira vez, um time liderou o campeonato por 32 rodadas consecutivas, ultrapassando a barreira de 100 rodadas na ponta desde 2003. Até o jogo do título, o Cruzeiro havia balançado as redes 775 vezes na era dos pontos corridos, 28 a mais que o segundo colocado, o São Paulo, que detém dois recordes que os mineiros ainda correm atrás: número de vitórias (231 a 227) e somatória total de pontos (812 a 774), ambos até a 36ª rodada.

O desafio para a próxima temporada será manter o grupo. O Real Madrid manifesta interesse pelo volante Lucas Silva, uma das joias reveladas na Toca da Raposa, que deve partir para a Espanha até o meio de 2015; Marcelo Moreno, emprestado pelo Grêmio, ainda não acertou sua permanência e os armadores Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, novidades da Seleção Brasileira no retorno do técnico Dunga, serão bastante cobiçados. Henrique tem contrato até o fim deste ano, mas deve permanecer, ao contrário de Samudio e Borges, que a diretoria vai procurar para conversar. Dos 30 atletas da campanha do tetra, apenas seis chegaram este ano – Willian Farias, Marcelo Moreno, Marquinhos, Samudio, Manoel e Marlone. O clube deve manter a política de contratações pontuais. Marcelo Oliveira, que vai renovar o contrato, já afirmou que pretende utilizar juniores como Alex, Eurico e Judivan. Eles terão a dura, porém satisfatória, missão de manter o Cruzeiro na crista da onda.

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