Ele virou celebridade

Aécio perdeu as eleições, mas ganhou o público. Quer ser o protagonista da oposição e da mudança no Brasil. Aclamado por onde passa, ele está leve - e feliz da vida

por André Lamounier , por Leilane Menezes 05/01/2015 14:21

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Raimundo Sampaio/ Encontro/ DA Press
Devoto de São Francisco, Aécio Neves
se considera um vencedor e jamais
perdeu a fé: "Nunca deixei de
acreditar" (foto: Raimundo Sampaio/ Encontro/ DA Press)
A imagem de São Francisco de Assis guarda a entrada da sala principal do gabinete do senador Aécio Neves. Devoto que é, quem conhece o neto de Tancredo sabe que lhe oferecer uma imagem do santo católico é uma forma de lhe agradar. “Tenho 100 dessas lá na fazenda”, diz. “Todo mundo se lembra disso e me dá uma de presente.” Nos momentos mais difíceis da campanha a presidente da República, em 2014, foi ao santo que ele recorreu para manter-se fiel a si mesmo e à própria fé. “Nunca deixei de acreditar”, afirma.


Apelar ao divino não foi suficiente. Aécio passou perto, mas não se elegeu presidente do Brasil. Ainda assim, saiu do pleito como um grande vencedor, e ele sabe disso. Fácil entender o porquê. Aécio entrou na disputa como forte competidor. Saiu dela como um gigante, muito maior do que se poderia imaginar. “Fui derrotado eleitoralmente”, diz o mineiro, que hoje se tornou cortejada celebridade. Por onde anda, aonde vai, é cercado, aplaudido e aclamado. Inclusive nos corredores do Congresso Nacional. Ele dá um passo e pronto: lá está um deputado, um prefeito, um senador ou apenas visitantes, atrás de sua ajuda, suas palavras e, muitas vezes, sua fotografia.


Dono de 51 milhões de votos, Aécio sabe a responsabilidade que carrega. Mas está muito tranquilo com isso. Aécio está leve e sorridente. Retomou hábito prazeroso interrompido pela campanha: a leitura. A biblioteca do gabinete tem, entre outros, um exemplar de Why Nations Fail (Por Que as Nações Falham, em tradução livre), de Daron Acemoglu e James Robinson, e livros sobre Minas Gerais. Mas ele está lendo o segundo tomo de Getúlio, de Lira Neto. Guardou na lembrança a passagem do livro em que Getúlio é reconhecido na rua por uma senhora, que o abraça. “O único retorno que o homem público honrado pode querer é o reconhecimento por seu esforço e seu trabalho”, diz. “E é isso que eu encontro hoje.”


Ao longo da campanha, Aécio recebeu uma companhia particularmente especial para ele: a filha mais velha, Gabriela, hoje com 23 anos. Esta foi a primeira campanha em que Gabriela se envolveu ativamente. “Sou de família de políticos. O que carrego de mais precioso comigo a vida toda é o orgulho que sinto dos meus pais e avós”, diz.
O senador lembra-se, ainda criança, de ter encontrado o mais duro adversário político de seu pai, Aécio Cunha, da cidade mineira de Teófilo Otoni, que lhe disse: “Seu pai é um homem honrado e de bem”.


“É isso o que quero para meus filhos, que encontrem pessoas que podem não concordar comigo, mas que me respeitam”, diz Aécio.Neste ano, Aécio passou a ter dois motivos a mais para preocupações como esta. Os gêmeos atendem pelo nome de Bernardo e Júlia e nasceram prematuramente, no início da campanha. Não era possível, nem necessário, dividir com o público, mas Bernardo e Júlia correram risco de morte em mais de uma ocasião. “Foi o ano mais intenso da minha vida”, diz. No início deste mesmo 2014, a irmã de Aécio, Ângela, sofreu um AVC e ficou 60 dias na UTI.


“Tive de buscar muita força interna”, diz. “Eu tinha de ser otimista e arauto de boas notícias.” Letícia, sua mulher, também teve papel decisivo. “Ela foi guerreira e companheira”, diz ele. Aécio tem pela frente o desafio de manter acesa a chama da mudança que se ascendeu no país. “Nasceu um Brasil diferente nas urnas”, afirma. Para mantê-lo ardente, Aécio terá de se firmar como protagonista da oposição e fazer perenigrações itinerantes e devotadas pelo país. Assim com fazia São Francisco de Assis.

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