Um nome, um destino

Pela segunda vez, ele é escolhido "Mineiro do Ano". Motivos sobram. Um deles: em 2014, inaugurou, em Belo Horizonte, um dos mais modernos hospitais do país

por Geórgea Choucair , por André Lamounier 05/01/2015 15:36

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Eugênio Gurgel
José Salvador Silva, fundador do Mater Dei. Ele saiu de Santana do Pirapama (MG) para construir um dos maiores e mais modernos grupos hospitalares do país: "Tenho sede de conhecimento e enorme disposição para o trabalho" (foto: Eugênio Gurgel)

Esta é a história de um homem cuja vida é prova de que pessoas envelhecem, mas não suas ideias. Ainda menino, José Salvador Silva saiu da pequena cidade de Santana do Pirapama, no coração do cerrado mineiro, para ganhar a vida na capital. Formou-se médico. Ganhou amor pela profissão e dinheiro. Construiu um dos maiores grupos hospitalares do Brasil e conduziu um bem-sucedido processo de sucessão familiar. Aos 83 anos, ele conquistou tudo o que vida poderia lhe dar (e mais um pouco).


Como ginecologista e obstetra, teve clínica movimentada – e frequentada pelas mulheres da alta sociedade. Fez mais de 20 mil partos. Sonhava ir além. Construiu prédios, amealhou economias e investiu tudo o que tinha (e mais um pouco) para erguer em 1980 a primeira unidade do hospital Mater Dei, com cerca de 100 leitos. A demanda por mais leitos, contudo, era crescente – e a fama do Mater Dei idem. José Salvador se pôs, então, a construir a segunda unidade – contígua à primeira –, num edifício de 15 andares e que elevaria a 320 o número de leitos. Inaugurado em 2000, o novo prédio era uma suntuosidade para a época.


Em casa, o médico também tinha suas demandas: a criação dos quatro filhos. Ao lado da mulher, Norma, igualmente médica ginecologista, formou um engenheiro e outros três médicos, que depois de crescidos precisavam estar preparados para ajudá-lo a tocar o hospital. Hoje, Maria Norma e Márcia, as filhas de Salvador e Norma, são diretoras do Mater Dei, e o primogênito, Henrique, é o presidente do grupo hospitalar. Renato, o outro filho, engenheiro, montou uma construtora que – sina da família – também tem sucesso.


Ainda assim, dr. Salvador Silva sonhou mais alto. Queria erguer sua obra mais edificante: uma nova unidade do Mater Dei que atendesse aos mais avançados conceitos de instalação hospitar existentes no Brasil. Em 2010 ele comprou o terreno e no ano seguinte se pôs a empreender a construção. Cuidou pessoalmente de cada detalhe. Costuma dizer que virou “um mestre de obras”. Em junho deste ano, foi inaugurada a unidade Contorno do hospital Mater Dei. Uma vez mais, o médico – cujo nome (Salvador) é prenúncio de um destino – acertou na prescrição e a nova unidade do grupo hospitalar já está entre as melhores e mais modernas do país, dotada de equipamentos e serviços de última geração. Foram investidos R$ 360 milhões, metade financiado pelo BNDES e a outra de capital próprio. São 22 andares, 341 leitos e capacidade para atender até 2 mil pacientes por dia, com máximo de urgência.


Mais dois hospitais estão a caminho. Um será onde funcionou a antiga fábrica da Skol, em Nova Lima. E o outro, numa área entre Contagem e Betim. “Tenho sede de conhecimento e enorme disposição para o trabalho”, diz.


Dr. Salvador pode falar como ninguém sobre seu mais novo hospital. No último dia 2 de novembro, vítima de forte obstrução intestinal, foi submetido a uma cirurgia de urgência. Ficou três dias internado no CTI e perdeu 6 kg. Foi tenso. Felizmente, já se recuperou e está de volta ao trabalho. Atleticano, leitor compulsivo, ele tem medo de ficar cego. Não quer perder os jogos do Galo e, principalmente, uma de suas maiores companhias, os livros.


Foi operado no Dia dos Mortos, mas isso não lhe preocupou. “Tomei um susto”, diz. “Mas não tenho medo de morrer.” Tudo bem, doutor. Mas compreenda: nós sim, morremos de medo de perdê-lo. Vida longa, dr. Salvador. Nós precisamos de você.

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