O Semeador de livros (e de lavadoras, exaustores, tanquinhos...)

Ele dividiu seu tempo entre construir a Suggar e ler livros. Neste ano, vai faturar R$ 2,5 bi e crescer quase 80% sobre 2013. Alguém lembra quanto vai crescer o PIB do Brasil?

por Geórgea Choucair , por André Lamounier 05/01/2015 15:43

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Samuel Gê
Lúcio Costa, presidente e fundador da
Suggar: "Interfiro pouco (no dia
a dia da empresa), mas, se der bode,
eu vou lá e resolvo" (foto: Samuel Gê)
A vida do empresário Lúcio Costa, fundador e presidente da Suggar há 36 anos, daria, com facilidade, um livro. Aos 12 anos, ele ficou órfão de pai. Correu atrás do próprio futuro e ainda jovem comprou um trailer para, dentro dele, inaugurar seu primeiro negócio: o de vendas de cozinhas planejadas. Se havia casas novas sendo construídas no bairro São Bento, em Belo Horizonte, era para lá que ele levava seu trailer.


O negócio prosperou e logo veio a ideia de fabricar eletrodomésticos. “Senti que nas cozinhas que eu vendia faltavam exaustores”, diz Lúcio. “Começamos a fabricar o Suggar da Suggar.” O produto virou um dos maiores fenômenos de venda da indústria de bens de consumo do país, à época, e sinônimo de sua categoria.


Quase 35 anos depois, o passado virou história e a empresa de Lúcio Costa, a Suggar Eletrodomésticos, tornou-se gigante do setor e a maior fabricante brasileira de exaustores e de lavadoras semiautomáticas, os chamados tanquinhos, que lideram o faturamento do grupo – são sete empresas –, que chegará a R$ 2,5 bilhões em 2014. O crescimento é superior a 78%, ante R$ 1,4 bilhão de 2013. O salto no faturamento se deve ao empreendedorismo de Lúcio Costa. Surgiu oportunidade na importação, ele correu para a China. Nos últimos dois anos, a linha de produtos da Suggar saltou de cerca de 90 para os atuais 154, e 95% destes são importados do Oriente.


Oportunidade ainda maior ele enxergou no programa Minha Casa, Minha Vida, que oferece crédito com juros subsidiados para compra de móveis e eletrodomésticos. Ele decidiu investir e ampliar a fábrica localizada no bairro Olhos D’Água, na capital mineira. Foi um gol de placa. Hoje, tudo o que produz, vende. “A nossa indústria está trabalhando 24 horas por dia, inclusive aos sábados, domingos e feriados”, diz. São 100 mil tanquinhos vendidos por mês e cerca de 35 mil exaustores. A cada cinco segundos sai uma lavadora da linha de produção. Para atender à demanda crescente do Nordeste brasileiro, a partir de maio de 2015, as lavadoras terão uma nova fábrica, em João Pessoa (PB). O investimento é de R$ 30 milhões e a capacidade inicial, de mil unidades por dia. “É uma região de baixo poder aquisitivo, adequada para o produto”, afirma Lúcio Costa, que compartilha com o filho, Leandro, e com seus dois executivos, Marcelo Soares e Anamaria Avelar, as principais decisões da companhia. “Interfiro pouco, mas, se der um bode, eu vou lá e resolvo”, diz.


Lúcio está longe de ser um perfil workaholic. No seu dia a dia, há espaço para jogar tênis, aulas de inglês, pilates, psicanálise e ainda para degustar um bom vinho. Ao caminhar pela fábrica no horário de expediente, é simples e brincalhão com os funcionários: “Vai dar Galo hoje, né?”. Mas é também observador e detalhista: “Ei, apaga aquela luz lá!”. Esporadicamente, almoça no restaurante da fábrica. “É para saber se está tudo certo”, diz.


Tem por hábito presentear funcionários e amigos com livros. Em sua casa, há duas bibliotecas. Recentemente, inaugurou outra na fábrica. Antes de terminar a entrevista, Lúcio Costa pede: “Não deixem de falar da biblioteca que fiz para os empregados, com mais de 6 mil livros”. Ok, Lúcio! Tá falado.

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