A devota de Maria

Ela é referência em arte sacra. Em 2014, inaugurou o Museu de Sant'Ana, em Tiradentes (MG), com 300 imagens da santa, garimpadas em todo o país. Em apenas quatro meses, o acervo já atraiu mais de 40 mil visitantes

por Geórgea Choucair , por André Lamounier 05/01/2015 15:51

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
 Samuel Gê
Angela Gutierrez, que acaba de ganhar
uma neta com nome de santa
(Maria), reuniu pessoalmente as peças que
compõem o acervo do novo museu: "Toda
a coleção que eu tinha foi doada" (foto: Samuel Gê)
O ano de 2014 jamais será esquecido pela colecionadora e pesquisadora de obras de arte Angela (escreve-se sem acento no “A”) Gutierrez. Foram duas gratas surpresas neste ano. A primeira foi conseguir instalar um museu numa antiga cadeia pública da pequena e histórica cidade mineira de Tiradentes. “Nunca tinha passado pela minha cabeça que faria isso”, diz. Pois ela fez, apesar de todas as dificuldades que se pode imaginar (trâmites burocráticos, entidades ligadas ao patrimônio histórico, etc.). Valeu a pena. O Museu de Sant’Ana foi inaugurado em setembro, abriga cerca de 300 imagens da santa homônima e recebe mais de 11 mil visitantes por mês.

“A cadeia é uma construção importante da primeira metade do século XVIII que estava vazia”, diz Angela. “Com a doação das obras de Sant’Ana, a cidade enriqueceria culturalmente.” Devota da santa, que segundo a tradição católica é avó de Jesus, ela reuniu ao longo de algumas décadas imagens brasileiras com inestimável valor histórico feitas, em sua maioria, por artistas anônimos, entre os séculos XVII e XIX.

Angela é presidente do Instituto Cultural Flávio Gutierrez (ICFG), que a partir de agora conta com três museus. É também diretora do Museu do Oratório, inaugurado em 1998 em Ouro Preto, e do Museu de Artes e Ofícios, que funciona desde 2005 na praça da Estação. Diferentemente desses dois museus, formados por objetos escolhidos por seu pai, o engenheiro Flávio Gutierrez, falecido em 1984, a maior parte do acervo do Museu de San’Ana é formada por obras reunidas pela própria pesquisadora.

A devoção à santa veio da infância, quando, aos 14 anos, ganhou de presente do pai, um dos três fundadores da gigante da construção Andrade Gutierrez, uma pequena imagem de Sant’Ana. A peça está hoje no Museu do Oratório e é uma das lembranças mais marcantes que tem do pai. Sua dedicação à santa é tal que Angela concedeu a sua única filha o nome de Ana. E foi justamente a filha quem dedicou à empresária sua segunda surpresa em 2014. Ana Gutierrez teve a primeira herdeira em outubro, e a ela deu o nome de Maria, o mesmo da filha de Sant’Ana. “Fiquei muito feliz e emocionada”, diz Angela.

As imagens de Sant’Ana foram doadas ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), assim como aconteceu com as peças dos outros museus. Angela deixou reservadas cerca de dez imagens de sua coleção. “Dei uma para minha filha e as outras, que são miniaturas, vou deixar para minha neta”, diz.

O final do ano de 2014 será comemorado com muita festa pela empresária. “Trabalhei muito para entregar esta coleção ao país”, diz. Ela segue trabalhando, em média, dez horas por dia entre a empresa da família (uma das mais ricas do estado) e suas atividades no ICFG, agora potencializadas com o novo museu. Sobra pouco tempo para outras atividades, como ginástica. “Sou preguiçosa para isso”, diz.

Angela é uma mulher dinâmica e empreendedora. Não lhe falta energia, mas será que terá tempo para levantar novo museu? “Não acredito, toda a coleção que eu tinha já foi doada”, diz. Na verdade, ela agora está preocupada com outra santinha, de nome Maria, e a quem quer ter tempo para embalar, embalar e embalar.

Últimas notícias

Comentários