Soou como música

O violonista e professor da UFMG recebeu, em 2014, uma das maiores premiações mundiais concedidas a pesquisadores. Ganhou ainda financiamento para seu projeto

por Geórgea Choucair , por André Lamounier 05/01/2015 16:19

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JC Martins/ Revista Encontro/ DA Press
Marcos Pimenta, da UFMG, em seu laboratório de nanotecnologia, dedilhando um microscópio: ele toca física como música (foto: JC Martins/ Revista Encontro/ DA Press)
Quem frequenta o Bar do Pedro, boteco “copo sujo” no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, certamente já escutou o violonista e professor de física Marcos Assunção Pimenta tocando chorinho, nas noites de quinta-feira. A assiduidade do professor no boteco, bem como sua qualidade de músico amador, não leva ninguém a imaginá-lo entre o cruzamento dos feixes de raios laser do laboratório de óptica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto a um aparato de microscópios e lentes. Pois é esse o ambiente de trabalho do professor – e violonista nas horas vagas – e onde ele desenvolveu várias pesquisas inéditas, que lhe renderam prêmios.


O mais famoso foi pela pesquisa com nanotubos de carbono, que o professor ganhou em outubro, em Omã (Oriente Médio), pela Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento (TWAS), que concede premiação anual a pesquisadores de todo o planeta que se destacam nas áreas de ciências agrárias, da terra, médica, biologia, química, engenharia e matemática, além da física. Ele também venceu outro prêmio no mesmo mês, concedido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), para valorizar estudos que gerem novas tecnologias. Tornou-se, com tantas láureas, o professor mais premiado da UFMG em 2014. “O país, para ser forte econômica e socialmente, tem de investir na ciência básica de qualidade”, diz o físico.


Pimenta começou a estudar o nanotubo de carbono em 1998. Trata-se de um tubo formado por átomos de carbono cujo diâmetro é 100 mil vezes mais fino do que um fio de cabelo. A aplicação dos nanotubos em materiais como plásticos, colas, resinas, cerâmicas, tecidos e fibras pode resultar em produtos mais resistentes à ruptura. Além disso, o material aumenta a condução de eletricidade ou calor desses produtos.


A Petrobras, o BNDES e a empresa InterCement (grupo Camargo Corrêa) abraçaram o projeto e vão financiar a construção do prédio do Centro de Tecnologia em Nanotubos de Carbono (CT-Nanotubos), coordenado por Pimenta, que já funciona provisoriamente no parque tecnológico de Belo Horizonte (BHTec). As obras começarão no início de 2015, com investimento inicial de R$ 36 milhões, entre construção, contratação de pessoal e compra de equipamentos.


Marcos Pimenta, contudo, não estará aqui para ver a colocação dos primeiros alicerces da nova sede do CT-Nanotubos. Ele embarca em janeiro para Nova York, onde ficará um ano dedicando-se aos estudos de pós-doutorado, na Universidade de Columbia. Além dos livros, levará na bagagem seu violão. “A música ajuda a descansar a cabeça”, diz. “A física é árida, trabalha com questões abstratas. A música faz um contraponto. Lida com a emoção e ajuda a humanizar a pesquisa científica.”


Pimenta é também um estudioso da matemática e gosta de citar o sábio grego Pitágoras, para quem o universo está governado pelos números. Para Pimenta, a música, a física e a matemática estão absolutamente interligadas.


“Mudar de um tom a outro, na música, é como a transposição do pensamento matemático”, diz. Entendeu? Não se preocupe. Basta ir, na próxima quinta, ao Bar do Pedro, que ao ver o professor Pimenta interpretar o chorinho Brasileirinho, do compositor Waldir Azevedo, tudo ficará claríssimo, e a física soará como música aos seus ouvidos.

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