Com a bênção de Dilma

Eleito em primeiro turno, o novo governador de MG tem a seu favor a ligação com a presidente. É o trunfo para fazer andar obras fundamentais, mas que dependem de Brasília

por Geórgea Choucair , por André Lamounier 05/01/2015 17:44

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Cláudio Cunha
O governador vai priorizar as áreas de saúde, educação e segurança pública: "A transição está acontecendo como o previsto" (foto: Cláudio Cunha)
Ele costuma falar de maneira pausada e abusa da didática, sempre com números e fundamentos. Quem conversa com o governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel, tem a sensação de que está diante de alguém da academia. E está. Ele é professor de economia da UFMG (está licenciado). Quem o conhece ressalta a clareza de raciocínio e concisão na comunicação. De fala e gestos polidos, costuma ser convicente.


Talvez isso explique, em parte, os 52,9% dos votos válidos (5,3 milhões) que obteve no primeiro turno em Minas. A seu favor, conta ainda a experiência em gestão pública – foi secretário da Fazenda e depois prefeito de BH por duas gestões, entre 2001 e 2008 – e o apoio da presidente, Dilma Rousseff, amiga pessoal desde os tempos de movimento estudantil em Minas. “Temos amizade de mais de 40 anos”, diz Pimentel sobre ela. “Vamos fazer o possível para uma Minas Gerais mais próspera.”


Pimentel iniciou sua vida política participando de movimentos estudantis e sindicais. Foi preso durante a ditadura militar, em 1970, no Rio Grande do Sul, onde sofreu tortura e foi mantido em isolamento por nove meses. Voltou a Minas no ano seguinte, transferido para presídio destinado a presos políticos, em Juiz de Fora. Em 1973, solto em liberdade condicional, pôde voltar a estudar, ingressando, dois anos depois, na Faculdade de Economia da PUC Minas. No período, trabalhava durante o dia na loja de couros do pai, a Belorizonte Couros, e estudava à noite. Em 1978, foi aprovado em concurso da UFMG e assumiu o cargo de professor assistente. No final da década de 1970, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT).


No governo de Minas, as primeiras ações serão nas áreas de saúde, educação e segurança pública, garante ele. “A transição está acontecendo como o previsto. Novas definições serão feitas depois da conclusão dos trabalhos da equipe”, diz. O novo governador está confiante. Acredita que vai deslanchar as obras do metrô e do Anel Rodoviário, que dependem de verba da União. “Os recursos do governo federal para essas duas obras estão disponíveis. Os projetos para a execução é que demoraram a ficar prontos”, diz.


Passadas as eleições, ele tem dedicado mais tempo a dois hobbies: ler e ir ao cinema, acompanhado da segunda mulher, a jornalista Carolina Oliveira, que foi sua assessora de imprensa no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, de 2011 até abril de 2014 (época em que Pimentel foi ministro). Além de dedicar-se mais ao entretenimento, ele tem tido mais tempo para os dois filhos gêmeos, Irene e Matias, do primeiro casamento, com a professora Thaís Pimentel.


A eleição de Fernando Pimentel para governar Minas pode significar a inauguração de novo período de prosperidade para o estado. Se obras importantes não foram executadas por falta de projetos ou de dinheiro, não importa mais. Isso agora faz parte do passado. Há muitos anos Minas Gerais não era governada por grupo político tão alinhado com Brasília. A missão agora é transformar o bom relacionamento em dividendos para os mineiros. Sucesso, governador!

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