Mineiro "come-quieto"

Respeitado pela torcida e jogadores, ele conquistou feitos históricos no comando do Cruzeiro. Em 2014, levantou, de novo, a taça do Campeonato Brasileiro e sagrou-se o técnico com melhor desempenho na história do time

por Geórgea Choucair , por André Lamounier 05/01/2015 18:17

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Samuel Gê/Encontro
Marcelo Oliveira garante que não tem time do coração: "Honro a camisa que estou vestindo" (foto: Samuel Gê/Encontro)
Há quase dois anos, a torcida celeste torceu o nariz para ele e chegou a se revoltar contra a sua contratação. Hoje, a história é outra. É saudado nas ruas, dá autógrafos e a torcida organizada China Azul grita o seu nome como o faz com os grandes ídolos cruzeirenses. Marcelo Oliveira, técnico do Cruzeiro, deixou para trás a desconfiança da torcida, que era motivada pela história do treinador com a camisa do arquirrival Atlético, quando ainda era jogador. “Eu não recuei na época porque não havia contestação ao profissional. Era uma questão de rivalidade”, diz Marcelo Oliveira. “Não havia nada em relação à competência, à seriedade.”

Oliveira é, atualmente, o técnico que está há mais tempo na mesma equipe de futebol brasileira – em janeiro, completa dois anos no comando do Cruzeiro – e acaba de renovar o vínculo com o time por mais um ano. Em 2014, conquistou o segundo título consecutivo do Campeonato Brasileiro e entrou para o seleto grupo dos técnicos bicampeões. Garantiu ao time celeste não apenas o tetracampeonato nacional, como também o recorde histórico de 80 pontos num só campeonato. Não bastasse isso, Marcelo Oliveira está longe, muito longe do perfil de técnico polêmico, falastrão. Ele é sereno, educado e comedido nas palavras.

Levou pelo segundo ano consecutivo o troféu da CBF de melhor treinador do campeonato. Ex-jogador e técnico experiente – já atuou em vários times como Atlético-MG, Botafogo e Vasco –, faz sérias críticas à cultura de troca-troca de técnicos no futebol. “Atrapalha. Não dá para formar time com três treinadores ao longo do ano. Fica sem filosofia, sem base de trabalho”, diz. “O técnico não deveria ser tão exaltado quando se conquista título nem tão massacrado quando se perde.”

Foi com fala mansa – porém firme – que Oliveira conquistou não só o elenco cruzeirense, como também os torcedores. É tido como “paizão” dos atletas da Raposa, dando, inclusive, conselhos de como administrar os ganhos. “Quando eu parei de jogar, tinha bom patrimônio, suficiente para viver bem”, diz. Para os jogadores, ele indica: “O melhor investimento são imóveis”, diz. “O atleta não tem tempo para se envolver em aplicações.”

Como jogador, Oliveira atuou dos 17 aos 30 anos. No Galo, chegou em 1969 e foi lançado na equipe profissional três anos depois, pelo técnico Telê Santana, seu grande mestre. “O Telê me ensinou muito”, afirma. “Ele tinha muita seriedade.” A carreira de Oliveira tem sido marcada pela união dos grupos com os quais trabalha. “Tenho essa qualidade”, diz. “Mas exijo absoluto profissionalismo.” Sobre as concentrações, Oliveira é contra seu fim. Admite reduzir o tempo, mas acredita que a concentração é importante para a alimentação do atleta e a manutenção do foco nas atividades esportivas.

Outro feito histórico que conquistou é o de técnico com melhor desempenho na história do Cruzeiro. De 139 jogos realizados, teve 72,66% de aproveitamento. Time do coração? Ele jura que não tem. “Honro a camisa que estou vestindo”, diz. A camisa de Marcelo Oliveira hoje é azul, com quatro estrelas do Brasileirão, o que o faz sonhar de novo. Ele entra em sua terceira temporada no clube determinado a conquistar o título da Libertadores. Conhecendo seu histórico de vitórias, o juízo manda não subestimar esse “mineirinho-come-quieto”.

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