Elétrico e confiante

Ele está à frente da equipe que desenvolveu, em 2014, o painel solar orgânico, tecnologia que promete revolucionar a captação de energia e que já despertou interesse de parceiros mundiais

por Geórgea Choucair , por André Lamounier 05/01/2015 18:33

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Samuel Gê/Encontro
O engenheiro Tiago Alves trabalha mais de 70 horas por semana: "Quando meus filhos crescerem, eles saberão entender" (foto: Samuel Gê/Encontro)
“Hi, guys, o que vocês estão fazendo aí dentro?”, pergunta o engenheiro Tiago Maranhão Alves, presidente do Centro Suíço de Eletrônica e Microssistemas (CSEM), empresa de tecnologia baseada no Brasil.

“Tentando ganhar o próximo Nobel”, responde, com sotaque carregado, o suíço Dominik Peterer, trainee internacional da empresa. “Eu quero fazer parte dele, hein?”, diz Alves. O tom não era de brincadeira. Alves e sua equipe são competitivos e ambiciosos.

Na sede da empresa, instalada no parque tecnológico do Senai-Cetec, no bairro Horto, na capital, o grupo de profissionais se debruça em pesquisas que podem colocar o Brasil na vanguarda da produção de eletricidade sustentável: trata-se da tecnologia fotovoltaica orgânica (OPV), sigla em inglês que se refere a uma película plástica, fina e transparente capaz de captar a energia solar.

O time da CSEM, comandado pelo engenheiro Tiago Alves, conseguiu, em 2014, viabilizar economicamente a tecnologia junto a três parceiros mundiais nas áreas automotiva, hidrelétrica e de telhados industriais. A pesquisa do painel solar orgânico começou a ser desenvolvida em 2007 e em breve poderá ser vista em vidros, janelas de residências, fachadas de prédios, automóveis, celulares, telhados e localidades remotas. “O mundo terá de usar energia solar como principal combustível”, diz Alves. “Porque a nossa tecnologia tornará isso acessível.”

A tecnologia do painel solar está sendo desenvolvida por profissionais de 13 nacionalidades. São quenianos, italianos, americanos, ingleses, entre outros. Diversidade que se torna visível na sala de produção da empresa, onde é possível ver químicos, engenheiros e até um músico trabalhando lado a lado. “A ciência, a tecnologia, a engenharia e a arte devem coexistir para o ambiente ser mais criativo”, diz Alves.

À frente desse time eclético, o engenheiro garante que trabalha mais de 70 horas por semana. De tão agitado, usa relógio para controlar suas horas de sono. “Estou trabalhando muito e preciso do acessório para dormir com qualidade”, afirma.

De fato, quem conversa com o executivo sai com a certeza de se tratar de perfil inquieto e absolutamente dinâmico. Antes de assumir a CSEM, trabalhou, por exemplo, nos EUA e Inglaterra. Há cinco anos, desembarcou na capital mineira para assumir a empresa. Os investimentos no projeto somam R$ 70 milhões, parte de fundo de investimento brasileiro e outra parte do BNDES.

As poucas horas de folga de que dispõe, Alves dedica aos dois filhos. “Nós temos chance de fazer a diferença. Quando meus filhos crescerem, eles saberão entender”, diz. Ele também gosta de citar Albert Einstein, o mais célebre cientista do século 20, conhecido pela Teoria da Relatividade. “Você sabia que ele ganhou seu primeiro Nobel, em 1921, com a explicação do efeito fotovoltaico, que transforma luz em eletricidade?”, pergunta Alves. Por aí, vê-se o grau de agitação – e autoconfiança – do engenheiro pernambucano.

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