A vez dos lumbersexuais

O estilo "lenhador", com barba espessa, camisa xadrez e botas de couro, que começou nos EUA, está se popularizando também por aqui. A tendência traz a masculinidade à tona

por Marina Dias 12/01/2015 18:33

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Thiago Caetano/Encontro
O tatuador Frederico Rabelo gosta de se expressar por meio da moda: "Quanto mais você se conhece, mais seu estilo se afirma" (foto: Thiago Caetano/Encontro)
Você já pode ter visto por aí um barbudão que usa camisa xadrez, bota, calça jeans e mochila: muito despojado, mas dentro das tendências. Um “lenhador estiloso”, digamos assim. Nos Estados Unidos e na Europa, esse cara, que passa uma imagem mais viril, largada, mas que tem estilo e mostra sua personalidade por meio da moda, já está em todo lugar. No Brasil, também começa a aparecer. Segundo especialistas em moda e comportamento, a tendência tem sido um contraponto ao metrossexual – homem muito envolvido com beleza e estética, com o cabelo sempre arrumado e a barba benfeita – que andou em alta há alguns anos. Talvez por isso, a denominação do novo estilo seja lumbersexual – é a junção da palavra de origem inglesa lumberjack (lenhador) e sexual.

Cláudio Cunha
O diretor de criação e desenvolvimento Leandro Matos: "Com certeza esse estilo faz mais sucesso entre as mulheres do que o metrossexual" (foto: Cláudio Cunha)


Não é coincidência que esses lenhadores modernos tenham surgido num momento em que barbas estejam em alta. E não apenas as curtas e aparadas, mas barbonas mesmo, cheias e longas. Aliadas a roupas que lembram atividades ao ar livre, como botas de trekking, mochilas de acampamento, gorros de tricô – apesar de os lumbersexuais serem basicamente urbanos –, essa tendência traz à tona a masculinidade combinada ao estilo. Segundo o stylist Marcelo Brasiliense, o lumbersexual é a união entre os homens que decidiram deixar a barba crescer e aqueles que sempre tiveram uma preocupação estética em se vestir. “Esse novo estilo é o resultado de uma sociedade mais madura, em que o homem pode expressar maior liberdade estética sem perder a masculinidade”, diz Marcelo.

E já se foi essa história de homens terem vergonha de acompanhar tendências e definir seu estilo. O pintor e tatuador Frederico Rabelo, de 24 anos, gosta de uma bota de couro, um tricô mais pesado e calça jeans. E, claro, de sua barba, que mantém há cerca de três anos, depois que deixou crescer uma vez e achou que ficava bem. “Acredito que a roupa é uma eficaz comunicadora. Se alguém acompanha tendências, se faz valer a expressão individual da roupa, ou se nem se dá conta de nada disso, de qualquer forma, seu jeito vai transparecer em como se veste”, diz. “A moda é uma linguagem potente de expressão. Quanto mais você se conhece, mais seu estilo se afirma.”

Cláudio Cunha
O empresário Marcelo Diogo usa barba há 20 anos e é adepto do estilo mais desleixado: "Sempre fui assim. Agora a moda me pegou" (foto: Cláudio Cunha)


Como todo estilo, a tendência lumbersexual também se adapta ao gosto de cada um, e daí surgem ainda mais possibilidades. Há aqueles que se aproximam mais do estilo rockeiro (com tatuagens, jaqueta de couro, bota preta), os que são mais hipsters (blusas com estampas ou xadrez, óculos de armação grossa, roupas vintage), os mais folk (blusas de lã estampadas, gorro), etc. As opções são inúmeras.

O diretor de criação e desenvolvimento Leandro Matos, de 25 anos, é mestre em misturar looks e propostas de moda. “Sempre uso o que gosto, dentro da tendência”, diz ele, que também é produtor de eventos. “Tenho jaquetas de couro, botas, gosto do estilo despojado, esporte. Já a camisa xadrez, que é bem característica do lenhador, até tenho e usei bastante, mas hoje não uso tanto”, diz. Ele também gosta muito do streetwear, outra referência forte, mas a barba grande não deixa enganar: há um quê de lenhador ali, sim. “Achava que a barba não iria fazer sucesso, mas minha namorada adorou, e outras pessoas também comentaram que gostaram. Com certeza, esse estilo lenhador faz mais sucesso entre as mulheres que o metrossexual”, diz. A namorada, a advogada Isabela Greco, de 27 anos, concorda. “Acho que a tendência tem feito sucesso, as mulheres estão prestando mais atenção nesse estilo agora. Mas tudo depende do gosto de cada um”, diz.

Editoria de Arte
(foto: Editoria de Arte)


É claro que o homem barbudo, com aspecto mais largado, sempre existiu. Contudo, ele andou um pouco em baixa com a onda dos metrossexuais. Assim, a moda também pegou quem sempre teve essa referência, muito antes de ela se tornar o estilo do momento. É o caso do empresário Marcelo Diogo, de 37 anos, que, só no quesito “barba”, já tem duas décadas de experiência. “Esse estilo é algo que está em vigor agora. Todos os ciclos de tendência são assim: um dia a moda te pega”, brinca. “Sempre existiu o cara que não liga para essas coisas, que não faz a sobrancelha, deixa a barba sem ser feita. É só deixá-la crescer e pronto. Mas aí, quando está na moda, o estilo passa a envolver produção: as pessoas querem cuidar da aparência para que fique desleixada, cuidar da barba para que fique grande”, diz.

Amante de motocicletas, Marcelo diz que seu estilo varia de acordo com a ocasião, podendo ir do motoqueiro até o formal, quando necessário. “Tenho estilo por situações, como o trabalho, que requer algo mais social, e o lazer, que é andar de moto. E sempre busco uma coisa diferente do modismo e do que todo mundo está usando”, explica.

Agora é esperar para ver como os lenhadores vão lidar com o auge do verão brasileiro. Botas, flanelas, tricôs e barbas enormes talvez não fiquem confortáveis no calor de 40 graus. O jeito é adaptar, segundo o stylist Marcelo Brasiliense. “Penso que os lumbersexuais deverão fazer ajustes ao estilo. A camisa xadrez de flanela pode ser substituída por uma de algodão de manga curta, as calças por bermudas e a bota, por um chinelo ou sandália. Em se tratando de estilo e de vanguarda, nada tem regras.”

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