Fungo que ataca cães e gatos pode afetar seres humanos

Pouco conhecida da população, esporotricose pode provocar lesões graves em animais, principalmente gatos - e também contaminar pessoas. A boa notícia é que tem tratamento eficiente

por Daniela Costa 15/01/2015 17:43

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JC Martins/Encontro
Após três meses tratando o gato Nestor, a veterinária Ericka Homam Delayte comemora o bom resultado: "Quando é feito a tempo, o tratamento evolui bastante. Em breve, Nestor terá alta" (foto: JC Martins/Encontro)
Há quatro meses, quando a gata Valentina foi resgatada das ruas, grande parte de sua cauda, bastante machucada, teve de ser amputada. Quando o problema parecia resolvido, surgiu uma pequena ferida na área restante - e que não cicatrizava. Foi uma luta - e uma supresa. "Após a realização de alguns exames, o diagnóstico foi esporotricose. A notícia realmente me deixou preocupada, pois pode até matar o animal. Contudo, já no primeiro mês de tratamento, ela apresentou uma grande melhora e hoje está curada", conta, aliviada, a funcionária pública Mailce Mendes, de 52 anos, responsável pelo resgate de Valentina. Sapeca, a gata tornou-se companheira fiel de Mailce. Mas, afinal, que doença é essa?

Samuel Gê/Encontro
Resgatada das ruas, a gata Valentina apresentava uma ferida que não cicatrizava: "Mas já no primeiro mês de tratamento ela apresentou melhora surpreendente e hoje está curada", diz a funcionária pública Mailce Mendes (foto: Samuel Gê/Encontro)
Pouco conhecida, a esporotricose é provocada pelo fungo Sporotrix schenckii e acomete principalmente gatos, apesar de outros animais, entre eles cães e roedores, também poderem ser contaminados. Mas atenção: comum na região Sudeste, especialmente no Rio de Janeiro e São Paulo, é tida como uma zoonose - ou seja, pode ser transmitida dos animais para os seres humanos. "O fungo vive em locais como vegetais, solo, galhos de árvores, farpas de madeira e restos orgânicos e predomina em países tropicais, embora seja encontrado em todo o mundo", explica a veterinária Márcia Moller, da clínica Clivet. De difícil controle e extremamente contagioso, as principais fontes de contaminação são arranhadura e mordidas de animais e inoculação por farpas de madeira e espinhos - o que explica o fato de jardineiros, pedreiros, fazendeiros e empregados rurais integrarem o grupo de risco. "O contágio pode acontecer independentemente da existência de animais no local, por meio do contato direto com o fungo existente na vegetação. Por isso, é importante sempre utilizar equipamentos de proteção como luvas e botas", explica o médico Bernardo Gontijo, professor de dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Os sintomas em humanos e animais são semelhantes e se caracterizam pela presença de lesões nodulares nas extremidades do corpo - mais especificamente, na cabeça e mãos nas pessoas, e patas e caudas nos animais. No entanto, apesar da gravidade, a doença tem tratamento e cura efetiva em ambos os casos. "O diagnóstico definitivo só pode ser obtido por meio da identificação do fungo em cultura de material obtido das lesões cutâneas. Já a duração do tratamento vai depender de cada caso, levando em média de quatro a seis semanas em humanos", diz Bernardo. Nos animais, um dos grandes problemas do fungo é ter os sintomas confundidos com feridas causadas por brigas entre gatos. Entretanto, em vez de cicatrizarem, os caroços se transformam em úlceras e o animal começa a apresentar falta de apetite, febre e prostração, podendo morrer.

"Como o fungo atinge até mesmo os animais vacinados, é fundamental procurar ajuda profissional já nos primeiros sintomas, quando o êxito do tratamento é muito maior", diz Ericka Homam Delayte, dermatologista veterinária. Quando iniciou o tratamento do gato Nestor, ele já estava com todas as patas comprometidas pela doença. Três meses depois, o bichano apresenta apenas uma pequena lesão em um dos membros. "Quando é feito a tempo e da maneira correta, o tratamento evolui bastante. Em breve, o Nestor terá alta", diz Ericka. Os apaixonados por gatos agradecem.

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