Engenheiro mineiro já trabalhou em 15 países e conheceu 55

Conheça Paulo Saliba, que fundou até uma vila na floresta amazônica e, hoje, divide seu tempo entre Brasil, Portugal e Equador

por Marina Dias 28/01/2015 11:44

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João Carlos Martins/Encontro
O espírito aventureiro sempre foi característica do engenheiro e empresário Paulo Saliba: "Trabalhei com pessoas muito boas. Mas as que achei mais honestas foram as portuguesas" (foto: João Carlos Martins/Encontro)
Não foi fácil conseguir um tempo para conversar com o engenheiro e empresário Paulo Saliba. Entre o segundo e terceiro encontros para a matéria, passou-se mais de um mês. Sempre simpático, ao explicar sua agenda cheia, via e-mail, deixa transparecer um pouco de sua rotina nos últimos 50 de seus 72 anos: “Estava no Equador, visitando minha filha; depois, estive na Suíça e agora estou em Portugal. Fico em BH por alguns dias, antes de seguir para os EUA, onde vou visitar meu neto em Michagan. Podemos conversar nesse ínterim”, disse, em uma das mensagens.

Quem não sabe da vida globalizada de Paulo pode se assustar com o que mais parece a lista de viagens de toda uma vida do que compromissos de um mês. Hoje cidadão português, Paulo divide seu tempo entre BH e Lisboa e tem apartamentos também em Quito (Equador),  em Orlando (EUA) e no Rio de Janeiro. Recentemente, vendeu seus imóveis em Paris (França), Madri (Espanha) e  Manaus.

Mas quem o conhece já não vê nada de atípico nisso. Os amigos sabem que Paulo Saliba é um cidadão do mundo. A começar pelo fato de que tem raízes longínquas: o bisavô de seu avô, Emir Bashir Chehab II, foi príncipe no Líbano (lugar que, claro, visitou, para conhecer seu passado nobre). Já Paulo é nascido e criado em BH, mas, sempre curioso e aventureiro, não perdeu oportunidades e, logo cedo, foi ganhar o mundo.

O primeiro passo para além das fronteiras nacionais foi como escoteiro, aos 16 anos, em 1957. Foi, com outros colegas, representar o Brasil em um acampamento com mais de 30 mil escoteiros, no interior da Inglaterra. De tão marcante, a experiência o incitou a viajar e conhecer mais e mais do mundo. “Foi um choque ver modernidades que não tínhamos”, conta. Desde então, não parou mais de viajar.

Floresta

Mas não só outros países lhe interessavam e, quando teve oportunidade de ir para a Amazônia pela empresa em que trabalhava, a Andrade Gutierrez, topou na hora. Mudou-se para lá com sua mulher, em 1971. “Ainda nem havia água tratada – era bombeada do rio Negro”, lembra-se. De lá, foi enviado para Cachoeira Porteira, no meio da floresta amazônica, onde ajudou a fundar uma vila. A mulher de Paulo, Maria Aparecida, que abandonou a carreira de psicóloga para acompanhar o marido em suas peregrinações e com quem ele é casado há 50 anos, diz que esse foi o melhor momento da vida deles: “Vivíamos em plena selva, era o paraíso”, diz ela.

Enquanto trabalhava no Norte do país,  em 1979, conheceu Miami e Orlando, nos EUA, onde a Disney World havia sido inaugurada oito anos antes. “Achei que era lugar para educar os filhos”, diz. De tão empolgado, acabou comprando um apartamento em Orlando, anos depois, mandou os filhos para estudar no país e, hoje, um neto está lá.

Samuel Gê/Reprodução
Paulo Saliba com o ex-presidente do Equador Sixto Duran Ballén e a ex-primeira dama Josefina Ballén, amigos que cultivou em suas viagens (foto: Samuel Gê/Reprodução )


Em  1985, Paulo foi convidado pela Andrade Gutierrez para ir para o Equador, onde construiu estrada para bordear a fronteira com o Peru e se tornou diretor para América do Sul da empresa.

O engenheiro é valorizador de grandes amizades e mantém, até hoje, relação com muitas pessoas que conheceu  no Equador, inclusive personalidades políticas do país. “Digo sempre que a melhor ‘malandragem’ que se tem na vida é ser honesto. Por essa característica, aprenderam a confiar em mim e cultivei muitos amigos”, conta.

Um desses amigos é o ex-presidente do Equador e ex-prefeito de Quito Sixto Durán Ballén, hoje com 93 anos. “Paulo era um funcionário muito correto, raro, e tem muitas amizades aqui no país”, diz Sixto Balém, arquiteto por formação, com quem Paulo ainda se encontra quando vai visitar sua filha Telma, que mora no país.

A opinião é compartilhada pelo também amigo da época Alfredo Burneo-Burneo, ex-ministro equatoriano. “Como profissional, ele é  muito correto em toda a sua atuação. Como pessoa, é um  homem elegante e amigo”, diz.

Modesto quanto à vida de viajante, Paulo acha que o principal desafio, na época em que começou, era o medo de se deparar com o desconhecido. “Hoje isso é mais tranquilo, o mundo ficou pequeno para nós.” Pelo visto, sossegar em um só lugar é algo que não faz parte dos seus planos.

Colaborou: Marina Santos

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