Trocar a ração tradicional por comida faz bem para os cães?

No lugar da ração, carne, ossos, além de frutas e legumes. Esse tipo de dieta é comum na Europa e nos EUA, e começa a ser adotada por aqui, com aprovação de veterinários

por Daniela Costa 27/03/2015 09:41

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Samuel Gê/Encontro
Alimentos crus aliados à suplementação foram a opção da bióloga e terapeuta canina Liana Rizel Hieloch para seus pets: "Eles se adaptaram muito bem à dieta" (foto: Samuel Gê/Encontro)
Há dois anos e meio, quando a blogueira Letícia Lara, de 25 anos, adotou a cadela Belinha, ainda filhote, deparou-se com um problema. A cachorrinha, sem raça definida, não aceitava nenhum tipo de ração e, quando comia, passava mal. “Alguns veterinários chegaram a me dizer que a solução seria deixá-la sem se alimentar até sentir fome”, diz Letícia. Inconformada, decidiu pesquisar sobre o assunto e procurar alternativas de alimentação. Foi quando descobriu que o organismo de Belinha tinha intolerância a alguns componentes da ração, ao mesmo tempo que conheceu mais sobre a alimentação natural. “Desde que adotei a dieta cozida, a Belinha não teve mais problemas e é saudável. Seus irmãos Nina e Fluke, adotados depois, nunca experimentaram ração”, diz.

Comum na Europa e Estados Unidos, a alimentação natural para os pets tem sido alvo de estudos. Uma das mais populares é a Dieta BARF, criada em 1980 pelo veterinário australiano Ian Billighurst com o objetivo de imitar a dieta natural dos lobos. Ao longo dos anos, esse tipo de alimentação foi sendo melhor elaborada lá fora, mas, no Brasil, o assunto é pouco divulgado e gera polêmicas. “Muitas pessoas acreditam que dar restos de comida ao animal é o mesmo que aderir à alimentação natural, o que é um grande erro. A  dieta correta é baseada em conhecimentos anatômicos, nutricionais e fisiológicos de cada animal e requer comprometimento dos proprietários”, diz o veterinário Artur Vasconcelos, do Hospital Veterinário da UFMG.

Samuel Gê/Encontro
O adestrador Augusto Lavinas alimentou seus cães com ração, até observar que um deles estava a cada dia mais obeso: "Com a alimentação natural, todos estão bem mais ativos e saudáveis" (foto: Samuel Gê/Encontro)


Rica em ingredientes de fácil digestão, esse tipo de dieta consiste no consumo de alimentos frescos e variados, entre eles, carnes, ossos, vísceras, ovos e peixes, com inclusão ou não de verduras, legumes, frutas e sementes. “O objetivo é oferecer nutrientes que maximizem o metabolismo do animal sem comprometer sua saúde, evitando, assim, o consumo de conservantes, substâncias sintéticas e compostos tóxicos oriundos dos alimentos processados”, diz Artur. Em alguns casos, suplementos manipulados também são utilizados. “Eles oferecem nutrientes essenciais que podem faltar na dieta indicada. Nos casos em que se opta pela alimentação crua ou cozida sem ossos, por exemplo, há necessidade de suplementação de cálcio para equilibrá-la”, diz  Mariana Cunha, veterinária da DrogaVET-BH.

Editoria de Arte
(foto: Editoria de Arte)
Segundo os especialistas, a dieta rica em proteínas e gorduras melhora a condição corporal dos animais e evita o surgimento de doenças metabólicas, como obesidade e diabetes, além de potencializar o funcionamento do intestino, resultando em fezes com menos odor e volume. A pelagem fica mais viçosa e até mesmo aquele mau hálito costumeiro tende a acabar. “É uma dieta anti-inflamatória, que inclui diversos alimentos funcionais extremamente benéficos ao organismo”, explica a veterinária homeopata Carmen Rocca.

A bióloga e terapeuta canina Liana Rizel Hieloch, de 26 anos, adotou a dieta crua aliada à suplementação para seus dois cães da raça Kuvasz, Logan e Maya. “Antes pesquisei muito, e assim que eles chegaram já entrei com a alimentação natural. Criamos uma dieta prática baseada em variados tipos de carnes. Eles se adaptaram muito bem à dieta”, diz Liana.

Por muito tempo, o adestrador de cães Augusto Lavinas, de 31 anos, alimentou seus três cães – Peter e Wendy, border collies, e Sininho sem raça definida – apenas com ração, até observar que, apesar de comer pouco, um dos cães estava cada dia mais obeso. “Tentei várias opções e nada diminuía o peso. Então, comecei a procurar por alternativas e passei a dar carnes, vegetais e suplementos, tudo balanceado. Hoje todos estão bem mais ativos e saudáveis”, diz Augusto.

A veterinária Sylvia Angélico, fundadora do site Cachorro Verde,  explica que, seguindo as orientações de um profissional, é totalmente seguro substituir a ração dos pets por uma dieta caseira fresca, nutritiva e saborosa. “A alimentação natural contém ótimos níveis de proteína animal, gorduras saudáveis na medida certa e carboidratos não inflamatórios de baixo índice glicêmico”. Uma forma ainda mais saudável de cuidar do seu xodó.

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