Para onde seguir?

Placas mal posicionadas e ausência de sinalização em corredores importantes da capital mineira geram dúvidas nos motoristas. Principal motivo são obras viárias ainda não concluídas. Conheça alguns pontos críticos

por Rafael Campos - Encontro BH 13/04/2015 13:34

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Samuel Gê/Encontro
Avenida Santa Rosa: Placa indica a possibilidade de virar à esquerda (UFMG e centro), mas a via está fechada, obrigando o motorista a virar à direita na Antônio Carlos. A BHTrans informou que providenciará o ajuste (foto: Samuel Gê/Encontro)
Responda rápido: você consegue dirigir por toda a Belo Horizonte sem usar aplicativos de celular ou GPS? Se a resposta for "não”, fique tranquilo. Você não é o único. Importantes corredores da capital mineira oferecem certas pegadinhas mesmo para o belo-horizontino que diz conhecer a cidade como a palma das mãos. Nesta edição, Encontro circulou pelas ruas da capital e localizou alguns dos lugares que geram dúvidas, especialmente em razão de placas mal posicionadas ou até que precisariam existir, mas não estão lá. Não fique surpreso se encontrar por aí algum motorista fazendo "uni duni tê” para escolher por onde seguir.

Um exemplo é a barragem da Pampulha - encontro das avenidas Antônio Carlos e Pedro I - para alcançar o lado norte da cidade. Em 2013, foi erguido o viaduto Oscar Niemeyer, obra motivada pela construção da estação Move Pampulha. Nas proximidades desse elevado, falta sinalização indicando a que destino leva o viaduto (e, portanto, se o motorista deve continuar na Antônio Carlos ou entrar na nova via para chegar a seu destino). Como o movimento da avenida não permite tempo para pensar, na dúvida, muitos condutores acabam seguindo pelo caminho errado. Se o condutor escolheu entrar no viaduto (que leva à avenida Portugal), encontra outro problema: só há uma placa no local, que indica os bairros Itapoã, Planalto e São Bernardo - para chegar a esses lugares, o motorista deve ficar à direita. Contudo, não há indicação de qual é o destino de quem ficar na pista da esquerda no viaduto (que, no caso, leva ao Santa Amélia e ao retorno para o centro).  Ou seja: tudo muito confuso.

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Barragem da Pampulha: Há placas indicativas da avenida Pedro I e de bairros da região e da igreja São Francisco e Zoológico. Entretanto, uma terceira possibilidade de caminho, que permite o retorno e o acesso ao bairro Santa Amélia, está sem placa. Segundo a BHTrans, as placas definitivas ainda não passaram pela revisão final (foto: Samuel Gê/Encontro)
A região da Pampulha traz também outra pegadinha. A avenida Santa Rosa, que sai do aeroporto da Pampulha e  dá acesso à avenida Antônio Carlos, está com bloqueio desde o ano passado exatamente no cruzamento das avenidas. Assim, o motorista não consegue pegar a Antônio Carlos e é obrigado a seguir no sentido barragem da Pampulha. Apesar disso, a placa ainda indica a possibilidade de escolher o sentido centro. Dessa forma, o motorista que desejar ir para essa direção ainda tem de rodar aproximadamente 1 km até a barragem para fazer o retorno - o que, como já falamos, não é tão óbvio assim.

Na avenida Pedro I, em frente ao parque Lagoa do Nado, um viaduto sem identificação também gera dúvidas. A poucos metros da estrutura, há uma placa indicando que deve ficar à esquerda quem deseja ir para os bairros São João Batista e Santa Mônica, além do hospital Dom Bosco. Entretanto, a posição da placa traz dúvidas sobre se a informação diz respeito apenas ao viaduto ou também às faixas que passam ao lado dele. Além disso, a sinalização está parcialmente obstruída por galhos de árvore. Por isso, não são raros os casos em que os motoristas optam pelo viaduto em cima da hora, como flagrado por nossa reportagem. Mais à frente, mas ainda antes do elevado, outra sinalização indica a entrada do bairro Rio Branco à esquerda. Para vê-la, entretanto, o motorista já terá quase passado a entrada do viaduto, o que também o obriga a uma manobra arriscada: atravessar três faixas para chegar ao elevado. "Aqui é normal. Além de frentistas, somos também ponto de tira-dúvidas do trânsito”, diz Daygon de Lucas Laurentino, de 21 anos, que trabalha em um posto de combustíveis na avenida Pedro I.

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Avenida Pedro I: Na altura do parque Lagoa do Nado, há um viaduto ainda sem identificação. Há placa indicativa de bairro, mas a sinalização fica muito próxima do viaduto, sendo que a via que leva ao elevado também oferece outras opções de caminho. De acordo com a BHTrans, somente com o término das obras será feita a mudança das placas (foto: Samuel Gê/Encontro)
O analista de sistemas Robson Medeiros Gomes, de 40 anos, teve de recorrer à ajuda dos frentistas. "Não tenho costume de passar por aqui e não dá para chegar ao endereço apenas seguindo as placas”, afirma Robson, a caminho de encontrar um cliente, no bairro Santa Branca.

O taxista Anderson Tardieu Silva roda há quatro anos em BH, o bastante para entender como funciona a lógica do trânsito. "Um dos grandes problemas é que as placas são colocadas muito em cima, fazendo com que o motorista tenha de pensar rápido”, diz. O taxista até sugere que a categoria ajude a BHTrans, empresa que opera o trânsito da cidade, a levantar os pontos mais complicados da capital e a sugerir mudanças.

Outro lugar que requer atenção dos condutores é o complexo da Lagoinha. Quem sai da avenida do Contorno depara com três placas suspensas, que ficam lado a lado e indicam, respectivamente, centro, avenida Antônio Carlos e Pedro II. No entanto, de longe, tem-se a impressão de que todas vão para o mesmo lugar (para as pistas da esquerda, já que as da direita são exclusivas para ônibus) e só quando já está em cima da hora da escolha é que se percebe a necessidade de ficar em uma pista específica para seguir para cada região. O condutor tem de estar bem certo de seu destino e decidir rápido sobre qual faixa escolher, pois, do contrário, terá dor de cabeça. Em outro movimentado ponto da cidade, na BR-356, perto do BH Shopping, sentido Rio de Janeiro, há uma rua que serve de retorno à Savassi, contudo, não há placa que o indique. O uso da via evita que o motorista tenha de fazer o retorno no bairro Olhos D’Água, após a saída para o Anel Rodoviário.

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BR-356, altura do BH Shopping: Há uma via, no sentido Rio de Janeiro, que permite o retorno para o centro/Savassi. Porém, não há sinalização (foto: Samuel Gê/Encontro)
Para o consultor em transporte e trânsito Osias Baptista Neto, integrante do recém-criado Conselho de Mobilidade Urbana de BH, há luz no fim do túnel. Ele aponta algumas possíveis soluções que já são usadas em outras capitais brasileiras e no exterior. De acordo com o especialista, a vida dos motoristas da capital poderia ser bem mais fácil se as placas tivessem uma sequência nas vias. Outra sugestão é que as faixas sejam identificadas com números, que então seriam indicados nas placas. "É de suma importância uma estrutura de sinalização que tenha lógica e que seja clara. Quando se trata de trânsito, tudo deve ser mais pedagógico. O condutor tem de receber a informação e processá-la rapidamente”, diz. De acordo com a BHTrans, em 2014 foram instaladas 253 placas de sinalização indicativa e turística na cidade. Neste ano, diante das alterações na área central, está prevista a colocação de novas placas.

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