Convivência saudável

Já se foi o tempo em que estar grávida e ter animal de estimação era sinônimo de problema. Saiba quais são os cuidados para que gestantes e bebês possam conviver com os pets, sem riscos para a saúde

por Daniela Costa 16/04/2015 11:28

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Samuel Gê/Encontro
A advogada Viviane Ribeiro de Morais com a filha, Bruna, de 7 meses, e a shih-tzu Meggie: "Quando a Bruna nasceu, Meggie teve um pouco de ciúmes e roubava todos os seus bicos. Hoje não se afasta da bebê e a protege" (foto: Samuel Gê/Encontro)
Ela ainda não completou 1 ano de idade, mas aos 7 meses de vida a pequena Bruna Morais Scotti adora assistir ao desenho da Galinha Pintadinha tendo ao lado sua fiel companheira, a shih-tzu Meggie, de 4 anos. A parceria começou antes mesmo de Bruna nascer. A mãe, a advogada Viviane Ribeiro de Morais, conta que desde que soube da gravidez sempre manteve a cachorrinha próxima, acompanhando a gestação. “Quando a Bruna nasceu, Meggie teve um pouco de ciúmes e roubava todos os seus bicos. Era muito engraçado”, conta Viviane. “Hoje não se afasta da bebê e a protege.”

Diferentemente do que muitos pensam, a convivência entre gestantes e crianças com animais de estimação pode, sim, ser saudável. Pesquisa feita pelo Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo (USP) revelou que os pets beneficiam muito os bebês, aumentando sua imunidade contra doenças respiratórias e infecções. “Também ocorre a redução dos níveis de estresse e da incidência de doenças comuns, como dor de cabeça ou resfriado”, explica Lílian Mara Paim, médica pediatra, alergista e imunologista.

Samuel Gê/Encontro
Em contagem regressiva para a chegada da primeira filha, a veterinária Marcela Ortiz não abre mão do convívio com a pequinês Paris: "Para convivermos em harmonia com nossos pets, devemos ser cuidadosos em qualquer época de nossas vidas, especialmente com a higiene" (foto: Samuel Gê/Encontro)


A razão para que isso aconteça é simples. Ao ter contato direto com germes e bactérias vindos dos animais, o sistema imunológico da criança amadurece mais rápido. “Acariciar um cão pode elevar os níveis de imunoglobulina A, um anticorpo presente nas mucosas que evita a proliferação viral ou bacteriana, sendo importante na prevenção de várias patologias”, explica Carine Savalli Redígolo, pesquisadora da USP.Um dos medos recorrentes entre os pais é de os pelos causarem alergia aos filhos. Mas os especialistas afirmam o contrário.

“Crianças que convivem com os pets apresentam redução de rinites alérgicas e dermatites tópicas, devido à diminuição da imunoglobina E, um anticorpo que, quando em altas concentrações, sugere um processo alérgico”, diz Carine. No entanto, existe a possibilidade de desencadear crises alérgicas, o que também pode ser evitado com medidas preventivas.

Alexandre Rezende/Encontro
Grávida de três meses e meio, a veterinária Bárbara Peconick trabalha com animais há 15 anos e ainda convive todos os dias com o gato Chimino, mas não tem receio de contrair toxoplasmose: "Seguramente, o gato está longe de ser a principal fonte de transmissão da doença" (foto: Alexandre Rezende/Encontro)


Para garantir a saúde de gestantes e bebês que convivem com animais, outras medidas preventivas também devem ser adotadas. Uma delas é evitar o contato direto com a saliva dos pets e de humanos por no mínimo seis meses, período em que se completa o ciclo de vacinações. “A saliva, em geral, contém bactérias que podem contaminar o bebê”, diz a pediatra Lilian Paim. Uma polêmica recorrente gira em torno do risco de a grávida contrair toxoplasmose, doença infecciosa provocada por um protozoário que pode acometer o feto ainda no útero e desencadear graves consequências. Apesar de o gato ser considerado o grande vilão da história, a ingestão de alimentos contaminados, em especial carnes cruas e malpassadas, além de vegetais que abriguem os cistos do toxoplasma, oferece um risco bem maior.

“Existe um mito sobre gatos e toxoplasmose, mas o que poucos sabem é que, para se contaminar por meio das fezes do gato, a grávida teria de ingerir o oocisto (ovos) das fezes, que só se tornam infectantes da doença depois de estarem por no mínimo 24 horas expostas ao meio ambiente”, diz a veterinária Bárbara Peconick. Segunda ela, apenas 1% dos gatinhos transmitem a doença, e somente no período de uma semana durante todo o seu ciclo de vida. “Por isso, seguramente, o gato está longe de ser a principal fonte de transmissão da doença”, diz.

Grávida de três meses e meio, Bárbara Peconick trabalha com gatos há 15 anos e em seus exames regulares nunca constou presença da toxoplasmose.  Além dos seus pacientes, tem a presença diária da gata Agata Cristy, sem raça definida, de 13 anos, e de Chimino, de 10 anos. “Sempre sugiro às grávidas que têm gatos que, em caso de dúvidas, façam o exame no animal para confirmar a presença ou não do protozoário, o que evita sofrimento desnecessário”, diz.

A veterinária Marcela Ortiz, também grávida, de seis meses, destaca que as doenças que gestantes podem contrair são as mesmas zoonoses a que qualquer outra pessoa está sujeita. “Por isso, para convivermos em harmonia com nossos pets, devemos ser cuidadosos em qualquer época de nossas vidas, especialmente com a higiene.” Em contagem regressiva para a chegada da primeira filha, Marcela conta com o carinho e a dedicação da pequinês Paris, de 4 anos. “Costumo dizer que vou ganhar uma filha e a Paris vai ter sua primeira irmãzinha. Somos uma família completa”, diz Marcela.

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