O garoto que visitou o céu

Pelo menos 3 mil pessoas se reuniram em BH para ouvir o adolescente americano que diz ter se encontrado com anjos e Jesus aos 3 anos de idade. O menino e a família rodam o mundo para divulgar o relato, que virou livro e filme. E emociona a quem escuta

por Vinícius Andrade 06/05/2015 08:45

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Zuleica Morais/Divulgação
Colton Burpo, hoje com 15 anos: "Cada um pode acreditar no que quiser, mas eu sei o que vi" (foto: Zuleica Morais/Divulgação)
Era uma tarde de domingo como outra qualquer em Belo Horizonte. Trânsito tranquilo, famílias e amigos reunidos depois do tradicional almoço. Contrastando com a calmaria daquele dia de março, o bairro Luxemburgo, na região Centro-Sul da capital, recebia movimento atípico. Por volta das 18h, a rua Luiz Soares da Rocha – uma das principais do bairro – estava tomada por carros e pela grande circulação de pessoas. O motivo de todo o alvoroço se dava pela presença do norte-americano Colton Burpo, de 15 anos, na Igreja Batista Central. Ele tornou-se conhecido mundialmente depois de dizer que esteve no céu. Isso quando tinha 3 anos de idade.

Acompanhado dos pais, foi a primeira vez que Colton veio ao Brasil, e escolheu Belo Horizonte como parte de uma peregrinação que faz pelo mundo para contar a sua história. A família Burpo esbanjava alegria e bom humor. Muito diferente do que se passava há 12 anos, quando o sentimento que tomava os familiares era de dor e incerteza. Tudo começou em março de 2003. Na pequena Imperial, cidade de aproximadamente dois mil habitantes, localizada no Nebraska (EUA), o garoto Colton começava a sentir fortes dores na barriga e apresentava febre acima dos 39 ° C. O que poderia ser apenas um mal-estar foi diagnosticado pelos médicos como apendicite aguda. A infecção estava se espalhando pelo corpo, e, segundo os médicos, a chance de vencer o quadro era pequena. O pastor evangélico Todd Burpo, então com 35 anos,pai do garoto, sofria com o momento delicado do filho. "A dor que eu senti naquele momento era tão forte, que quase supera a alegria de receber meu filho de volta", diz Todd.

Os médicos recorreram a uma cirurgia de risco como a última tentativa para salvar Colton. A mãe, a gerente de escritório Sonja Burpo, de 42 anos, lembra como seu coração estava angustiado. "Você pode ajudar seu filho com beijinho, bolsa de gelo, e eu não podia fazer nada disso. Colton estava muito doente. Quando eles o levaram para o quarto do hospital, eu achei que fosse a última vez que o veria", conta. Foi aproximadamente uma hora e meia de angústia para os pais. "Eu nunca havia ficado tão bravo com Deus, então fui para um quarto me esconder e questionei a Ele: 'Vale a pena ser um pastor?'", relata Todd.

Cláudio Cunha/Encontro
Colton (centro) com os pais Todd e Sonja Burpo, que rodam o mundo com ele (foto: Cláudio Cunha/Encontro)
Quando restava apenas uma gota de esperança, uma enfermeira chamou os pais e disse exatamente o que eles ansiavam ouvir: o garoto havia reagido bem ao procedimento e estava salvo. Se a história terminasse assim, talvez ela nunca saísse de Nebraska para rodar o mundo. O que ninguém esperava era que Colton começaria a relatar uma jornada celestial. Durante a cirurgia de emergência à qual foi submetido, o garoto conta que deixou seu corpo e foi levado ao paraíso por Jesus. De início, até mesmo os pais duvidaram, mas o menino insistia em propagar sua experiência.  "A primeira coisa contada, que chamou nossa atenção, foi que anjos cantaram para ele no hospital. Não ficávamos falando de anjo em nossa casa. Colton era um garoto muito sério, e sabíamos que ele não estava inventando", diz Todd.

O "garoto do céu", apelido dado carinhosamente pelos amigos, narrou a história em fragmentos. A cada dia, os pais eram surpreendidos por um novo episódio. "O Colton conta que me viu naquele quarto do hospital orando, e ninguém sabia disso, não tinha nenhuma explicação física para isso", diz Todd. O garoto também afirma ter se encontrado com seu bisavô no céu, apesar de não tê-lo conhecido. Pop morreu em um acidente de carro quando o neto Todd, pai de Colton, tinha apenas 7 anos. Na aventura vivida por Colton, aos 3 anos de idade, ele ainda relata ter visto os apóstolos Pedro e João, além de Maria, mãe de Jesus.

Confira abaixo o trailer do filme O Céu É de Verdade:

 
Certa vez, Sonja estava ocupada com os trabalhos domésticos quando o filho se aproximou e disse ter duas irmãs. Aparentemente a conta estava errada, porque o garoto tinha apenas uma, a Cassie, hoje com 18 anos, e nem sonhava em ter o irmão mais novo Colby, que completa 11 neste ano. Atarefada, a mãe não deu ouvidos ao filho, mas ele insistiu no assunto. "Você teve um bebê que morreu na sua barriga", afirmou o menino. Espantada, Sonja questionou o filho. "Ela me disse", respondeu o garoto. Sonja havia sofrido um aborto espontâneo um ano antes de dar à luz Colton e não contara aos filhos.

As histórias de Colton foram se espalhando pela cidade. Alguns duvidavam e outros se espantavam, mas acreditavam. "Quando eu era pequeno, achava que todos tinham vivido essas experiências. Pensava que, quando eu contasse, as pessoas não iriam duvidar.  Só quando fiquei mais velho entendi que tive uma experiência diferente. Existem pessoas que dizem que essa história foi inventada. Cada um pode acreditar no que quiser, mas eu sei o que vi", diz Colton.

Pedro Couto/Divulgação
Jovens rezam com Colton, em sua passagem por BH (foto: Pedro Couto/Divulgação)
O testemunho do jovem rompeu as fronteiras do Nebraska e se tornou best-seller no mundo inteiro. O pai é o autor do livro O Céu É de Verdade, lançado em 2011. As vendas ultrapassaram 10 milhões de cópias, sendo o mais comercializado por mais de 80 semanas na lista do jornal The New York Times. Como se não bastasse, Hollywood também bateu à porta da família Burpo e em 2014 foi lançado o filme de título homônimo, dirigido por Randall Wallace. Arrecadaram-se mais de 100 milhões de dólares, valor que fica atrás apenas da trilogia As Crônicas de Nárnia e do filme Paixão de Cristo no ranking das obras cinematográficas de maior bilheteria da história com temática cristã.

"Nunca cogitei escrever um livro. Pensei escrever depois de sete anos de o fato ter acontecido. Quem vai querer ler um livro de um autor com sobrenome Burpo? À medida que eu orava, eu não conseguia me livrar da responsabilidade de escrever. Minha ideia era ajudar poucos leitores, não imaginava que seriam milhões", diz Todd.

Junto à repercussão mundial, vieram as críticas. Líderes religiosos questionaram a descrição do céu feita por Colton. Outras pessoas apontam que tudo não passa de uma fantasia infantil. Todd não se diz abalado pelas avaliações negativas. "Nós já recebemos todo tipo de retorno que você puder imaginar. Pessoas já nos ameaçaram, nos questionaram, nos acusaram de fazer só por dinheiro. Para uma pessoa que critica, tem dez que nos agradecem. Muitas vezes você tem de olhar acima das críticas, porque, se você não olhar além delas, não verá todas as pessoas que consegue ajudar", diz Todd.

Na primeira visita ao Brasil, a família Burpo foi recebida por pelo menos 3 mil pessoas, de diversas idades, no auditório da Igreja Batista Central. O local tem capacidade para 2,5 mil pessoas e todos os assentos foram ocupados. Muitos expectadores tiveram de acompanhar de pé o relato. As reações eram de emoção. A  estudante Larissa Santiago, de 16 anos, estava curiosa com a história do garoto. Quando ela soube que o jovem estaria em Belo Horizonte, não teve dúvidas: "Sabemos pouco sobre o céu e, quando eu escutei a história do Colton, quis saber o que ele viu. Achei muito interessante, porque nos dá a certeza de que Deus está no controle de todas as coisas", afirma.

Pedro Couto/Divulgação
Público chora ao ouvir a história de Colton (foto: Pedro Couto/Divulgação)
A estudante Lorena Montalvão, de 22 anos, assistiu ao filme e levou a família para conhecer a família Burpo. Ao final da reunião, ela aproveitou para registrar uma foto com Colton. "A história é linda, mostra sobre o amor de Deus. Ela fala sobre um tema questionado, que só pode ser entendido por meio da fé", afirma Lorena.

Com destaque na mídia, a família da pequena cidade norte-americana se tornou conhecida pelo mundo todo. Apesar da mudança de rotina, Colton não gosta do título de celebridade. "As pessoas me perguntam se eu ganho tratamento especial depois que me tornei o ‘garoto do céu'. Não, não ganho tratamento especial. Quando volto para minha cidade, sou apenas o Colton. Quando a fama começa subir a minha cabeça, meus amigos estão lá para me colocar no lugar", diz o adolescente.

Além de pastor na igreja da sua cidade, o pai de Colton é treinador de luta livre e bombeiro voluntário. A mãe, Sonja, cuida da casa e é bem exigente. Para ela, a família Burpo é diferente, mas não especial. "O Colton vai para uma escola normal, tem tarefas para fazer. Na minha casa, a partir de 10 anos você lava sua própria roupa. Ele tem de limpar a igreja", diz. A família adora viajar para divulgar o ministério "O Céu é de Verdade", mas diz não se esquecer das responsabilidades. "Já fomos a Espanha, Singapura e vários lugares dos Estados Unidos para compartilhar o amor de Jesus Cristo. É muito bom, mas nós temos de voltar para casa e lavar nossas roupas", diz a mãe de Colton.

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