Profissão: youtuber

Conheça jovens mineiros que ganham a vida fazendo vídeos sobre atividades que gostam, como maquiagens e jogos, e postando no YouTube. Famosos na rede, eles têm contratos com anunciantes, fã-clubes e até produtos licenciados

por Marina Dias 08/05/2015 14:15

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Fotos: Cláudio Cunha/Encontro, divulgação e arquivo Pessoal
(foto: Fotos: Cláudio Cunha/Encontro, divulgação e arquivo Pessoal)
Como é comum entre meninas, a mineira de Virginópolis Camila Coelho sempre gostou de maquiagem. Desde  quando morava na pequena cidade do interior de Minas, com pouco mais de 10 mil habitantes, até depois de se mudar com a família para os Estados Unidos, há 13 anos, seu hobby preferido sempre foi experimentar diferentes formas de se maquiar e produzir. Já nos EUA, onde mora até hoje, ela decidiu fazer cursos de make para começar a trabalhar no meio e até conseguiu emprego na Dior, em uma loja de departamentos renomada do país, a Macy’s. Seu caminho profissional, iniciado precocemente, poderia ter enveredado para diferentes ramos do mercado da beleza. Camila poderia ter se tornado maquiadora, investido no desenvolvimento de produtos ou mesmo montado um salão de beleza, por exemplo. Mas nenhuma dessas opções se concretizou. Em vez disso tudo, ela se tornou youtuber. E de sucesso.

Desde 2010, a mineira tem um canal em português e um em inglês na plataforma de vídeos YouTube, onde ensina seus viewers (espectadores) a fazer diversos tipos de maquiagem, além de avaliar produtos de beleza e compartilhar sua rotina estética. No início, a produção dos tutoriais era apenas uma atividade de lazer, algo feito por prazer e dividido com a rotina normal de trabalho. Mas logo os acessos começaram a aumentar, e então ela criou um blog de beleza. "Seis meses depois de começar com o blog, passei a me dedicar totalmente a ele e aos meus canais, pois comecei a receber propostas de parcerias de lojas on-line e percebi que isso poderia se tornar meu trabalho, minha vida", diz Camila.

De fato, hoje, seu canal em português tem quase dois milhões de inscritos (duzentas vezes a população de sua cidade natal) e mais de 178 milhões de visualizações - é como se todos os cidadãos da Alemanha, França e Canadá tivessem visto algum vídeo dela. Isso sem contar os números do canal em inglês - menores, mas também significativos.

Michael Vidol/Divulgação
Assunto é o que não falta para o youtuber Made, que diversifica cada vez mais seu estilo. Ele, que começou ensinando táticas do jogo Call of Duty, tem outros canais no YouTube com diferentes categorias de vídeos, mas pretende focar todos os temas em um só. Além dos jogos, ele responde perguntas de seus fãs, mostra sua rotina na academia, faz vídeos de sua suas viagens (algumas delas, para participar de campeonatos de games). Neste ano, quer investir em mostrar sua vida na Califórnia. "Sei que meus inscritos gostariam de conhecer. Nos vídeos, as pessoas vão poder conhecer Los Angeles, os pontos turísticos, as praias, minha academia, meu restaurante predileto. Tudo isso como se estivessem do meu lado, conversando como amigos", diz. (foto: Michael Vidol/Divulgação)
Assim como tinha imaginado, Camila vive hoje de suas atividades como blogueira e youtuber, que a alçaram à condição de it girl, motivo pelo qual ela acompanha as semanas de moda internacionais. É a única mineira a fazer parte da conhecida rede de blogs de moda e beleza F*Hits e já tem contratos com patrocinadores, coleções que levam seu nome e sua imagem (como a recente campanha para a Renner, feita na Riviera Francesa), além de produtos licenciados. Tudo por causa dos vídeos que decidiu postar na plataforma, de maneira despretensiosa, há cinco anos.

A verdade é que cifras na casa dos milhões não são raras no YouTube. O clipe Gangnam Style, do coreano Psy - um dos clássicos da plataforma -, por exemplo, tem mais de dois bilhões de acessos. No entanto, manter o número de visualizações alto a cada vídeo que se lança (a média, no canal de Camila, é de aproximadamente 400 mil, mas há vídeos que chegam a 2,5 milhões) não é para qualquer um, e aí está o diferencial dos "youtubers profissionais" de sucesso: eles têm muitos inscritos e muitos acessos sempre que lançam algum conteúdo novo.

A influência digital dessa turma é enorme, especialmente entre os jovens. Uma pesquisa do ano passado da revista americana Variety com jovens dos Estados Unidos indicou que youtubers já são mais populares entre adolescentes de 13 a 18 anos do que estrelas de Hollywood, por exemplo. Para o professor do Centro Universitário UNA especialista em rádio, TV e web Richardson Pontone, consultor em gestão de novas mídias, esse ainda não é o caso no Brasil, onde a TV se mantém muito forte, principalmente com a indústria de novelas. "Mas, diga-se de passagem, ela está perdendo a hegemonia", afirma.

Segundo Pontone, mesmo no Brasil, o YouTube é, sim, um nicho interessante, já que tem públicos diversos e, muitos deles, fiéis. "É um público autodidata, que gosta do faça-você-mesmo, de rapidez e do diálogo que a web oferece. É um grande modelo de monetização", explica.

Arquivo pessoal
Taty começou no YouTube fazendo apenas vlogs, um a cada dois meses. Depois da criação do blog, passou para um vídeo por mês e, um semestre depois, um por semana. Desde que saiu da faculdade, a rotina ficou mais apertada, e solta dois por semana, de séries diferentes. Os vídeos saem toda terça e quinta à noite, além de alguns aos sábados - novidade deste ano. Caso tenha algum problema e não divulgue no horário combinado, o público não perdoa. "O pessoal já espera o vídeo no dia e o no horário certo. Se atraso, já aparece gente pelo Twitter perguntando por que não caiu o daquele dia ainda", diz. No mês passado, lançou um livro baseado em um vídeo feito para seu canal, o Manual da Mulher Bem Resolvida. (foto: Arquivo pessoal)
O simples fato de um vídeo atrair cliques, aliás, já pode render alguma receita. Essa é a forma mais básica de se ganhar dinheiro com o YouTube. Chamado de monetização, o processo funciona da seguinte maneira: o usuário habilita a possibilidade de o Google colocar anúncios em sua página. Se o clique no anúncio acontecer nessa página, você leva uma parcela do pagamento. Assim, quanto mais acessos seu canal tiver e mais visualizações seus vídeos receberem, maiores serão os ganhos.

Não é possível precisar valores, pois tudo depende de quanto paga cada anunciante, qual é o contrato entre o Google e cada youtuber, entre outras variáveis. Para os meros mortais, é muito provável que o valor não seja mais do que alguns dólares por mês (a receita normalmente é contabilizada a cada 1 mil visualizações). Por outro lado, qualquer pessoa que tenha um canal e faça upload de vídeos de conteúdo autoral pode participar.

Segundo o próprio YouTube, mais de um milhão de canais geram receita por meio desse programa de parceria, e milhares de canais têm receita anual de até seis dígitos. O maior youtuber do mundo, o sueco PewDiePie, por exemplo, que tem 35 milhões de inscritos em seu canal de gameplay (confira quadro) e mais de oito bilhões de visualizações, divulgou ter recebido, em 2013, 4 milhões de dólares com a atividade.

Cláudio Cunha/Encontro
O sucesso de Lucas já extrapolou a internet. Só neste ano, foi convidado do programa da Fátima Bernardes na Globo e jurado de um quadro sobre internet no programa da Eliana, no SBT. Apesar de ainda não ter entrado na faculdade de publicidade, como pretende, Rangel já tem sido tratado como especialista: teve convites para dar palestras sobre marketing na web. Neste ano, diz que vai ficar totalmente focado nas produções de vídeos, sejam eles de conteúdo autoral ou de merchand. "Mas quero estudar. A internet é incerta, não permite estabilidade", diz. (foto: Cláudio Cunha/Encontro)
O que faz com que alguns youtubers se destaquem mais que outros, no entanto, não se sabe bem. Para Bruno de Paula, recrutador da Machinima, rede que paga e dá suporte a canais do YouTube que fazem parte de seu grupo, é preciso que a pessoa tenha um plano concreto do que pretende fazer. "Não dá para achar que suas opiniões sobre um assunto da moda ou a maneira como joga algum game serão o suficiente. Já existem milhões de pessoas fazendo isso, e é provável que o público já tenha seus youtubers preferidos. Só procuram conteúdo novo se for alguém ou algo muito interessante", afirma Bruno. Por isso, diz, apenas gravar um vídeo não é o bastante para crescer nesse meio: é preciso ter boas ideias, ser paciente, organizado para manter uma rotina de produção, ter um equipamento apropriado e se divertir, além de ter carisma. "A realidade é que milhares de pessoas abrem canais todos os dias e depois de dois ou três vídeos de baixa qualidade ficam frustrados porque não cresceram ainda. Não entendem o volume de conteúdo que há por aí", diz.

O belo-horizontino Alex Made é uma das referências brasileiras na mesma categoria de vídeos do sueco PewDiePie, a de se filmar jogando videogames, dando dicas e estratégias de como passar de fase. Ele conta que era habilidoso no jogo Call of Duty 4: Modern Warfare e resolveu mostrar táticas na rede, começando seu canal em 2011. Segundo ele, ter começado cedo foi um dos motivos do reconhecimento. "Sucesso no YouTube é algo difícil de entender, mas acho que ter começado há mais tempo fez diferença. Também sempre fui perfeccionista, trabalhador, e sabia tudo sobre o jogo que escolhi trazer para o meu canal. Um pouco de sorte também sempre cai bem, né?", diz. Hoje, Made (uma abreviação de "Made in Brazil", já que ele mora nos Estados Unidos) não faz mais apenas vídeos sobre games, mas também quadros diferentes, como responder perguntas de internauta e contar do seu dia a dia.

Devido a seu sucesso na rede, Made foi o único apresentador brasileiro da rede Machinima e, apesar de não viver apenas de sua atividade como youtuber, deve a essa experiência seu atual trabalho: gerente de parcerias estratégicas no setor de games da Google. O que não significa, claro, se aposentar da profissão original. "Mesmo trabalhando bastante por trás dos bastidores, vou continuar gravando meus próprios vídeos para o YouTube. Acho que nunca vou parar, pois amo o carinho de todos os meus inscritos", afirma.

Arquivo pessoal
Escritora e blogueira, além de youtuber, Bruna está montando um estúdio para conseguir melhor qualidade em seus vídeos, já que pretende investir mais na plataforma neste ano. Enquanto isso não acontece, ela diz que prefere gravar de madrugada, quando as redes sociais estão mais paradas e normalmente não faz tanto barulho. Seu veio de empresária é forte, e, aos candidatos a youtuber profissional, ela ensina que não se pode ter preguiça de ler os comentários do público: "Os comentários são tão importantes quanto o conteúdo. É ali que o produtor de conteúdo descobre onde acertou e errou", afirma. (foto: Arquivo pessoal)
Como acontece com muita gente nesse mundo da internet, é comum que youtubers expandam sua atuação para outras redes, como blogs ou Instagram, o que é um passo a mais para a pessoa conseguir se manter com a atividade e se dedicar integralmente ao mundo on-line. Foi o caso da mineira de Araxá Taty Ferreira. Ela teve uma pequena experiência na web quando assinou uma coluna no blog Testosterona, sob o pseudônimo de Acid Girl. Mas decidiu que queria se mostrar de verdade para falar sobre o que gosta: assuntos femininos. O meio escolhido foi o YouTube, onde criou, em 2010, seu próprio canal. "Ninguém sabia quem era a pessoa por traz do nome na coluna do Testosterona e, para fazer os vídeos, eu precisaria colocar a cara a tapa, mas resolvi correr o risco. Na primeira semana, o vídeo teve 100 mil visualizações, o que, na época, e ainda hoje, é um número bem expressivo", conta. Por causa do sucesso do canal, decidiu também criar um blog, o Acidez Feminina, seis meses depois de ter postado o primeiro vlog (blog em formato de vídeo. Confira quadro) no YouTube.

Na época, meados de 2012, Taty estudava psicologia, mas logo começou a perceber que não teria tempo para se dedicar bem aos estudos e às atividades no blog e YouTube. "Eu ficava esgotada e no final do dia via que não havia feito nada como gostaria. Foi aí que percebi que teria de escolher entre trabalho e estudo. E, como o trabalho era o que pagava os custos do estudo, optei pelo blog e pelos vídeos", afirma. Taty não revela valores - como maioria dos youtubers de sucesso -, mas diz que a proporção de sua receita é de 60% vinda do YouTube e 40% do blog, quantia obtida com venda de espaço publicitário.

Já a jovem Bruna Vieira, referência entre meninas de 20 e poucos anos, fez o caminho contrário. Nascida em Leopoldina (MG), ela já tinha o blog Depois dos Quinze há três anos, quando percebeu que o YouTube estava crescendo e que seu público estava interessado na plataforma. No final de 2011, decidiu ir para lá também. "Gravava conteúdos que já fazia em texto no blog, mas é um formato diferente, que proporciona uma proximidade interessante entre o blogueiro e o público", diz.

Roberto Rocha/Encontro
Camila paga uma promessa a cada 100 mil novos inscritos em seu canal. Para os 100 primeiros, pintou o cabelo de roxo e rosa e, para os 200, fez uma tatuagem do símbolo "play" do YouTube. A promessa de um milhão? "Vou fazer minha piscina virar uma piscina de chocolate, derretendo quantas barras for preciso", diz. Não à toa, com tantas peripécias mostradas aos fãs, ela teve de abrir uma caixa-postal para receber cartas e presentes. Apesar da modernidade de poder enviar comentários on-line, eles gostam mesmo é de mandar cartas enormes de papel. "Uma vez, comentei em um vídeo que meu chinelo tinha sumido, e aí ganhei 20 pares dos fãs", afirma. (foto: Roberto Rocha/Encontro)
Estrategista como deve ser um profissional da rede, Bruna foca suas produções em todas as redes com o objetivo de fortalecer o blog - o que também vale para o YouTube, onde já tem mais de 500 mil inscritos e 20 milhões de visualizações. "O YouTube para mim é uma parte do blog. Ali quero visibilidade para o trabalho que faço diariamente no Depois dos Quinze", diz ela, que também escreve para a revista Capricho e é autora de quatro livros publicados.

Antes mesmo de completar 20 anos, Bruna já tinha conseguido, com a receita de seu trabalho na internet e dos livros, comprar um apartamento em São Paulo. "Sou muito grata por poder trabalhar com o que amo. A internet tornou isso possível e eu gosto sempre de lembrar o quão democrático é esse espaço. Nasci no interior e minha família não tinha condição. Tudo o que precisei foi de um computador e uma boa ideia", afirma.

Quem também migrou de outra rede para o YouTube foi o fenômeno do Vine (plataforma de vídeos de seis segundos) Lucas Rangel. Com mais de 1,1 milhão de seguidores, ele é o viner mais seguido da América Latina. Seus esquetes sobre situações corriqueiras, como brigas entre mãe e filho ou problemas de aluno com professor, tornaram-se virais e fazem sucesso não só entre os jovens, mas também entre os adultos. "Mães e pais adoram. Eu não falo palavrão, o que eles gostam, e retrato situações pelas quais todo mundo já passou, então é fácil se identificar", afirma Lucas.

O garoto de BH tem vários fã-clubes, e as meninas enlouquecem em sua presença. Antônio Alex Rangel, seu pai e empresário, pediu encarecidamente que o bairro onde Lucas mora com a família não fosse divulgado nesta matéria, porque, segundo ele, as meninas descobrem o endereço, tocam a campainha e esperam o garoto sair para tirar fotos ou segui-lo até a escola. A Rangel-mania é tamanha que, na festa que Lucas deu em comemoração à marca de um milhão de seguidores no Vine - um ano depois de ter entrado na rede -, os ingressos (abertos ao público e comprados via internet) acabaram em três minutos. E não só ele faz sucesso: seu cachorro, que aparece de vez em quando nos vídeos, tem seu próprio Instagram, com nada menos que 150 mil seguidores.

Divulgação
Mais que youtuber ou blogueira, a categoria em que Camila melhor se encaixa é it girl. Devido ao sucesso do seu canal, ela hoje extrapolou a plataforma de vídeos e o blog, sendo referência de moda, estilo e beleza: sua opinião sobre qualquer produto vale ouro. Em 2013, foi eleita blogueira mais influente pela revista feminina Glamour e, no ano passado, lançou sua própria linha de esmaltes. Mas os vídeos não são esquecidos. Camila diz que, este ano, vai focar mais nos vídeos do dia a dia, num estilo reality. "Ultimamente tenho notado que a vida real é o que as minhas leitoras mais querem ver", afirma. Quem não quer? (foto: Divulgação)
Lucas começou no YouTube há pouco mais de um ano, com o canal Rangel do Vine, e já tem mais de 580 mil inscritos e 18 milhões de visualizações, além de uma média de 750 mil visualizações por vídeo. "As pessoas estavam pedindo vídeos mais longos. É outro formato, não dá para fazer o mesmo que faço no Vine", explica. As produções para o YouTube ainda são feitas por ele mesmo, mas pretende contratar uma equipe que o ajude na filmagem e edição. "Viro a noite editando, e não estou tendo tempo para fazer isso mais", diz.

Lucas, que se formou no ano passado no ensino médio, pretende estudar publicidade, mas resolveu não prestar vestibular neste ano, porque a agenda não permite. Isso porque as empresas ficam de olho nas tendências web e não perdem a oportunidade de fazer uso de tamanha influência digital. Por isso, Rangel já teve contratos com mais ou menos 50 marcas, desde pequenas startups de aplicativos que querem divulgar seu produto entre os brasileiros até grandes empresas internacionais e nacionais, como Coca-Cola, McDonald’s, Disney e Bradesco. Para essas instituições, Rangel faz conteúdos de merchandising, que mescla com seus vídeos de conteúdo autoral. "O público não gosta se você faz muito merchand. Eles querem os vídeos pessoais, então é preciso medir, senão você perde audiência", afirma.

A vantagem é que, no caso de ganhar audiência, o crescimento costuma ser exponencial. A viner e youtuber Camila Loures, conhecida pelos vídeos de ação (em um deles, faz sua piscina ficar cheia de bolas de sabão), surgiu nesse meio porque apareceu em alguns Vines de Rangel, seu amigo. Logo, alguns seguidores comentaram que gostavam do jeito dela e então ela tomou coragem para fazer alguns vídeos próprios. Quando atingiu 100 mil seguidores no Vine, foi para o YouTube. Em pouco mais de sete meses, atingiu 100 mil inscritos na plataforma. Nos dois meses seguintes, chegou a 200 mil.

O crescimento foi tamanho que com poucos meses no canal Camila já foi procurada para fazer vídeos e posts patrocinados, além de ter fechado contrato com uma rede. Por tudo isso, ela não tem planos de entrar na faculdade, por enquanto. "Alguns familiares me mandavam entrar logo na graduação e parar com essa ‘bobagem’. Mas é algo que faço seriamente e, no momento, é minha profissão."

E quem pode culpar os jovens youtubers por fazerem o que gostam, por se divertirem e ainda ganharem fama e dinheiro? Quem também não quer?

Cláudio Cunha/Encontro
(foto: Cláudio Cunha/Encontro)
Mecânico que virou celebridade

Não só os jovens de 20 e poucos anos fazem sucesso no YouTube. Alexandre Dias Generoso, mais conhecido como ADG, encontrou um nicho frequentado também por pessoas nascidas antes da era digital. No Canal High Torque, o ex-taxista, mecânico e empresário posta vídeos explicativos de consertos de carro e do dia a dia de sua oficina, bem como séries de programas patrocinados por marcas, como a série de bastidores da Fórmula 1.

A ideia, que começou apenas como forma de mostrar aos clientes as intervenções que estavam sendo feitas em seus carros, virou febre. O canal já tem quase 60 milhões de visualizações - 95% delas de homens entre 18 e 40 anos. "O público que gosta de carro é bem segmentado, mas muito fiel", diz. Por isso, segundo Alexandre, a monetização do YouTube lhe rende de três a quatro mil dólares por mês, mas o retorno também é percebido no mundo real. Hoje, 100% das pessoas que procuram a oficina o conhecem da internet, inclusive vindas de outros estados. E a agenda está sempre cheia pelos próximos dois meses. "Eu me interessei pela mecânica quando meu carro começou a dar defeito e eu queria compreender o que tinha acontecido. Desde então, percebo a necessidade de as pessoas entenderem o que se passa dentro da oficina. Quero mostrar o que é feito no carro, desmistificar a mecânica", diz.

As filmagens, feitas inicialmente pelo celular, hoje contam com câmera full HD, e a oficina foi totalmente reformada, com equipamentos mais modernos e visual mais clean. Os mecânicos da oficina participam sempre dos programas e, por isso, têm contrato de imagem.

Quanto à predominância jovem na plataforma, Alexandre não se amedronta: "Em determinados segmentos, é preciso ter experiência, caso da mecânica", diz. "Claro que os jovens têm mais facilidade para absorver as novidades tecnológicas, mas eu já estou ligado nesse meio há muito tempo", afirma ele, que está no YouTube desde 2006.

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