Quando vai decolar?

Passageiros de Confins ainda sofrem com atrasos das obras previstas para a Copa do Mundo. Administradora do aeroporto quer assumir pendências e dobrar a capacidade até 2016, mas esbarra na burocracia

por Rafael Campos - Encontro BH 12/05/2015 15:32

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Vista aérea do aeroporto internacional de Confins: 11 milhões de passageiros no ano passado (foto: Divulgação)
Entre pousos e decolagens, quase 11 milhões de pessoas circularam pelo Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Grande BH, no ano passado. A meta da concessionária BH Airport, responsável pelo complexo aeroviário nos próximos 30 anos, é criar condições para que o lugar, já em 2016, tenha capacidade para receber o dobro de passageiros. Mas, para isso, antes será necessário travar a velha e conhecida queda de braço com a burocracia. Ou seja, para o aeroporto decolar, a iniciativa privada precisa sair vencedora.

Rogério Sol/Encontro
Paulo Rangel, presidente da BHAirport, concessionária do aeroporto: "Estamos de mãos amarradas" (foto: Rogério Sol/Encontro)
O problema é que as obras de responsabilidade da Infraero estão pra lá de atrasadas. A conclusão do terminal 1, já existente, estava prevista para a Copa do Mundo, contudo, o consórcio Marquise/Normatel, responsável pelos trabalhos, paralisou as atividades alegando falta de dinheiro, em agosto de 2014. Diante disso, iniciou-se uma disputa judicial entre as empresas e a estatal, que dura até hoje. "A Infraero vai continuar defendendo seus interesses em juízo, de modo a dar continuidade aos trabalhos o mais breve possível", informou, em nota, a estatal. Outro imbróglio diz respeito à reforma e à ampliação em 600 metros da pista de pouso. O consórcio Cowan/Conserva também reclama falta de recursos para continuar a obra, que teve a data de conclusão postergada para 2016, dois anos depois da data prevista inicialmente.

"Estamos de mãos amarradas", afirma Paulo Rangel, presidente da BH Airport, sobre os serviços pendentes da gestão da Infraero. O carioca de sotaque discreto está diante, como ele mesmo afirma, de seu maior desafio na carreira de engenheiro civil. Entretanto, mesmo com as intercorrências pelo caminho, vislumbra um cenário positivo. "Este ano e o próximo serão chave para o aeroporto", diz.

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"Temos que conviver com essa bagunça generalizada", diz o passageiro Guilherme Ferreira (foto: Rogério Sol/Encontro)
Para tentar agilizar as melhorias no aeroporto, a BH Airport começou a articulação para assumir as obras do terminal 1, diante de alguma compensação financeira. "É isso ou a Infraero iniciaria outro processo de licitação", diz Paulo. Se a opção for por nova licitação, significa novo atraso. As possibilidades estão ainda sendo discutidas, mas o desejo da Infraero e da BH Airport é que a situação se resolva rápido.

Para o professor Luciano Ferraz, da Faculdade de Direito da UFMG, os problemas referentes ao terminal 1 demandam solução definitiva entre a estatal e o consórcio. De acordo com Ferraz, arrastar o imbróglio não é saudável para ninguém. "Quem paga a conta do atraso são os passageiros e a administradora", diz Luciano. Para o professor de processos e tributário Leonardo Naves, da Faculdade Estácio de Sá, o Brasil ainda sofre com a falta de planejamento. "O poder público carece de gestão e de processo", diz.

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As blogueiras Janaína Alvarenga e Deborah Zandona: "O elevador e as escadas rolante ficam distantes. Isso não ajuda quando estamos com pressa", diz Deborah (foto: Rogério Sol/Encontro)
Enquanto isso, os passageiros têm de enfrentar os transtornos. "É para falar a verdade?", diz o securitário Guilherme Ferreira, de 35 anos, um dos muitos usuários do terminal, ao ser perguntado sobre a situação do aeroporto de Confins. "Como em todos os aeroportos do país, ficou uma expectativa para Copa que não se concretizou. Aí temos de conviver com essa bagunça generalizada. Até agora melhorou apenas a estética", diz Guilherme, que viaja uma vez por mês a BH, partindo de Limeira (SP).

As blogueiras Deborah Zandona, de 24 anos, e Janaína Alvarenga, de 23, viajam com frequência e sentem falta de boas opções de restaurantes e conforto para encarar horas de espera. "O elevador e as escadas rolantes ficam distantes. Isso não ajuda quando estamos com pressa", diz Deborah. Mas, para o público menos assíduo, as poucas melhorias já foram sentidas. "Em relação ao ano passado tá um pouco melhor", afirma o mecânico industrial Anderson de Souza Silva, acompanhado da mulher, Bianca Silva, e do filho Gabriel, a caminho de Uberlândia, no Triângulo.

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Anderson, Bianca Silva e o filho Gabriel, que não são usuários frequentes, conseguem indentificar algum tipo de melhoria com as obras feitas até agora: "Em relação ao ano passado, tá um pouco melhor" (foto: Rogério Sol/Encontro)
A despeito dos problemas, a BH Airport injetou R$ 20 milhões no ano passado, para melhorias do sistema de bagagens, elevadores, escadas rolantes, conexão wi-fi, além dos banheiros e fraudários. O estacionamento também está mudado, com maior cobertura e novos sistemas de barreiras e controle por smart cards. "Tudo que planejamos, estamos fazendo", afirma Paulo. Entretanto, se não fossem os atrasos, o aeroporto internacional de Confins estaria com as obras bem mais avançadas. "Sem dúvida, essa situação traz prejuízos. Poderíamos oferecer mais centrais de inspeção de raios X, com o terminal 1 concluído, e aumentar o número de voos, com a pista reformada, além de disponibilizar mais serviços para o público, já que atualmente o espaço está restrito", diz Paulo.

O carro-chefe das obras da concessionária é o terminal 2, que dobrará a capacidade do aeroporto para mais de 20 milhões de passageiros por ano. Até abril de 2016, data prevista para a conclusão do terminal, serão investidos R$ 700 milhões. Já o terminal 3 representa outra polêmica. A estatal afirmou que já entregou as obras executadas pelo consórcio Urbtopo/EPC, entretanto, a concessionária BH Airport avisa que ainda espera recebê-las. Fica a torcida para que as partes se entendam e o aeroporto de Confins encontre, enfim, uma rota definitiva.

 


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