Esperança para os pets

O uso de células-tronco tem se tornado importante aliado no tratamento de doenças graves que acometem os animais de estimação

por Daniela Costa 11/06/2015 10:46

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Cláudio Cunha/Encontro
A empresária Carolina Drummond e Meg, poodle toy de 15 anos que tem diabetes e insuficiência renal: "Hoje ela está bem melhor, até a quantidade de insulina a ser aplicada diminuiu" (foto: Cláudio Cunha/Encontro)
A perspectiva de cura de doenças para as quais já não há tratamentos traz esperança não só aos seres humanos, mas também ao mundo animal. Apesar de ainda gerar polêmica, o uso de células-tronco é um processo em constante evolução, com a promessa de restaurar funções de órgãos e tecidos do organismo. A cadelinha Meg, poodle toy de 15 anos, foi uma das beneficiadas pela técnica. Portadora de diabetes, que acabou desencadeando a catarata, ela teve de passar por intervenção cirúrgica para voltar a enxergar. Mas há um ano apresentou também quadro de insuficiência renal. “Quase a perdemos”, conta a empresária Carolina Drummond Azeredo.

Os esforços para salvá-la não foram poupados. Meg passou por sessões de soroterapia e diálise para ajudar no funcionamento dos rins. Com isso, chegou a apresentar melhora, mas ainda requerendo cuidados. Foi quando Carolina teve conhecimento do uso de células-tronco no tratamento de algumas doenças dos pets. “O veterinário me sugeriu tentar, mas alertou que poderíamos não obter resultado algum. Resolvi arriscar”, diz Carolina. Foi um sucesso. Com apenas uma aplicação, o estado geral de Meg melhorou consideravelmente e o problema renal foi controlado. “Foi muito positivo. Até a quantidade de insulina administrada foi diminuída. Ela está bem melhor”, diz.

Samuel Gê/Encontro
A jornalista Leticia Orlandi com o gatinho Fuleco: "Tentamos o tratamento como último recurso. Foi um verdadeiro milagre" (foto: Samuel Gê/Encontro)


Obtidas a partir de material adiposo (gordura) de animais saudáveis – em geral de cadelas jovens no momento da cirurgia de castração, ou do próprio animal em tratamento –, as células-tronco surgem como importante aliadas no tratamento de doenças graves que acometem os bichos. A exigência é de que o doador seja da mesma espécie. A aplicação das células acontece por via endovenosa ou intra-articular, na origem da doença, agindo de forma a recuperar a região afetada, de acordo com a necessidade de cada paciente. Além de serem utilizadas como reforço para as terapias convencionais, têm a vantagem de não apresentar efeitos colaterais. “Não existe rejeição. O que pode acontecer é não alcançar o efeito desejado”, diz o médico veterinário Alexandre de Paula Nagem, da Clínica São Francisco de Assis.

O gatinho Fuleco, de 2 anos, nasceu com micoplasmose felina, doença provocada por parasita que invade as células vermelhas do sangue, gerando graves anemias. Os primeiros sinais de que ele não estava bem foram apatia, cansaço e falta de apetite. “Em 2014, fizemos o tratamento tradicional e ele se recuperou um pouco, até voltou a comer e a brincar. Mas foi só passar pela cirurgia de castração que teve recidiva”, diz sua tutora, a jornalista Leticia Orlandi. Com a baixa imunidade, Fuleco precisou de transfusão de sangue e já não se alimentava sozinho. Para complicar, também teve aplasia medular, quando há redução no funcionamento da medula óssea. “Como último recurso para salvá-lo, tentamos o tratamento com células-tronco. A previsão era de que ele apresentasse melhoras em 20 dias”, conta Leticia. A boa surpresa veio menos de duas semanas depois. Atualmente, Fuleco já não precisa fazer uso de nenhum tipo de medicamento. “Confesso que já tinha perdido as esperanças”, diz Leticia. “Foi um verdadeiro milagre.”

Os especialistas alertam que para realizar o tratamento é fundamental que o animal não tenha nenhum tipo de infecção. Por isso, não é recomendado em quadros de leishmaniose e cinomose, durante a evolução das doenças, que provocam processos infecciosos constantes”, explica o veterinário Alexandre Nagem. Mesmo sendo promissor, o tratamento com células-tronco não cura todas as doenças. “A técnica não é recomendada em pacientes com câncer, pois não se sabe quais as consequências da interação de células-tronco com células cancerosas”, explica o médico veterinário Luiz Fernando Ferreira, da Clínica Professor Israel. Segundo ele, o êxito do tratamento vai depender da resposta individual de cada organismo. O tratamento já está disponível na capital mineira, mas poucas clínicas o utilizam. O custo de cada aplicação é de em média R$ 3 mil, e a quantidade varia de uma a três sessões, com intervalo de 30 dias.

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