Entre o campo e a cidade

Conheça histórias de pessoas que decidiram morar fora dos centros urbanos, mas continuam trabalhando na cidade. Atraídos pela natureza e tranquilidade, eles não se importam em percorrer longas distâncias entre o trabalho e o lar, quase diariamente. Vale a pena?

por Marina Dias 16/06/2015 11:02

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Pedro Nicoli/Encontro
Quando voltaram de Inhapim (MG), onde viveram por cinco anos após Henrique ser aprovado em concurso para promotor, foram morar no bairro Cruzeiro, mas logo começaram o projeto da casa em que residem hoje. Pouco depois, mudaram-se para um apartamento no Buritis, e a vontade de terminar a construção da casa ficou ainda maior. "O apartamento era maior, mas o trânsito era terrível e tudo muito barulhento. O silêncio com o qual nos acostumamos em Inhapim não nos permitia aproveitar de verdade o lugar onde morávamos", conta Joanna. Assim que a casa ficou pronta se mudaram. "Por livre espontânea vontade, não nos imagino voltando para BH", diz ela (foto: Pedro Nicoli/Encontro)
O casal Joanna Macedo e Henrique Macedo é urbano de origem e criação. O promotor de Justiça e a advogada, criados no Funcionários e no Sion, respectivamente, nunca saíram por aí reclamando das desvantagens da metrópole. Aliás, como para muitos citadinos, a “questão da cidade” nunca foi, de fato, uma questão. Até que, em 2006, tiveram de mudar de vida – e de endereço. Quando Henrique passou no concurso da Promotoria Pública, eles foram realocados para a pequena Inhapim, a 70 km de Ipatinga, com cerca de 8 mil habitantes. Não muito acostumados à vida de interior, voltavam para BH sempre que podiam. Afinal, não é fácil passar os dias de descanso e diversão com poucas opções.

Cláudio Cunha/Encontro
Carico já tinha a casa há anos, mas a usava basicamente aos fins de semana. Certa vez, ficou lá por uma temporada, enquanto esperava o apartamento que havia comprado ficar pronto. Foi quando viu que não só era possível, como era muito melhor morar na casa e frequentar a cidade que ter de viver no próprio centro urbano. Decidiu vender o apartamento. Elisa se juntou a ele depois e hoje não trocam a vida no mato por nada. "Conseguimos conciliar e hoje moramos na nossa casa de campo", diz Carico. "É um privilégio" (foto: Cláudio Cunha/Encontro)


Após cinco anos, retornaram para a capital e recuperaram toda a diversidade em termos de cultura, gastronomia, lazer e facilidades. Tudo o que sempre gostaram no ambiente urbano. Contudo, um aspecto da vida interiorana ficou de vez impregnado em ambos: “Nunca mais nos acostumamos com o barulho em BH”, diz Joanna.

Foi por isso que, em janeiro, decidiram se mudar de novo. Dessa vez, para uma casa no campo, cercada apenas de verde, mato mesmo, e com vista para as montanhas. Não há vizinhos, não há barulho de trânsito, não há bagunça. Apenas calmaria e um silêncio ensurdecedor, até difícil para quem está acostumado com o normalmente imperceptível – mas sempre presente – ruído da cidade. Os poucos barulhos que se percebem, e bem baixinho, são o da queda d’água a 30 metros da casa e o som de um ou outro animal, como sapos e insetos. Tudo aquilo que se reproduz nas músicas de relaxamento comuns em estúdios de massagens, eles têm naturalmente em casa. “Antes de vir para cá, frequentávamos muito cinemas, restaurantes”, conta Joanna. “Vejo que o problema era que eu morava num lugar que não me trazia benefícios, e é por isso que ficávamos tão pouco no apartamento e saíamos tanto.” Hoje, está certa da decisão que tomou.

Pedro Nicoli/Encontro
Gustavo já frequentava Casa Branca havia mais de 10 anos e sempre gostou da vida no campo, da calmaria de fazenda e do contato com a natureza. Mas não tinha ainda concretizado a vontade de morar fora da cidade. "Acho que aquilo estava adormecido em mim", diz, lembrando-se da rotina urbana consumida por trabalho, saídas, compromissos que sempre surgem na agenda. Até que, um dia, sua mulher, Nathalia, tomou as rédeas e começou a procurar um lugar em Casa Branca. Tinha de ser um espaço para construírem a família com valores diferentes daqueles captados no caos do meio urbano. Encontrou uma casa perfeita e o convidou para visitar. "Estava meio incrédulo, mas, quando avistei a casa, mal tive de passar da varanda para topar", diz Gustavo. "Vi que era tudo o que eu queria" (foto: Pedro Nicoli/Encontro)


Correndo risco de cair no velho clichê do ideal da casa no campo, com suas noites amenas e silenciosas, dias mais tranquilos, relaxamento típico de quem tem contato diário com a natureza e ritmo menos frenético do que aquele imposto pelo caos da cidade, Joanna descreve sua nova experiência. Clichê ou não, é simples e sincera, e diz que não se imagina mais vivendo na capital, apesar de ir quase diariamente até a cidade para trabalhar.

Fora o incentivo do ambiente verde e da tranquilidade da região, essa rotina só não se torna excessivamente exaustiva porque a distância a percorrer não é um desestímulo total. O trajeto é de 22 km da região de Nova Lima até BH – bem mais do que ele gastaria até o escritório se ainda estivesse na cidade, mas bem menos do que se imagina ser necessário para que o ambiente urbano suma por completo da paisagem. “E ainda não pego trânsito”, diz ela.

Esse também foi o atrativo que carimbou a mudança de Silvana Watel e Philippe Watel para São Sebastião das Águas Claras, a famigerada Macacos, distrito de Nova Lima. Ela, mineira, ele, francês, conheceram-se em Paris e decidiram abrir uma pousada em Morro de São Paulo (BA), onde se estabeleceram por seis anos. Quando a filha Lara entrou na escolinha, resolveram vender a pousada e vir para BH – onde Silvana tem família –, enquanto pensavam em um novo empreendimento.

O problema é que não conseguiam alugar um apartamento na cidade, mesmo pensando que isso seria provisório. A ideia de ficar em meio ao caos urbano já não entrava mais na cabeça deles, apesar das ofertas culturais e outras facilidades, que tanto prezam. A solução foi alugar uma casa em Macacos. E se apaixonaram pelo lugar. Alguns anos depois, construíram uma casa e ficaram por lá. Nem se importam em dirigir diariamente para BH, onde abriram o restaurante Au Bon Vivant. “Moramos no meio do mato, mas a 25 minutos do trabalho. Quando chegamos em casa, tudo fica para trás”, afirma Silvana. A alegria estampada no rosto confirma a escolha. “Em outras metrópoles, como São Paulo, isso só seria possível com duas horas de trajeto”, afirma Philippe.

Cláudio Cunha/Encontro
Ao visitar um primo que mora na região, Marisa Lapertosa se encantou pelo lugar de forma incontrolável. Era perto da cidade, mas trazia a sensação de fazenda de que sempre gostou, com verde a perder de vista, animais silvestres e entardecer frio na medida. Naquele mesmo dia, viu uma casa à venda e, um mês depois, a família já estava morando lá. Foram reformando o imóvel aos poucos, enquanto já estavam acomodados. As filhas, a modelo Vittória, de 23 anos, e a empresária Roberta, de 27, eram adolescentes na época e não acharam muita graça na mudança. Hoje, diz Vittória, não trocaria a experiência por nada. Ela, que vai se casar no ano que vem, já sabe como quer morar. "Sei que vou ter de viver na cidade no início, mas o que gosto é desse ambiente aqui", diz (foto: Cláudio Cunha/Encontro)


Segundo o arquiteto urbanista Flávio Carsalade, professor da UFMG, apesar de o conflito entre vida na metrópole e “no campo” não ser algo exclusivo dos belo-horizontinos, é um fenômeno bastante comum por aqui. Isso porque há uma área de proteção ambiental que envolve parte do entorno da cidade. Nessa área, a densidade de ocupação deve ser baixa, ideal para lotes de grandes dimensões (de 1.000 m² a 5.000 m²) e casas.  “Tudo isso faz com que sempre haja muita área verde circundando as residências. Somado às amplas vistas garantidas pela topografia acentuada e pela presença de remanescentes da mata atlântica, faz com que seja muito forte o caráter ‘natural’ que caracteriza os bairros e condomínios”, explica.

Embora a busca por esse tipo de moradia não seja um fenômeno novo e a procura por residências em condomínios tenha crescido também por outros motivos, como segurança, o contato com a natureza continua sendo o principal atrativo. É o caso, por exemplo, da família da modelo Vittória Lapertosa, que se mudou para a região de Nova Lima após a mãe, Marisa Lapertosa, ter se apaixonado pelo ambiente de fazenda, com a possibilidade de manter trabalho, escola e demais atividades que todos realizavam em BH.

“Não queríamos simplesmente morar longe, em um lugar fechado, com portaria e cara de cidade. Não era a ideia”, diz Vittória, que tinha 16 anos quando se mudou para lá com a mãe, a irmã mais velha, Roberta, e o padrasto, Décio Paulinelli. Depois do choque inicial com a calmaria da região e com a distância dos amigos e dos programas comuns de adolescentes, ela se rendeu ao irresistível charme do novo lar, com sala toda de vidro e varanda aberta, mostrando o verde e a paisagem. O ar de fazenda, que sempre agradou a toda a família, está replicado quase ipsis litteris no imóvel, que conta com pés de frutas e bichos para todos os gostos – atualmente, são quatro cachorros, um gato e dois pôneis. “Quando estou em casa, passo meus dias na rede, brincando com os animais, quase não assisto à TV. A rotina é outra aqui”, afirma.

A bibliotecária Ana Amélia Lage Martins, que mora na comunidade rural de Suzana, na Serra da Moeda, também vê a mudança de ritmo como um dos principais ganhos para quem abraça a vida no campo. Ela, que faz um trajeto de mais ou menos 50 km diariamente até o trabalho, na Fundação Municipal de Cultura, acha que vale a pena. Quando pisa em casa, o relógio corre em outro tempo: “A cidade tem um ritmo próprio em que se acaba entrando. Eu gosto do silêncio, da solidão que o campo proporciona”, diz ela, que mora desde 2007 na região. “Aqui, vive-se o desafio de se dar conta da própria existência. Não se tem acesso a tudo, é preciso lidar com o silêncio, a falta. Então é preciso se adaptar sim, mas se ganha a paz”, afirma. Ligada à natureza, Ana tem o privilégio de estar a 100 metros de uma trilha de bicicleta e costuma praticar a atividade todo dia de manhã.

De fato, segundo o psicólogo Gustavo Teixeira, mestre em análise do comportamento, esse movimento de procura do campo é quase natural, algo como uma compensação do frenesi ao qual somos submetidos diariamente. “Estamos em um ritmo urbano que é um pouco desumano, com competição extremada, pessoas tendo metas muito altas de produtividade, exigências grandes, além do estresse com poluição visual, ruídos e estímulos exagerados”, afirma. Quando a pessoa se dá conta desse ritmo frenético, diz, o organismo pede para compensar de alguma forma.


Cláudio Cunha/Encontro
Ana conheceu a região da Serra da Moeda por causa de um namorado que voava de parapente. Com ele, começou a passar fins de semana por lá e logo foi morar na casa que construíram. Como fazia mestrado, conseguia aproveitar muito a região e se apaixonou pela vida no campo. Em 2010, quando terminaram o relacionamento, não pensou duas vezes: decidiu continuar morando por lá. "Minha vida já era afetivamente estruturada aqui", afirma. Desde então, vive em pequeno vilarejo no pé da serra, onde já até ajudou a fundar uma ONG que luta pela conservação do local (foto: Cláudio Cunha/Encontro)


O psicólogo lembra, ainda, que esse tipo de residência acaba incentivando outras práticas, como o contato com a terra – plantação de horta, pomar, etc.  – , que são possíveis apenas de forma muito restrita no ambiente urbano, e que são positivas para as pessoas, inclusive como atividade de relaxamento. “Essas regiões costumam ter temperaturas mais baixas e ambientes menos ressecados, o que contribui também para qualidade do sono”, diz Gustavo Teixeira.

Mas o lado social, inevitavelmente, sofre com a nova rotina.  A casa e o ambiente tornam-se tão irresistíveis e acolhedores que tudo o mais passa a ficar cada vez mais distante. Compromissos sem planejamento prévio ficam raros. Passar em casa para trocar de roupa ou pegar algo que foi esquecido, nem pensar! Com crianças, então, a necessidade de planejamento é ainda mais rígida.

Que o digam o sociólogo Rodrigo Nunes e a cientista política Clarice Mendonça, que moram numa antiga chácara na região de Santa Luzia com a filha, Alice, de 3 anos. Para chegar até lá, eles precisam pegar estrada de terra. Mas compensa. A casa tem balanço, cachorro, galinha e terreiro. No entanto, por ficar a cerca de 27 km de BH, é fundamental organizar bem a rotina, para deixar a pequena na escola e coordenar as atividades e tarefas de ambos. “Às vezes, um amigo liga para combinar de nos encontrarmos mais tarde e eu digo que é impossível. Temos de agendar para outra ocasião”, explica Clarice. Segundo ela, o casal costuma sair de manhã já sabendo qual é o plano para o dia, se alguém terá de esperar o outro, quem vai pegar a filha, senão tudo se complica.

Cláudio Cunha/Encontro
Quando se casaram, em 2008, Clarice e Rodrigo foram viver em BH. Como sempre gostaram da ideia de morar no mato, ter horta, cachorro e uma vida mais tranquila e simples, começaram pela escolha de uma casa, e não de um apartamento. Ainda assim, a proposta que queriam não era bem essa. Além do medo da violência, tinham pouca privacidade e sossego. Foi por isso que se mudaram para Macacos e, depois, para Santa Luzia. E garantem que não vão parar por aí: talvez uma fazenda de verdade ou uma cidade de interior. "São formas de termos a qualidade de vida doméstica que gostaríamos. É o que achamos melhor. Sei que não é para todo mundo, mas está de acordo com os nossos valores", diz Clarice (foto: Cláudio Cunha/Encontro)


Gerenciar a casa também se torna ainda mais necessário quando os serviços estão mais distantes e com acesso complicado. Supermercado, farmácia, lavanderia, tudo fica um pouco mais difícil, especialmente em lugares aonde o delivery não chega. A distância se torna mais pesada quando é preciso ir e voltar várias vezes por dia ou desviar do caminho para resolver alguma urgência. E não há a possibilidade de se pedir uma pizza caso não haja nada na geladeira, ou de mandar entregar um remédio, se a dor estiver incomodando o suficiente para se querer evitar o deslocamento. Lembrando que velas são fundamentais, pois a energia elétrica ainda costuma cair nessas regiões mais afastadas.

Ainda assim, Clarice e Rodrigo não pensaram num apartamento na cidade nem por um instante. “É claro que gostamos de restaurante, de festa, de cinema, e frequentamos menos do que gostaríamos. Mas é em prol de uma vida diária com mais qualidade”, diz Clarice.

Nem pequenos sustos fazem os amantes do campo desistirem do sonho de tranquilidade e bem-estar. Quando estava grávida de Luiza, hoje com 11 meses, a empresária Nathalia Gonzaga passou mal e seu marido, o arquiteto de sistemas Gustavo Gonzaga, teve de levá-la com urgência ao hospital. O problema é que eles estavam em Casa Branca, onde moram desde 2013. Deu tudo certo no episódio, mas serviu de alerta para o casal em relação à filha, especialmente quanto a pequenos acidentes domésticos ou até picadas de bichos. “Viemos porque procurávamos uma vida mais simples, bem pé no chão, com contato mais real com as pessoas e longe do bombardeio de informação que a cidade proporciona. E conseguimos”, diz Gustavo. Talvez por isso, Luiza continue com a liberdade de brincar na horta e ser levada em passeios até a cachoeira próxima à casa dos pais. E também porque Gustavo tenha decidido se desfazer de um de seus negócios em BH: venderam recentemente uma delicatéssen para focarem no estilo de vida com o qual se comprometeram.

Samuel Gê/Encontro
A primeira experiência de Silvana com mato tinha sido aos 30 anos, quando saiu do emprego como analista de sistemas e foi gerenciar a pousada de um amigo em Ilha Grande. De lá, foi para a França, onde descobriu a gastronomia e conheceu o marido, Philippe. Já o francês não havia tido nenhuma experiência natureba antes na vida, quando decidiram abrir uma pousada em Morro de São Paulo, na Bahia. "Para mim não foi tão chocante", conta Silvana. "Já para ele, que saiu de Paris direto para Morro, foi necessária maior adaptação", diz. Não demorou para Philippe adorar. "Vejo que há pouca coisa, de fato, que gosto de fazer na cidade. Talvez eu tenha ficado até mais pacato que ela", afirma o francês. Não à toa, instalaram-se em Macacos e abriram um restaurante em BH. "Aqui é tudo diferente: ar, silêncio, tranquilidade. A Lara curte procurar coisas inéditas, descobre coisas novas a cada dia", diz ele (foto: Samuel Gê/Encontro)


Para o psicólogo Gustavo Teixeira, uma das necessidades básicas do ser humano é pelo contato com a natureza, algo que traz bem-estar e qualidade de vida. “Pessoas descrevem que isso faz a diferença, tanto que se vê um movimento forte de gente indo para praças, parques, lugares de sossego e com muito verde”, afirma. Ainda segundo Teixeira, o fenômeno de se viver em apartamentos é recente, considerando a história da humanidade, e, ao mesmo tempo que temos o desejo do social, temos o de contato com a natureza, de ter espaço e liberdade.

O arquiteto Carlos Alexandre Dumont, mais conhecido como Carico, percebeu essas vantagens há décadas. Comprou uma casa na região de Nova Lima há 25 anos e mora lá com sua mulher, a estilista Elisa Atheniense, há 15. Nas reformas que fez no imóvel, decidiu não mexer com jardinagem. “A casa é natural, inserida nas copas de árvores”, explica Carico. De fato, a suíte do casal tem algumas paredes de vidro que dão a sensação de se estar, literalmente, numa casa na árvore.

O sossego, a temperatura quatro graus mais baixa que a de BH e a mata tombada de um milhão de metros quadrados bem próxima à casa influenciam o comportamento do casal. Difícil sair de lá para qualquer coisa que não seja o trabalho. Elisa, que viaja muito, diz que volta para lá, coloca uma roupa confortável e não sai nem por decreto. “É um prazer indescritível morar e acordar no silêncio. Eu amo este lugar”, diz. Difícil mesmo é não se inspirar nos exemplos e se sentir também atraído.

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