Cadê a blitz?

As operações fixas vêm perdendo espaço para as itinerantes, em que policiais à paisana se misturam a frequentadores de bares para identificar motoristas que fazem uso de álcool. Segundo o Detran, o resultado tem sido melhor

por Rafael Campos - Encontro BH 16/07/2015 14:18

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Cláudio Cunha/Encontro
Policiais à paisana circulam por bares e restaurantes da cidade: o alvo são frequentadores que bebem e pegam o volante (foto: Cláudio Cunha/Encontro)
As pessoas que bebem e pegam o volante podem até achar que as blitzes da Lei Seca não estão tão severas. Não se veem mais com a frequência de antes as grandes operações envolvendo policiais militares, civis, guardas municipais e agentes da BHTrans, que metiam medo nos motoristas. O cenário pode até gerar uma sensação de impunidade, deixando o caminho aberto para os infratores. Balanço da Campanha Sou pela Vida, Dirijo sem Bebida, da Secretaria de Estado de Defesal Social (Seds), revela que, de fato, o número de abordagens diminuiu em relação ao ano passado: 27,7 mil motoristas foram abordados, de janeiro a junho de 2014, contra 22,8 mil no mesmo período deste ano, o que representa uma redução de 17%.

Entretanto, o delegado Anderson Alcântara, coordenador de operações especiais do Detran-MG, avisa que o cerco aos motoristas embriagados não se afrouxou. "Os condutores estavam burlando as operações fixas, principalmente com o uso de aplicativos. Tivemos de lançar mão de outras estratégias", diz. Os aplicativos de celulares, como o Waze, que pode ser utilizado para informar o endereço das operações, ainda é um dos principais vilões dessas operações, segundo o delegado.

Por isso, de acordo com Alcântara, o uso de policiais à paisana nos arredores de bares e restaurantes passou a fazer parte das operações itinerantes, iniciadas no fim de 2014. Eles ficam atentos aos frequentadores para identificar quem fez uso de bebidas e, em seguida, pegou o volante. Esses agentes então passam os dados do carro para policiais militares que estão nas redondezas e flagram o infrator.

Alexandre Rezende/Encontro
Anderson Alcântara, coordenador de operações especiais do Detran-MG: "Os condutores estavam burlando as operações fixas, com o uso de aplicativo. Tivemos de lançar mão de outras estratégias" (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
Em pontos fixos, a ideia é pulverizar as operações com aparato menor, contudo, segundo ele, não menos eficazes. "Neste ano, 456 motoristas foram presos pelo crime de embriaguez ao volante", afirma. Uma média de 76 infratores por mês. O delegado do Detran-MG avisa que o serviço de inteligência do órgão vai iniciar um levantamento dos condutores reincidentes, inclusive, os já flagrados e que tiveram a habilitação recolhida, mas que continuam dirigindo. "Vamos tirar esse tipo de motorista de circulação", diz. Em 2014, foram abertos cerca de 50 mil processos contra condutores transgressores na cidade.

O tenente-coronel Cássio Eduardo Soares, comandante do Batalhão de Polícia Militar de Trânsito, também explica que a redução no número de abordagens não significa menor fiscalização. "Nossa ação está mais qualificada, baseada em informações e estudos", diz. De acordo com o tenente-coronel, as operações itinerantes são direcionadas às regiões boêmias, como a Centro-Sul, contudo, o bairro Cidade Nova, na região Nordeste, e Ouro Preto, na Pampulha, por exemplo, também recebem atenção especial dos policiais. O militar explica que diariamente são realizadas operações que fiscalizam de tudo, e o condutor só é convidado a soprar o bafômetro se demonstrar sintomas de estar alcoolizado. "As blitzes voltadas especificamente para cumprir a Lei Seca são realizados nos fins de semana", diz o militar.

A professora Cláudia Lins Cardoso, do Departamento de Psicologia da UFMG, acredita que as estratégias das autoridades de trânsito devem vir acompanhadas de um trabalho educativo. "Tem de haver uma conscientização maior para que as pessoas saibam que beber e dirigir é errado. Essas ações das polícias são importantes, mas e as pessoas que bebem numa festa em casa, por exemplo? Não tem como vigiá-las", afirma. De acordo com a especialista, a conscientização deve vir desde cedo. "As crianças são os principais fiscais dos adultos." O delegado Anderson Alcântara reconhece que são válidas as ações educativas, por isso, vai incorporar, no conjunto de estratégias, ações de conscientização em áreas cujas operações são frequentes. Além disso, a ideia é estreitar os laços com associações de bares, escolas e universidades.

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