Reinvenção do tradicional

Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes, o mais conhecido de MG, passa por mudanças, mas não perde foco em apresentar heranças culinárias e novas tendências

por Aline Gonçalves 10/08/2015 14:10

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Leandro Couri/EM/D.A. Press
Nas duas praças da cidade, aulas gratuitas e estandes de restaurantes atraem o público: cerca de 40 mil pessoas são esperadas neste ano (foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)
Os chefs franceses estarão lá. Os jantares especiais continuam. Há pratos sofisticados e aulas. Olhando assim, parece que o Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes não mudou tanto. Só parece. Apesar das semelhanças com as versões anteriores, quando a 18ª edição tiver início, no dia 21 deste mês, será possível notar que a iniciativa passou por várias alterações.

O objetivo dessas transformações é a maior integração do evento à cidade. Para conseguir isso, a programação terá novos cursos, vários deles interativos, como os do Espaço Experiência, onde chefs e sommeliers vão mostrar preparo de pratos e harmonizações. Ainda haverá ampliação no número de estandes de receitas oferecidas nas duas principais praças da cidade - o Largo das Forras e o Largo dos Chefs. Também foram criados roteiros gastronômicos rurais, para que os visitantes possam conhecer produtores que trabalham no entorno do município.

Os jantares especiais, antes realizados em pousadas, seguem o modelo de 2014 e ocorrem nos restaurantes locais. Neste ano, além de Trattoria Via Destra, Pacco & Bacco e Angatu, servirá como base o Kitanda Brasil, da chef Tanea Romão, contabilizando, assim, 16 eventos. A grande diferença é que, desta vez, os chefs "anfitriões" vão cozinhar ao lado dos convidados. Além disso, outros estabelecimentos da cidade ofertarão cardápios especiais durante a iniciativa. "Quanto mais Tiradentes estiver envolvida, mais desenvolvimento gastronômico ela terá durante o ano inteiro, não só durante o evento", diz o organizador do festival, Rodrigo Ferraz. "Hoje nos voltamos para o Brasil e investimos em educação além das atrações", explica, fazendo referência à Expedição Fartura Gastronomia, que, ao longo dos últimos quatro anos, rodou 130 cidades, de 21 estados.

Entre 2014 e 2015, a expedição passou por Maranhão, Goiás, Tocantins, Pará e Piauí. Desses lugares, vêm os ingredientes e alguns dos chefs que participarão desta vez. Para selecioná-los, o curador gastronômico Rusty Marcellini experimentou diferentes sabores. "Eu me surpreendi com o Tocantins, um lugar que não conhecia", diz Marcellini. "Imaginava que seria parecido com Goiás, mas vi que eles têm uma cultura própria. Por exemplo, não consomem tanta carne como os goianos, mas usam muito peixe", diz.

Baunilha do cerrado (de Goiás), queijo de búfala (do Marajó/Pará), cajuína (suco comum no Piauí) são alguns itens que Rusty encontrou - e que o público pode esperar ver em Tiradentes. Muitos serão levados pelos próprios produtores, como Nazareno Alves, de Belém, que falará sobre o peixe com açaí, comum no Norte do país. "Ao trazer a culinária de outros estados, mostramos aos mineiros que o Brasil é grande e que Minas tem potencial para se desenvolver no turismo gastronômico", diz Rusty.

Além dos chefs que a expedição conheceu, como Daniela Martins (Lá em Casa/PA) e Rosa Nunes (Cabana do Lago/TO), estão confirmados nomes famosos da gastronomia nacional, como Manu Buffara (Manu/PR), Rafa Costa e Silva (Lasai/RJ) e Rolland Villard (Le Pré Catelan /RJ). Uma das responsáveis pelos jantares do dia 28, Márcia Pinchemel (Antonia Bistrô/GO) vai trazer produtos típicos do cerrado.  Natural da Bahia, ela trilhou sua trajetória gastronômica em Goiás. "A minha bandeira são os frutos e meu rei é o baru. Por isso, vou servir um prato que é o surubim com cagaita, batata-doce, gengibre, arroz negro com baru e raspas de limão-siciliano", diz.

Proprietário do restaurante Angatu, que vai receber, além de Márcia, outros quatro profissionais, o chef Rodolfo Mayer comemora as mudanças que trouxeram os jantares para dentro dos restaurantes. "O público ficou satisfeito. O jantar ficou intimista", diz. Para ele, que defende o uso de produtos brasileiros, a experiência de cozinhar com outros é importante. "Essa troca de informações é bacana, porque é difícil ter contato com tantas culturas gastronômicas diferentes, ainda mais em duas semanas", diz Rodolfo.

França mais perto de Minas

Fotos: Geraldo Goulart e Eugênio Gurgel/Encontro
Intercâmbio de sabores e de conhecimento: chefs Leonardo Paixão, Ivo Faria, Rodolfo Mayer e Frederico Trindade foram os escolhidos para levar ingredientes mineiros ao festival em Mougins (foto: Fotos: Geraldo Goulart e Eugênio Gurgel/Encontro)
Uma grande novidade desta edição do Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes será o intercâmbio inédito com outro evento. Quatro chefs mineiros participarão da 10ª edição do Festival L’Etoile de Mougins, na cidade de Mougins, Sul da França, em setembro, enquanto franceses virão para Tiradentes na última quinzena de agosto. A ideia dessa troca partiu de uma sugestão do chef Ivo Faria, do restaurante Vecchio Sogno, que foi ao evento francês em 2013 e apontou semelhanças em relação ao tratamento dado aos produtos e aos chefs, em ambos, com a valorização da culinária nacional.

Além de Ivo, os representantes brasileiros serão Leonardo Paixão (Glouton/BH), Fred Trindade (Trindade/BH) e Rodolfo Mayer (Angatu/Tiradentes). "Cada um de nós dará uma aula com temáticas diferentes. Eu vou falar da mandioca e vou fazer uma sobremesa com esse ingrediente, que será um cuscuz. Será uma aula demonstrativa e com degustação", explica Rodolfo. Além disso, o quarteto irá apresentará um prato preparado em conjunto durante um jantar.

Antes, em Tiradentes, os chefs franceses Xavier Burelle (Hôtel de Mougins), Laela Mouhamou (La Brasserie de laMéditerranée), Emmanuel Ruz (Lou Fassum) e Serge Chollet (Le Moulin de Mougins) assinarão jantares e ministrarão aulas.

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