E aí, Raul?

Moradores e comerciantes reclamam de insegurança e mau uso da praça Raul Soares, um dos símbolos da cidade. Sete anos após ser reinaugurada, bancos e postos de iluminação estão danificados e a fonte, desligada

por Rafael Campos - Encontro BH 20/08/2015 16:37

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Paulo Márcio/Encontro
A praça Raul Soares em dois momentos: hoje, com a fonte desligada e o lago sendo usado para banhos e em 2008 (dir.), logo após a revitalização (foto: Paulo Márcio/Encontro)
La Primavera, do compositor italiano Antônio Vivaldi, marcou a reinauguração da praça Raul Soares, em 2008. A bela fonte luminosa, em estilo art déco, voltava a funcionar, com grande número de pessoas acompanhando a cerimônia que entregava oficialmente as melhorias de um dos lugares mais tradicionais da cidade. Sete anos depois, o som está mais para uma orquestra desafinada. A praça não é mais a mesma daquele dia. Uma série de problemas é facilmente identificada, como sujeira, postes de iluminação e bancos danificados. Muitos frequentam o local para consumir drogas livremente, e moradores de rua estão espalhados pelos canteiros, com carrinhos de compras e colchões, e utilizam da água do lago – que antes jorrava da fonte, agora desligada – para tomar banho e lavar roupa. O gramado dos canteiros serve de espaço para secá-las. Tudo isso, em plena luz do dia.

A reforma, que levou 10 meses, custou R$ 2,6 milhões aos cofres públicos, mas a deteriorização impede que hoje a praça cumpra a função de ser espaço de convivência e descanso. “A situação daqui é bem constrangedora. Há pessoas que  fazem deste lugar a casa delas. Às vezes, queremos descansar, ler um livro ou namorar por aqui, mas não dá. Sem falar do mau cheiro”, diz a consultora de moda Fernanda Teixeira Carvalho.

Para diminuir a sensação de insegurança, o major Rodrigo Piassi, comandante da 5ª Companhia da Polícia Militar, anunciou a instalação de uma base comunitária móvel da PM no local nos horários de maior movimento. “Vamos trabalhar em parceria com a Guarda Municipal para restabelecer a importância da praça Raul Soares”, diz o major.


Paulo Márcio/Encontro
Problemas se acumulam: muitos bancos depredados e moradores de rua tomam vários canteiros da praça, o gramado também é usado para secar roupas (foto: Paulo Márcio/Encontro)
Para Fausto Izac, coordenador do Conselho Regional da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) do Barro Preto, a situação já passou dos limites. “Virou um acampamento de pessoas. Desfavorece os negócios da região, um polo de moda”, afirma ele, que já encara como rotina notícias de tráfico de drogas e até de prostituição na praça. “À noite, vira terra de ninguém.” Fausto Isac não consegue mensurar a queda nas vendas, mas diz que é visível que os clientes se sentem intimidados por terem de atravessar o lugar.

A assessoria da Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Patrimonial da PBH informou que, atualmente, três guardas municipais fazem a vigilância da Raul Soares. Ainda de acordo com o órgão, não é crime tomar banho – sem se despir – ou lavar roupa na fonte luminosa, mas, se qualquer pessoa for flagrada depredando o patrimônio ou consumindo drogas ilícitas, será presa e conduzida à delegacia.

Marcelo de Souza e Silva, secretário da regional Centro-Sul da prefeitura, diz que está atento aos problemas do local, entre eles, a presença ostensiva de moradores de rua. “É feito um acompanhamento sistemático das pessoas que ficam na praça, a fim de promover a inserção delas na rede de serviços socioassistenciais. Em nenhuma hipótese é feita a retirada compulsória”, afirma.

Ainda de acordo com o secretário,  objetos que obstruam a passagem dos pedestres são retirados, entretanto, preservando os direitos da população em situação de rua, previstos em lei. Sobre os bancos danificados, informa que há levantamento dos reparos necessários para a manutenção, a exemplo dos postes de iluminação.

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