Nana, neném...

Quando a criança não consegue cair no sono, os pais também sofrem com noites maldormidas. Especialistas dão dicas para lidar com o problema

por Daniela Costa 13/10/2015 17:57

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Geraldo Goulart/Encontro
A professora Thais Canhestro, mãe de Arthur, de 1 ano, e de Bernardo, de 4, sofre com a insônia do caçula: "Canto músicas, leio historinhas, mas agora estou pensando em partir para a homeopatia" (foto: Geraldo Goulart/Encontro)
As cantigas de ninar passam de geração para geração. Mas, ao longo do tempo, outros métodos vão sendo adotados para ajudar na hora de fazer as crianças dormirem. O problema é que, quando o sono não vem, verdadeiras batalhas noturnas são travadas. De um lado, pais exaustos, ansiosos para descansar após longas jornadas de trabalho. Do outro, crianças irritadas, muitas vezes sonolentas, mas que não conseguem pregar os olhinhos. Um processo sofrido, que algumas vezes só é solucionado nos consultórios médicos. "Muitos pais nos procuram para verificar se os filhos possuem distúrbio de sono. Algumas causas realmente influenciam, entre elas, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), a síndrome das pernas inquietas, as obstruções nasais e até mesmo questões psicológicas como medos e traumas", diz a médica Ana Christina Mageste, psiquiatra da infância e adolescência.

A professora Thais Canhestro, de 37 anos, mãe do Arthur, de 1 ano, e de Bernardo, de 4 anos, sofre com a insônia do caçula. "Ele acorda a noite inteira e dorme pouco durante o dia. Já o Bernardo passou a dormir bem somente após os 2 anos. Canto músicas, leio historinhas, mas agora estou pensando em partir para a homeopatia", diz Thais. Ter uma boa noite de sono é fundamental para garantir o bem-estar e o desenvolvimento da criança. É no período noturno que alguns hormônios são liberados, entre eles, o hormônio de crescimento (GH). Estudos apontam que até os 18 anos o sono é importante para a formação dos órgãos, ossos e músculos, em especial, o desenvolvimento neurológico. "Por isso é tão importante criar uma rotina de modo que a criança durma sempre antes das 22h", diz a psiquiatra.

Samuel Gê/Encontro
A pequena Beatriz, filha da fisioterapeuta Nayara Lima, briga para não dormir: "Às vezes saio e dou uma volta com ela de carro para ver se ela pega no sono", diz Nayara (foto: Samuel Gê/Encontro)
Além disso, entre 19h e 20h, a produção do hormônio melatonina, responsável pela regulação do sono, sobe e a adrenalina desce, tornando-se mais fácil fazer a criança dormir nesses horários. A fisioterapeuta Nayara Campos Luiz de Lima, de 27 anos, está preocupada com a filha Beatriz, de 4 anos. Apesar de praticar várias atividades durante o dia, a pequena briga para não dormir e acorda no mínimo duas vezes durante a madrugada. Isso quando não foge para o quarto dos pais. "Às vezes, saio e dou uma volta com ela de carro, para ver se pega no sono", diz Nayara.

O que muitos pais desconhecem é que simples mudanças de hábitos podem trazer grandes benefícios para a família. Entre os erros mais recorrentes, estão a falta de rotina, permitindo que a criança fique acordada até tarde e durma menos do que precisa, por acreditar que é normal.  "Na maioria das vezes, as crianças são sedentárias e convivem pouco com os pais. Consequentemente, quando chega a hora de dormir, armazenam energia excessiva e ficam ansiosas", diz a pediatra Lais Valadares. Realizar a chamada higiene do sono é o primeiro passo para melhorar o processo. Para isso, criar uma rotina é fundamental, estabelecendo o horário exato de a criança ir para a cama e preparando o ambiente para que ela se acalme. Medidas como diminuir o ritmo da casa, apagar as luzes, evitar barulhos excessivos, dar alimentação nos horários certos influenciam diretamente para uma boa noite de sono.

Leo Araujo/Encontro
A bancária Fernanda Alves Pereira, mãe de Arthur, de 8 meses, e João Victor, de 5 anos, estabelece rotina que funciona: "A partir das 20h, evito movimentos agitados e coloco um filme leve ou desenho" (foto: Leo Araujo/Encontro)
Apesar da rotina pesada, a bancária Fernanda Alves Pereira, de 37 anos, estabelece regras que segue à risca. Mãe de Arthur, de 8 meses, e de João Victor, de 5 anos, não sofre com noites maldormidas. "Sempre adotei um ritmo muito tranquilo com os meninos, e isso se reflete no comportamento deles. A partir das 20h, evito movimentos agitados, coloco um filme leve ou desenho e após a oração já estão caindo de sono", conta Fernanda.

Canções de ninar, filmes e livros infantis são mesmo grandes aliados dos pais. A novidade é que agora existem obras que sugerem novas técnicas para fazer a criança dormir. "Esses exemplares utilizam técnicas da neurolinguística e alguns trazem excelentes dicas para os pais", diz a psiquiatra infantil Ana Christina Mageste. Entre, eles, o livro O que Fazer quando Você Não Consegue Dormir, de Dawn Huber. No topo da lista dos mais vendidos no Reino Unido, o livro intitulado no Brasil O Coelho que Queria Muito Adormecer: Uma Nova Forma de Ensinar as Crianças Adormecerem, de Carl-Johan Forssén Ehrlin, induz um novo modelo de leitura. A sugestão do autor é interpretar a história de maneira ritmada e enfatizando as palavras. O foco é na audição, já que a orientação é para que as crianças não vejam as gravuras. A leitura personalizada, com o nome da criança no lugar do personagem, é outra dica.

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