Funciona, mas há riscos

Praticar atividades aeróbicas em jejum está se tornando comum entre aqueles que querem perder gordura de forma rápida. Mas o método é polêmico e divide opiniões

19/11/2015 15:10

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Samuel Gê/Encontro
A psicóloga Marcelle Bitarães perdeu gordura, mas também massa magra. Mesmo assim, acha que valeu a pena: "Alcancei minha meta" (foto: Samuel Gê/Encontro)
O relógio desperta pela manhã e, no lugar de se preparar para tomar aquele café da manhã reforçado, muitas pessoas têm feito um movimento contrário. Elas passam longe da cozinha e apostam na prática do aeróbico em jejum. Os adeptos do método alegam que é uma forma efetiva de queimar gordura, já que, depois de um longo período de jejum, os níveis de insulina estão baixos e as reservas de gorduras, desprotegidas. Momento que seria ideal para usar a própria gordura como fonte de energia. "Durante o sono, o corpo utiliza quase toda a reserva de glicogênio armazenada e, ao praticar atividade física em jejum, o organismo busca energia na própria gordura", explica o educador físico Márcio Soares.

A proposta é tentadora, mas também polêmica. Isso porque as energias gastas pelo organismo durante o sono para manter funções básicas como circulação, respiração e batimentos cardíacos não são repostas adequadamente, e outras tantas ainda são consumidas durante a atividade física. Isso pode gerar efeitos colaterais como tonteira, mal-estar, dor de cabeça e até desmaios, além da temida perda de massa magra, quando, em vez de se eliminar gordura, perde-se massa muscular. "A fonte primordial para a prática de exercícios físicos é o carboidrato. Na sua falta, o organismo usa a energia que está no músculo para supri-lo", diz a nutricionista Juliana Gresta. Daí a importância de ingerir alimentos ricos em carboidratos complexos antes de malhar. "Os mais indicados são os integrais ou ricos em fibras, porque auxiliam para que a energia seja absorvida gradativamente durante o treino", diz a nutricionista.

Geraldo Goulart/Encontro
A modelo Jéssica Marcelle é contra o métódo: "Tive uma queda de pressão e desmaiei. Hoje, só malho após me alimentar corretamente" (foto: Geraldo Goulart/Encontro)
Para Danusa Dias Soares, doutora em fisiologia do exercício da UFMG, o desjejum é fundamental para manter o nível de glicose no corpo. "Do ponto de vista bioquímico, precisamos de uma quantidade de glicose adequada nas células do músculo para então praticar atividades. A perda de peso do aeróbico em jejum é uma ilusão, porque, além de desidratar, o organismo também perde massa magra", diz. O educador físico Diogo Fiorini, da Companhia Athletica, também não indica o método. "Além dos riscos que se corre, o desempenho que se tem é muito menor. Uma pessoa alimentada rende muito mais", diz.

A  psicóloga Marcelle Bitarães, de 24 anos, praticou durante um mês e meio. Mesmo tendo reduzido o percentual de gordura, observou que também perdeu massa magra. Ainda assim, acha que valeu a pena. "Alcancei a minha meta", diz. Já a  modelo Jéssica Marcelle, de 24 anos, é exemplo de quem decidiu malhar em jejum e se arrependeu. "Tive uma queda de pressão e desmaiei. Hoje, só faço  atividade física após me alimentar corretamente", diz.

Victor Schwaner/Encontro
A psicóloga Mariana Brant segue as orientações à risca e não abre mão da hidratação: "Tomo bastante água antes e durante o treino. Perdi 8% de gordura" (foto: Victor Schwaner/Encontro)
Diante do dilema, o que fazer? Alguns especialistas orientam que o aerobico em jejum pode ser praticado, mas com precaução e acompanhamento profissional. "Pessoas sedentárias, hipertensas ou que sofrem de diabetes ou obesidade, por exemplo, não podem", explica o educador físico Márcio Soares. Por isso, quem quer aderir à prática precisa antes recorrer ao médico para verificar suas condições e sempre manter o acompanhamento.  "O método é muito utilizado por atletas de elite, que já têm ritmo intenso de treinamento", diz Marcus Ávila, nutricionista esportivo do Instituto Mineiro de Endocrinologia.

Para se obter um resultado positivo, outra dica é não comer imediatamente após a atividade aeróbica, pois o organismo continua utilizando a gordura como fonte de energia até 30 minutos depois.

Também não se deve aumentar a intensidade dos aeróbicos em jejum para queimar mais gordura, pois o risco de usar a própria massa muscular como fonte de energia é grande. Antes de praticá-lo não é recomendável ingerir qualquer macronutriente, a indicação é beber apenas água. E não se engane. Ficar horas sem se alimentar durante o dia e ir malhar também não é aeróbico em jejum. Segundo os especialistas, o método só funciona quando praticado após pelo menos oito horas de sono. A  psicóloga Mariana Brant segue as orientações à risca e não abre mão da hidratação. "Tomo bastante água antes e durante o treino. Perdi 8% de gordura, aliando dieta e outras atividades ao método", diz.

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