Menino de Ouro

Em 2015, ele fez história ao se tornar o número 1 do mundo no ranking de duplas do tênis e ainda conquistar título inédito em Roland Garros

por Carolina Daher 06/01/2016 13:45

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Pedro Nicoli/Encontro
Marcelo Melo nas quadras do Minas Tênis, onde aprendeu a jogar para se tornar campeão mundial, neste ano: "Foi muito melhor do que imaginava" (foto: Pedro Nicoli/Encontro)

Ainda menino, quando suas mãozinhas mal conseguiam segurar a raquete, Marcelo Melo já dizia que um dia estaria no topo da lista dos melhores. Adolescente, enquanto os amigos iam para baladas nos fins de semana, o tenista preferia as quadras do Minas Tênis Clube. Atleta de ponta desde muito cedo, nunca perdeu seu foco principal: ultrapassar as fronteiras do país e ganhar o mundo. Chegou lá. Marcelo, ou Girafa, apelido dado graças aos seus 2,03 m de altura, fechou 2015 como tenista número 1 do mundo no ranking de duplas da Association of Tennis Professional (ATP). Para se ter uma ideia, tornou-se o terceiro brasileiro a ocupar o topo da lista, igualando o feito de Gustavo Kuerten, o Guga, em 2001, e Maria Esther Bueno, na década de 1960.


E fez mais. Foi o primeiro tenista a desbancar os irmãos Bryan (os gêmeos americanos são a dupla mais vitoriosa da história do tênis), que dominavam o circuito desde 2003. "A sensação é muito boa, não dá nem para explicar. Esperava um ano bom, mas foi muito melhor do que imaginava", diz. "É o resultado de uma vida inteira de treino e dedicação."

Foi em junho, ao conquistar o inédito título de dupla no saibro sagrado de Roland Garros, que o mineiro percebeu que a chance de transformar seu sonho de garoto em realidade estava mais próxima do que nunca. "Ali, percebi que realmente era possível ser o número 1", diz. Aos 32 anos - 20 jogando como profissional –, conquistou 19 títulos. Nos últimos 12 meses, levantou consecutivamente os troféus de primeiro lugar no ATP 500 de Tóquio, Masters 1000 de Xangai, ATP 500 de Viena e Masters 1000 de Paris. Virou o rei do pedaço. Até o sérvio Novak Djokovic, melhor tenista individual da atualidade, rendeu-se a seu talento. "Parabéns à superestrela brasileira", disse, em vídeo postado em seu perfil numa rede social. "Ele está preparando bons momentos de diversão para nós, no Rio de Janeiro, em 2016", completou Djokovic, referindo-se aos Jogos Olímpicos, que acontecem no segundo semestre no Brasil.

Jogando em casa, Marcelo quer mesmo fazer bonito. "Não é qualquer um que pode disputar uma Olimpíada em seu próprio país. Uma medalha de ouro seria o melhor presente que poderia ganhar em 2016", diz. Mas sente também o peso da responsabilidade. E carregou nos treinos. Nos raros momentos em que não está nas quadras, o número 1 do mundo gosta de coisas simples. Passa horas assistindo a filmes de aventura ou suspense no computador. Também não resiste à feijoada preparada pela mãe, Roxane Melo, normalmente compartilhada com os amigos no apartamento da família, no bairro Santo Antônio, na capital mineira, sua terra natal. "É uma pena que só dá para comer de vez em quando", diz. Agora, é pedir para dona Roxane caprichar na receita. O Brasil quer ver, afinal, o nosso Marcelo  no topo do pódio em 2016. Para depois comemorar do jeito que mais gosta, com seus amigos estrangeiros do mundo do tênis, em casa, comendo o tempero que só mãe sabe dar a uma boa feijoada.

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