Ele não sabe perder

Aos 38 anos, ele foi eleito um dos jovens CEOs de maior destaque no país em 2015. Enquanto a indústria da construção civil passa por crise, a empresa que dirige cresceu 20%

por Carolina Daher 06/01/2016 14:01

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Samuel Gê/Encontro
Marcelo Miranda em um dos canteiros de obra da empresa, em Contagem: "Meu propósito é transformar a construção no Brasil" (foto: Samuel Gê/Encontro)
Com quase dois metros de altura, Marcelo Miranda queria ser jogador de vôlei. Começou a treinar aos 8 anos, no Minas Tênis Clube. Chegou a conseguir uma vaga na seleção pernambucana, no tempo que morou no Recife. Era o capitão do time, apesar da personalidade introspectiva. É do tipo que consegue liderar em silêncio, sempre com foco no resultado. "Sou muito competitivo, não gosto de perder", diz. Aos 17 anos, veio o dilema: continuar no esporte ou investir em outra carreira? Chegou a cogitar medicina. Seu teste vocacional deu publicidade. Acabou seguindo os passos do pai e entrou para o curso de engenharia civil. Mas, desde as primeiras aulas no campus da UFMG, viu que não queria passar a vida fazendo cálculos e assinando projetos. "Gostava mesmo de reunir pessoas e fazê-las alcançar objetivos, como um time", diz. "Decidi investir na carreira de gestor."


Ele fez a escolha com a cabeça de um bom engenheiro: tudo muito calculado. Aos 38 anos, há cinco como presidente da Precon Engenharia, fez o faturamento da empresa crescer 20% neste ano, quando deve atingir 260 milhões de reais. No mesmo período, a indústria da construção no país registrou queda de quase 10%, segundo o IBGE. Marcelo, contudo, não tem do que reclamar. A despeito do pessimismo que toma conta do setor, ele planeja crescer mais 30% somente em 2016. Por tudo isso, foi eleito pela revista Forbes, neste ano, um dos 10 CEOs com menos de 40 anos de maior destaque do país.  Desde que assumiu a Precon Engenharia, em 2010, ela multiplicou cinco vezes de tamanho e recebeu diversos prêmios, entre os quais o de "Melhores Empresas para se Trabalhar" em Minas e no Brasil.

O executivo iniciou sua carreira na Andrade Gutierrez, em 1997, como estagiário. Com 23 anos, foi para a MRV, onde chefiava 70 pessoas. Saiu de lá para dirigir a área financeira da indústria de engenharia Caenge. Em meio às experiências profissionais, achava tempo para carimbar o currículo com cursos de especialização em finanças e em mercado imobiliário na Universidade de Harvard; de empreendedorismo na Universidade de Columbia e de inovação na Singularity University, além de MBA na Universidade de Stanford, no Vale do Silício, na Califórnia. "Foi fundamental estudar fora, porque a cultura de empreendedorismo é muito mais difundida que no Brasil", diz. "Lá, as pessoas acreditam que podem transformar o mundo e pensam grande para fazer isso."

Foi com esse espírito que o executivo ajudou a Precon, empresa cinquentenária, referência em estruturas pré-fabricadas, a colocar no mercado um produto diferenciado de construção, que permite erguer um prédio de oito andares em até 40 dias, produzindo 85% menos resíduos que uma obra convencional. O novo produto caiu como luva no programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal. Em apenas três anos, a Precon já entregou 3.500 apartamentos, tem 1.500 em construção e mais 2 mil para serem lançados, todos em BH.

Em 2015, novas conquistas: no início de dezembro, ele assumiu a presidência do grupo Precon, que engloba as empresas de engenharia e de material de construção. E a companhia acaba de ser aprovada pela Finep, agência brasileira de inovação, para receber cerca de 25 milhões de reais. O dinheiro destina-se ao desenvolvimento de novas tecnologias sustentáveis. "Quero transformar a construção no Brasil", afirma o ex-ponteiro de vôlei. "Antes, eu cortava a bola, agora minha especialidade é cortar custos."

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