Um homem de fé

Aos 41 anos, ele assumiu a presidência do sindicato que reúne os maiores empreiteiros do estado. Tornou-se o mais jovem a ocupar o cargo, nas últimas três décadas

por Carolina Daher 06/01/2016 15:14

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Pedro Nicoli/Encontro
Emir Cadar Filho, na sala da presidência do Sicepot: "A primeira coisa que fiz ao entrar aqui foi rezar. Pedi proteção para o novo desafio" (foto: Pedro Nicoli/Encontro)

O jovem da foto ao lado, Emir Cadar Filho, 41 anos, foi eleito neste ano presidente de um dos mais tradicionais e importantes - do ponto de vista econômico - sindicatos empresariais de Minas Gerais, o da Construção Pesada (Sicepot-MG), que representa os interesses de 320 empreiteiras do estado. A figura destoa daquela que o imaginário popular costuma ver associada a líderes sindicais, normalmente senhores de longa experiência profissional, evidenciada pelos cabelos brancos.

Ele é o mais jovem empresário a ocupar o posto de presidente do Sicepot, nas últimas três décadas. Não se trata apenas de uma mudança de rosto. Mudaram também o estilo e a forma de agir no velho sindicato. Emir Cadar Filho galgou o posto graças a seu estilo conciliador e firme. Sua ascensão pode ser explicada, em parte, graças à intimidade dele com  o ambiente. Frequenta os corredores do sindicato desde muito novo, acompanhando o pai, Emir Cadar, que foi presidente da mesma instituição entre os anos de 1994 e 1999. Aos 30 anos, Emirzinho - como é chamado - fez sua estreia como dirigente sindical ao ocupar os cargos de diretor e depois de vice-presidente de obras rodoviárias. Em junho deste ano tornou-se presidente. "A primeira coisa que fiz foi pedir proteção a Deus para o novo desafio."

Emir Filho assume num momento delicado e em meio a uma das maiores crises econômicas e políticas do país. Para piorar, as empresas do setor amargam, em média, queda de 50% no faturamento, e não param de demitir. Foram mais de 60 mil trabalhadores, só nos últimos 12 meses. Ele assumiu com o desafio de equacionar uma dívida de mais de 380 milhões de reais que o estado havia contraído com as empresas do setor, somente em 2015. De imediato, chamou o governo para uma conversa. Conseguiu receber parte do valor. "Diferentemente do que a maioria pensa, as construtoras não têm caixa para aguentar um atraso de pagamento", afirma.

Emir também enfrenta outra crise, moral. Desde o início da Operação Lava-Jato, pelo menos 20 executivos das maiores empreiteiras do país foram presos, acusados de corrupção em contratos com a Petrobras. "A grande maioria das empresas é séria", afirma. "Mas, como em qualquer outro setor, temos os bons e os maus profissionais."

O dirigente sabe que o cargo exige pulso forte e persistência. Isso ele tem de sobra. Atleticano inveterado, é conselheiro benemérito do clube e viu seu time atravessar momentos penosos. Mesmo assim, ele nunca deixou de ir ao estádio.  É dono de uma coleção com mais de 600 camisas do Galo, todas usadas durante os jogos. Herdou da família a paixão. Emir Cadar (o pai) é presidente do Conselho Deliberativo do Atlético Mineiro. "Do meu pai, carrego mais que o nome", diz. "Pensamos parecido e sempre colocamos o coletivo em primeiro lugar." Desde que assumiu o Sicepot, Emir Filho tem ouvido dos amigos a mesma pergunta: se deseja sentar-se também na cadeira de presidente do Galo (ele é primo de Alexandre Kalil, um dos mais vitoriosos dirigentes do clube). Ele desconversa: "Escuto isso todo dia, mas é muito cedo para falar no assunto". Quem o conhece, contudo, afirma: "Eu acredito!". Afinal, Emirzinho, é tudo uma questão de fé.

Últimas notícias

Comentários