Ele conquistou a nova geração

Um dos principais nomes do Clube da Esquina, ele se uniu a Samuel Rosa, do Skank, em 2015, para a gravação de um CD e DVD. Com mais de 40 anos de carreira, conseguiu se aproximar do público mais jovem

por Carolina Daher 06/01/2016 16:39

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Pedro Nicoli/Encontro
Lô Borges nas escadarias do CBBB, lugar que gosta de frequentar: ele foi inspiração para Samuel Rosa. Hoje são parceiros (foto: Pedro Nicoli/Encontro)
Vizinho da Praça da Liberdade, Lô Borges é frequentador assíduo do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Lá, costuma se sentar em um café e pedir uma limonada suíça com açúcar e bastante gelo. Assim, deixa correr os minutos, observando o movimento. Vez ou outra, um fã se aproxima. Embora Lô, de 64 anos – um dos maiores nomes do Clube da Esquina, movimento musical que marcou a década de 1970 e inovou ao misturar bossa nova ao jazz, rock e instrumental –, seja do tempo do autógrafo, ele não tem tirado muito a caneta do bolso ultimamente. Depois que conquistou uma nova geração de fãs, teve de se render à selfie. O rabisco no papel foi substituído pelo sorriso, tímido, para a câmera.

Esse encontro com o público jovem teve um marco. Foi a partir da parceria com Samuel Rosa, do Skank, em 2015, que deixou de ser conhecido apenas por contemporâneos. O compositor, parceiro de Milton Nacimento no emblemático LP Clube da Esquina, de 1972, e autor de clássicos como Paisagem da Janela e O Trem Azul, tem, desde então, chamado a atenção de uma turma bem mais jovem, que passou a ouvir e cantar suas músicas. "A roda continua girando e fico feliz com essa aproximação ", diz. "Com Samuel tive um encontro especial."

Essa parceria, no entanto, não é recente. Tudo começou há 16 anos, durante um almoço na casa do músico e compositor Chico Amaral, na Mata do Jambeiro, em Nova Lima. O líder do Skank foi agradecer por Lô ter gravado música de sua autoria, Te Ver, em 1996. Samuel é fã confesso de Lô. Não esconde que sua maior inspiração veio ainda menino, quando conheceu o Clube da Esquina através dos LPs de seu pai, Wolber. Frente a frente com o ídolo, pela primeira vez, era hora de declarar a admiração. A emoção tomou conta dos dois e, a partir daí, não se perderam de vista.

Foi assim que Lô, 15 discos lançados, mais de 250 músicas publicadas, algumas delas gravadas por grandes nomes como Elis Regina e Gal Costa, passou a participar de shows com Samuel, esporadicamente. Em 2003, em parceria com Nando Reis, fizeram Dois Rios, gravado pelo Skank. A música caiu no gosto popular e entrou na trilha sonora da novela Mulheres Apaixonadas, da Rede Globo.

Neste ano, a dupla decidiu registrar essa sintonia musical. Em agosto, depois de quatro meses de ensaios, reuniram-se no palco do Cine Theatro Brasil Vallourec, no Centro. O show virou um CD e um DVD, que serão lançados em março. "Esse encontro mostra que em Minas várias gerações se encontram, trocam figurinhas e ideias", diz Lô. O ano foi mesmo atípico, segundo ele define.  "Em 2015, quis ver para onde ia a minha composição", diz. A surpresa: suas músicas foram parar nos fones da garotada.

Agora, Lô e Samuel planejam colocar a viola debaixo do braço e viajar pelo Brasil. "Como diz o Samuel, vamos mostrar o nosso encontro para que isso não seja apenas um fenômeno em Minas Gerais", afirma Lô, que torce para que haja nas cidades por onde planejam viajar refúgios da natureza.

"Adoro ficar em meio à natureza. Sou frequentador assíduo da Serra do Cipó", diz. Mas para os jovens fãs que esperam encontrá-lo naquelas redondezas, um recado: ele dispensa o movimento típico dos feriados. Como todo artista, trabalha nos fins de semana. "Descanso sempre às segundas ou terças-feiras", diz. Melhor mesmo é ficar de espreita nas cafeterias do CCBB.
 

Últimas notícias

Comentários