BH de vários climas

Mangabeiras e Barreiro são as regiões com temperaturas mais amenas da cidade. Já o centro é muito quente. Conheça os microclimas da capital mineira

07/01/2016 15:11

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Jair Amaral/EM/D.A. Press
Lagoa do Parque Municipal, onde a temperatura é amena: um oásis no centro de BH (foto: Jair Amaral/EM/D.A. Press)
Este foi um ano quente. Belo Horizonte, com os seus recém-completados 118 anos, registrou recordes históricos de temperatura, alcançando 37,7° C em 22 de outubro, algo inédito desde 1910, quando começaram as medições. Mas sabia que o calorão pode ser ainda mais intenso em alguns pontos da cidade? Faça um teste. Caminhe da praça Sete, no cruzamento das avenidas Afonso Pena e Amazonas, em direção ao Parque Municipal, na avenida Afonso Pena. Apesar de pouco mais de 700 metros de distância, a variação de temperatura entre esses pontos, ambos no hipercentro, pode chegar a 6° C. E, claro, o ambiente mais fresco será o do parque, que funciona como um dos núcleos frios da capital mineira. Sim, um oásis no centro. O professor Wellington Lopes Assis, climatologista da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), autor de extenso trabalho sobre o clima urbano da capital, explica que fatores como topografia, área construída, vento e presença de água são essenciais para definição das temperaturas locais.

O Parque das Mangabeiras, com 1.163 metros de altitude, na região Centro-Sul, aos pés da Serra do Curral, é o lugar com a média de temperatura mais amena (18,6° C). As regiões onde há menos prédios e mais espaços verdes são as que registram maior conforto ambiental, leia-se: menos sofrimento com as ondas de calor. Além de abrigar a maior área verde da cidade, a topografia do bairro Mangabeiras favorece a passagem de ventos - a média de BH é 860 metros. O Barreiro também registra temperaturas menos intensas em relação ao restante do município, em razão de sua topografia. Lá, há lugares com altitudes acima de 1,5 mil metros.

Rodrigo Clemente/EM/D.A. Press
Praça Sete, no hipercentro: calor provocado pela intensa movimentação de pessoas, veículos, além de prédios (foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A. Press)
De acordo com o especialista, a maneira como a cidade se desenvolveu, a intensa verticalização, sobretudo a partir dos anos 1980, não favoreceram uma harmonia entre o crescimento e a questão climática local. Assim, a verticalização e o trânsito intenso de pessoas e de veículos contribuirão para gerar bolsões quentes. "Dessa forma, quando ocorrem ondas de calor, chamadas de anomalias, a população sofre muito. É  o desconforto térmico", diz. O estudo do professor Wellington identificou três núcleos de aquecimento na capital: hipercentro e suas áreas periféricas, região central de Venda Nova e uma pequena área entre as regionais Pampulha e Noroeste (confira no mapa).

A arquiteta e urbanista Eleonora Saad Assis, coordenadora do Laboratório de Conforto Ambiental da UFMG, explica que não adianta apenas clamar por mais áreas verdes em troca de temperaturas mais baixas. "Esses espaços devem estar em equilíbrio com as áreas construídas", diz. Ela afirma que o efeito de uma área verde é muito localizado, vide exemplo do Parque Municipal, na avenida Afonso Pena, que não consegue fornecer um clima menos árido para todo o hipercentro. A especialista está coordenando a elaboração de um mapa climático de BH. Com base nele será possível reorganizar o crescimento do município levando em conta fatores que impactam o clima, a fim de nortear empreendimentos.

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