Pet no dentista

Os animais de estimação também precisam de tratamentos dentários e pode ser preciso até usar aparelhos. Saiba quais são os problemas mais comuns e como preveni-los

por Daniela Costa 10/05/2016 08:00

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Alexandre Rezende/Encontro
A solução para ajustar a dentição do golden retriever Fred foi adaptar um aparelho ortodôntico: "Em apenas dois meses, o problema já estava resolvido", diz a veterinária Valéria Chaves, dona do animal (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
A dentição bem cuidada é o cartão de visitas do golden retriever Fred, de 9 meses de idade. Mas nem sempre foi assim. O cão sofria com problemas de oclusão, isto é, sua mordida não ocorria da maneira correta. Os incisivos superiores, que deveriam cobrir parcialmente os inferiores na chamada mordida em tesoura, acabavam colidindo, o que provocava o desgaste precoce dos dentes. No caso de Fred, a solução foi adaptar um aparelho ortodôntico para ajustar a dentição. "O tratamento precoce foi fundamental. Logo que percebi que tinha alguma coisa errada, já o levei ao especialista. Em apenas dois meses, o problema já estava resolvido", conta a veterinária Valéria Vieira Chaves, dona do cão. Apesar do incômodo, Fred se adaptou bem ao tratamento e se alimentava normalmente. "Eu apenas tinha o cuidado de limpar o aparelho constantemente", diz Valéria.

Apesar de o tratamento odontológico para os pets já existir há mais de 20 anos no Brasil, ainda é pouco conhecido pela população. A maioria não sabe que as técnicas vão muito além da limpeza de tártaro, que, após a escovação, é o segundo método preventivo mais indicado para garantir a saúde bucal dos animais. Quando o problema vai além, outros procedimentos são realizados, entre eles extração, canal, restauração com resina, implante, prótese e ortodontia. "Além de provocar dor, muitas vezes a má oclusão dos dentes impossibilita o animal até de se alimentar", diz o veterinário Awilson Viana, responsável pelo setor de odontologia do Hospital Veterinário da UFMG.

Divulgação e Gustavo Andrade/Encontro
Por conta da mordida cruzada, o coelho Milu teve os dentes cerrados. "Se isso não for feito todo mês, acabam perfurando sua boca", explica o dono do animal, designer Renato Rego (foto: Divulgação e Gustavo Andrade/Encontro)
O coelho Milu, de 2 anos, por exemplo, nasceu com anomalias genéticas. A mordida cruzada não permitia que ocorresse o desgaste natural dos seus dentes, que, em se tratando de coelhos, crescem continuamente. A solução foi cerrar os incisores no tamanho adequado. "Se isso não for feito todo mês, os dentes dele crescem sem parar e acabam atrofiando ou perfurando sua boca", explica o designer Renato Rego, dono de Milu.

Segundo os especialistas, os procedimentos odontológicos são seguros e não provocam sofrimento aos animais, desde que realizados por profissionais capacitados. A anestesia geral, por exemplo, que antes era utilizada em todos os casos cirúrgicos, agora é pouco usual, o que significa menos risco de morte. "Hoje, utilizamos a anestesia inalatória, que entra e sai pelo pulmão, o que a torna mais segura. Além do risco cirúrgico, monitoramos a frequência cardíaca, de pressão e respiratória durante todo o procedimento", explica o veterinário Luiz Cláudio Sofal, da Zoodonto, especialista em odontologia veterinária.

Pedro Nicoli/Encontro
O gato Sigrund, da raça oriental short hair, passa por limpeza de tártaro periodicamente: "A saúde começa pela boca, inclusive a dos animais", diz a funcionária pública Maria Rita (foto: Pedro Nicoli/Encontro)
Outra boa notícia é que cães e gatos raramente sofrem com cárie. Em contrapartida, a incidência de tártaro é muito maior do que nos humanos. "Nesses casos, o risco de a bactéria se deslocar para a circulação sanguínea é real, o que pode provocar insuficiência renal e infecção das válvulas do coração", diz Luiz Cláudio.

A funcionária pública Maria Rita Brandão não descuida dos dentes de seus gatos e, periodicamente, os leva para fazer raspagem e polimento. Entre eles, Sigrund, de 2 anos e meio, da raça oriental short hair. "Sou da filosofia de que a saúde começa pela boca, inclusive a dos animais", diz. Sua preocupação é justificável, já que entre os felinos é comum ocorrer a chamada lesão reabsortiva, que consiste em desgaste progressivo dos dentes, resultando em retração gengival e perda óssea. "É uma doença extremamente dolorosa, em que a extração é recomendada em caráter de urgência", explica Luiz Cláudio.

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