Movidos a adrenalina

Amantes de aventura, três irmãos decidem investir no turismo sobre duas rodas depois de viagem pela Amazônia

por Daniela Costa 11/05/2016 08:00

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Alexandre Rezende/Encontro
Os irmãos Christiano, Frederico e Carlos Bicalho inspiraram-se em David Beckham ao idealizarem um circuito turístico na floresta amazônica: "Ele percorreu cerca de 50 quilômetros, enquanto nós rodamos 3,5 mil quilômetros em 23 dias", compara Christiano (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
Já imaginou deixar o agito da cidade grande e o conforto de casa para se embrenhar pela floresta amazônica e explorar a natureza e a cultura da região? E, o que é melhor, de moto? Foi exatamente isso que os irmãos Bicalho - Christiano, de 34 anos; Frederico, de 37; e Carlos, de 40 - fizeram. A ideia surgiu quando eles, empresários do ramo de comunicação e amantes das motocicletas big trail (aquelas apropriadas para percorrer longas distâncias), resolveram unir o útil ao agradável. No final do ano passado, ao se reunirem para analisar projetos de trabalho para os meses seguintes, decidiram que precisavam de um tempo para pensar, e nada melhor do que fazer isso pegando a estrada.

"Foi Frederico quem sugeriu a viagem para a Amazônia, já pensando em mapear a região. A princípio, achamos que estava de zoeira", conta Christiano. "Mas, depois, animamos." A suposta brincadeira era mesmo coisa séria. A ideia era conhecer a região vislumbrando um novo negócio no ramo de turismo de aventura. Após algumas pesquisas, eles descobriram que havia, de fato, uma lacuna de mercado no turismo big trail promovido no Brasil, que poderia ser explorada pelo trio. A maioria dos serviços disponibilizados na área era de aventuras em circuitos fora do país, especialmente na Venezuela, Marrocos, Canadá e Estados Unidos. E por que não fazer o mesmo por aqui?

Arquivo pessoal
Frederico Bicalho com crianças ribeirinhas do rio Amazonas: hospitalidade da população local chamou a atenção (foto: Arquivo pessoal)
"Concluímos que, se disponibilizássemos um serviço sério e de qualidade, poderíamos atrair pilotos nacionais e estrangeiros que têm interesse em rodar aqui, mas não encontram muitas oportunidades", explica Christiano. Assim surgiu o Moto Challenge Brasil, que, além do roteiro para a floresta amazônica, traz destinos para passeios guiados, inclusive no interior de Minas, que podem ser contratados com o acompanhamento de guia, hospedagem e aluguel de moto. "Cada circuito tem um grau de dificuldade diferente, o usuário é quem escolhe", diz Christiano.

A inspiração para desbravar terras mais distantes veio do ex-jogador de futebol David Beckham. Em 2014, Beckham fez um tour de moto e barco por algumas regiões da floresta amazônica para um documentário. Mas os irmãos mineiros garantem que superaram o craque. "Na época, ele percorreu cerca de 50 quilômetros, enquanto nós rodamos 3,5 mil quilômetros em 23 dias", conta Christiano.  A bordo de suas motos, percorreram grande parte da BR-230 (Transamazônica), além da famosa Rodovia Fantasma, a BR-319, que liga Porto Velho a Manaus. Com longos trechos sem asfalto, em meio a terra e lama, a rodovia faz jus à fama que tem. "Ela praticamente não existe. Conversamos com os moradores locais e descobrimos que, por ser o transporte fluvial uma grande fonte de renda na região, eles mesmos não têm interesse no progresso da estrada", diz Christiano.

Arquivo pessoal
"Vamos aproveitar nossas excursões com o turismo big trail para resgatar histórias marcantes do nosso povo", diz Christiano Bicalho (foto: Arquivo pessoal)
Para não se perder e superar as adversidades, o trio foi bem equipado. Além de alimentos especiais e redes com mosquiteiro, estavam na bagagem equipamentos de alta tecnologia, como rastreador de satélite e até um drone para fazer imagens aéreas. "Apesar de falarem muito do perigo de onças e índios selvagens, sem dúvida o maior risco que enfrentamos lá foram os insetos e mosquitos", diz. Para Christiano, além da adrenalina de encarar obstáculos impostos pela própria natureza, vivenciar a cultura e o folclore regional em cada cantinho que passaram foi algo impagável. A hospitalidade dos ribeirinhos, a pobreza contrastante com a alegria contagiante das vilas de pescadores e até mesmo o escambo dos índios são lembranças que ele diz que jamais serão esquecidas.

Os imprevistos, diz Christiano, também não. Um dos momentos mais tensos foi quando uma das motos quebrou bem próximo a uma tribo indígena. "Buscamos ajuda no local, mas só conseguimos ficar lá depois de comprar um colar de sementes por 100 reais." Ele até tentou negociar o valor, sem sucesso. "Olhei para o chão e vi que estava coberto pelas sementes, mas não teve conversa", relembra. Já entre os casos curiosos, ele destaca o de uma senhora com mais de 80 anos de idade. "Ela jurou que o pai de suas filhas era o boto cor-de-rosa, lenda criada, na verdade, para justificar a gravidez de pai desconhecido, geralmente caboclo que mora na beira do rio", explica. Com tantos causos e lendas descobertos durante a viagem à Amazônia, os empresários se preparam para lançar um livro relatando curiosidades e estão desenvolvendo série de TV intitulada Na Trilha do Mito. "Vamos aproveitar nossas excursões com o turismo big trail para resgatar histórias marcantes do nosso povo", diz ele.

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