Ele virou o jogo

O novo prefeito continua firme com seu propósito de enxugar a administração e tem sido elogiado até por adversários depois da escolha dos nomes de sua equipe

por Rafael Campos 11/01/2017 14:22

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Pedro Nicoli/Encontro
Kalil, no Centro de Operações da prefeitura, no Buritis, onde foi montado o escritório de transição: "O velho modelo faliu. Políticos estão sendo presos aos quilos. É hora de uma nova filosofia" (foto: Pedro Nicoli/Encontro)
Política

Alexandre Kalil

Nasceu em Belo Horizonte
57 anos
Casado, 3 filhos
Empresário, ex-presidente do Atlético. Prefeito eleito de Belo Horizonte

Quando Alexandre Kalil (PHS) deu o pontapé inicial em sua campanha para a Prefeitura de Belo Horizonte, muitos desconfiaram de suas reais chances de vencer. O concorrente direto, o deputado estadual João Leite (PSDB), liderava com certa folga a corrida de intenções de voto. Além disso, a candidatura do ex-goleiro do Galo foi avalizada por nomes fortes da política mineira como os senadores Aécio Neves e Antonio Anastasia. Kalil teve de enfrentar uma partida difícil.

Ex-presidente do Atlético (2008-2014), começou driblando as críticas e a descrença em relação a sua competência para gerir, agora, uma cidade. "Ouvi de tudo, mas o que eles não sabiam é que a minha candidatura não foi fruto de orelhada. Foi ciência", diz, revelando que uma pesquisa havia apontado que seriam grandes as suas chances de vencer o pleito. Vieram as primeiras acusações. Uma delas era a de que sua candidatura obedecia a interesses do PT. "Eles balançaram minha vida toda e, como não caiu nenhuma moeda, inventaram mentiras", afirma. Foram dias difíceis, segundo ele. "Se eu soubesse que o nível seria tão baixo, talvez, nem teria entrado na disputa", afirma o novo prefeito. Mas entrou e, como gosta de dizer, "quem passa pelo futebol tem o couro duro".

O resultado do primeiro turno ratificou o que já se esperava: João Leite e Kalil se enfrentariam. Nas primeiras pesquisas do segundo turno, o ex-dirigente aparecia empatado com o candidato tucano. Cheiro de virada no ar. "Com o tempo igual ao do meu adversário, pude falar para o povo o que eu queria fazer." Após a divulgação do resultado das urnas, o prefeito eleito começou a mostrar um perfil mais conciliador. Disse, por exemplo, que vai conversar com o governador Fernando Pimentel para estabelecer políticas de combate à criminalidade. "Vou precisar dele, já que a Polícia Militar é subordinada ao estado." Sua ideia de enxugar a máquina já começou a ser colocada em prática. Ao anunciar o primeiro escalação de seu governo, dia 7 de dezembro, cortou nove secretarias. Os nomes apresentados foram, em sua maioria, técnicos e as escolhas, elogiadas até por adversários. Indagado sobre projetos engatilhados na gestão Lacerda, Kalil avisa: "A rodoviária vai ficar do jeito que está. E o novo centro administrativo municipal tem zero chance de sair do papel."

Sorriso mesmo, ele esboça ao falar do Galo. "Sou um apaixonado pelo Atlético." Logo após a vitória, assistiu da tribuna de honra do Independência - o que não ocorria há dois anos - ao empate de seu clube do coração com o Internacional. Assim que a torcida o identificou, cantou entusiasmada: "PQP é o melhor prefeito do Brasil", uma alusão ao grito entoado para o goleiro Victor.

A ligação com o clube acaba por provocar especulações sobre um possível favorecimento ao Galo na construção do tão sonhado estádio alvinegro. Especulação prontamente descartada. "Não faria nada para o Atlético que não pudesse fazer também para o Cruzeiro. Tive muitos votos de cruzeirenses também, ora essa", diz. Aos que se mostram temerosos sobre o que virá em sua gestão, ele manda um recado: "O velho modelo faliu. Políticos estão sendo presos aos quilos. É hora de uma nova filosofia". Em janeiro, Kalil toma posse e terá quatro anos para disseminar essa sua filosofia. Ele virou o jogo, mas a partida só começou. Que seja repleta de gols.

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