A batalha de Leônidas

O presidente da Fundação Municipal de Cultura foi a grande liderança da conquista do título de Patrimônio Cultural da Humanidade recebido pela Pampulha

por Rafael Campos 11/01/2017 14:29

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Roberto Rocha/Encontro
Leônidas, que continua o homem forte da Cultura na gestão Kalil, posa no jardim da Casa do Baile: "Só sei trabalhar com o que acredito. Do contrário, me dá gastrite" (foto: Roberto Rocha/Encontro)
Cultura

Leonidas Oliveira

Nasceu em São Gotardo (MG)
44 anos
Solteiro
Arquiteto e urbanista pela PUC Minas e doutor pela Universidade de Valladolid, na Espanha Presidente da Fundação Municipal de Cultura

Enquanto assistia a uma reportagem sobre a Pampulha na TV, Leônidas Oliveira teve um insight: por que o principal cartão-postal de BH, projetado por Oscar Niemeyer, ainda não fazia parte do seleto conjunto de monumentos protegidos pela Unesco? Ligou para o prefeito Marcio Lacerda, que deu sinal verde para pleitear o título. Há quatro anos, reuniu técnicos, documentos e começou a produzir o dossiê de tombamento. Revitalizou os jardins, a praça Dino Barbieri e conseguiu que a limpeza das águas finalmente avançasse. O resultado todos já sabem: em julho de 2016, a Pampulha se transformou em Patrimônio Cultural da Humanidade. O que é de conhecimento de poucos é que Leônidas, presidente da Fundação Municipal de Cultura (FMC), além de ser a grande liderança na conquista do feito, comandou uma revolução na cultura da cidade. Mas, para isso, e fazendo jus ao nome - Leônidas era um dos personagens da guerra grega entre espartanos e persas -, teve de travar uma árdua batalha. Venceu e não à toa foi mantido por Kalil à frente da fundação.

Leônidas é inquieto. Não mede esforços e palavras para implementar o que acredita. E uma das coisas em que acredita é na popularização da cultura. No início dos trabalhos na FMC, viu que a grande maioria dos recursos e eventos eram pensados para a região Centro-Sul de BH. Com esse diagnóstico, criou centros culturais em diferentes regiões e deu vida a uma antiga demanda dos moradores do bairro Alípio de Melo, na região Noroeste, a construção do Teatro Raul Belém Machado. Em outras palavras, levou a cultura para além da avenida do Contorno. "A coisa mais importante para um gestor é saber escutar e perceber as tendências", afirma.

E uma tendência no mundo todo era a realização de eventos culturais durante 24 horas ininterruptas. Por que não fazer isso em BH? Assim, cerca de 500 mil pessoas participaram da primeira edição da Virada Cultural, em 2013. Desde aquele ano, Leônidas decidiu abolir as grades em eventos públicos.  "As grades cerceiam o direito de ir e vir das pessoas. Elas ficavam confinadas feito gado", diz. Outra medida tomada em festas realizadas pela prefeitura, ao ar livre, foi a de não ter camarotes.

Arquiteto e urbanista, Leônidas sempre demonstrou preocupação com o patrimônio público da cidade. Em sua gestão, os bairros Santa Tereza, na região Leste, e Cidade Jardim, na Centro-Sul, foram tombados. Em Santa Tereza, por exemplo, o primeiro cinema público de BH foi reaberto este ano. O espaço tem exposições e filmes com entrada gratuita. É o que também deve acontecer com o imóvel onde funcionou, a partir da década de 1940, o Cine Pathé, na Savassi. As conversas entre o proprietário do espaço e a FMC estão avançadas. E o martelo pode ser batido em breve.

Hoje, quando Leônidas assiste na TV a reportagens que mostram o aumento do número de visitantes na orla da Pampulha - passaram de 150 para 1.500 por dia -, percebe que, há quatro anos, fez a coisa certa. Ele acredita que o famoso espelho d’água, cercado por monumentos históricos, é a grande alavanca cultural da cidade. "Como gestor da FMC, sinto ter alcançado também outro grande sonho: o de incluir pessoas", diz. Sim, cultura deve ser para todos.

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