Jogada certeira

Em 2010, ele foi vendido para o Minas Tênis por 250 bolas de vôlei. Seis anos depois, não só levou o ouro olímpico como acabou eleito o melhor ponteiro da competição

por Marina Dias 11/01/2017 14:36

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FIVB/Divulgação
Lucarelli, durante as Olimpíadas, quando teve um estiramento na coxa direita que quase o impediu de atuar nos Jogos: "A dor ficava mais intensa a cada dia, mas escolhi continuar" (foto: FIVB/Divulgação)
Esporte

Ricardo Lucarelli Santos de Souza

Nasceu em Contagem (MG)
24 anos
Solteiro
Jogador do Vôlei doTaubaté (SP). Vice-campeão da Liga Mundial e campeão olímpico 2016

Em uma sexta-feira de clima agradável, há alguns anos, os Lucarelli foram comer uma pizza em um restaurante de bairro. Era a primeira comemoração esportiva da família, que tinha acabado de sair do jogo de estreia de Ricardo, então com 12 anos, em competições de vôlei, ainda no pré-mirim. O pai, Sérgio, explicou o motivo da comemoração: "Estamos celebrando porque hoje eu tive a certeza de que você vai ser atleta."

Tudo bem que pai é pai, e que não é nada raro ver familiares com tamanha confiança no potencial de sua prole. Mas, no caso específico desse Ricardo, a profecia não só estava correta como não demoraria a se concretizar. A carreira de Lucarelli no vôlei foi meteórica. Poucos anos depois de começar na modalidade na sua cidade natal, Contagem (antes disso, já tinha treinado futebol, basquete e handebol), já participava de campeonatos pelo mirim, juvenil e adulto ao mesmo tempo.

Logo ele chamou a atenção do Minas Tênis Clube, que pagou ao Meritus, de Contagem, 250 bolas de vôlei como compensação pelo jogador. Ele entrou na equipe principal do clube como sexto ponteiro, em 2010. No ano seguinte, já era titular e foi eleito o melhor atacante da Superliga. Em 2012, aos 19 anos, foi o mais novo jogador da história a ser convocado para seleção. Não só isso, como chegou a ser pré-convocado para a equipe que disputaria as Olimpíadas daquele ano, apesar de ter ficado de fora da lista final. Ainda assim, foi convidado a acompanhar a delegação durante o evento, e a experiência bateu forte. "Fiquei impressionado com a grandiosidade da competição e muito ansioso para a chegada de 2016", afirma. "Voltei com ainda mais gás para merecer uma vaga."

Funcionou. Durante os quatro anos até os Jogos seguintes, ele conquistou, pelo Minas, Sesi-SP e Vôlei Taubaté (onde está desde o ano passado), diversos títulos. Foi campeão da  Copa dos Campeões, do Sul-americano, do Mundial sub-23 e Copa Panamericana em 2013, do Sulamericano em 2015. Ainda levou prêmios individuais, como melhor ponta do campeonato sul-americano, da Liga Mundial e do Campeonato Mundial, além de MVP (Most Valuable Player) do Campeonato Mundial sub-23.

Convocado para a equipe da Rio-2016, ele tinha status de um dos principais jogadores da seleção. No entanto, um estiramento na coxa direita ainda na primeira fase quase o impediu de atuar. O médico lhe deu autonomia para decidir se parava ou não. "A dor ficava mais intensa a cada dia, mas escolhi continuar", afirma. No embate contra a Argentina, nas quartas de final, chegou a sair de quadra devido à dor, mas retornou e ajudou a equipe a fechar o jogo: foi dele o bloqueio que permitiu à equipe virar o placar e pavimentar o caminho até a semifinal, contra a Rússia, e a final, contra a Itália.

O mineiro não só fez parte da equipe que levou o ouro, como também foi eleito o melhor ponteiro da competição. Sereno e sempre zen, ele explica sua emoção em poucas palavras: "Orgulho define". O pai, mais falante, conta que, após a partida final, foram todos – atletas, delegação, Bernardinho e familiares – comemorar o ouro não numa pizzaria, como no início de sua carreira, mas numa churrascaria na Barra da Tijuca. A profecia de seu Sérgio está mais que concretizada.

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