Quem quer dinheiro?

A Méliuz triplicou de tamanho em 2016. Em meio à crise, a empresa da dupla, eleita startup do ano pela associação do setor, vendeu R$ 1 bilhão no e-commerce

por Carolina Daher 11/01/2017 15:02

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Juliana Flister/Divulgação
Israel Salmen e Ofli Guimarães, na sede da Méliuz, no Santa Lúcia: prêmio de startup do ano e 1 bilhão de reais comercializado por meio do site em 2016 (foto: Juliana Flister/Divulgação)
Inovação

Israel Salmen

Nasceu em Governador Valadares (MG)
28 anos, solteiro
Formado em economia pela UFMG. Sócio-fundador da Méliuz

Ofli Guimarães

Nasceu em Belo Horizonte
31 anos, solteiro
Formado em direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Sócio-fundador da Méliuz

Aos 17 anos, Ofli Guimarães montou seu primeiro negócio. Uma lanchonete em Santa Luzia, na região metropolitana. O menino saía do Colégio Loyola, na Cidade Jardim, e enfrentava mais de uma hora de ônibus para vender salgados e refrescos. Depois, investiu em uma fábrica de roupas. Em seguida, em uma empresa de representação comercial... "Foram dez até chegar à Méliuz", diz Ofli. Seu sócio, Israel Salmen, também começou cedo. Aos 15, quando ainda morava em Governador Valadares, criou um site que reunia fotos de pessoas durante eventos. "Naquela época, existiam vários que cobriam baladas, mas nenhum do tipo no segmento evangélico", conta ele, que investiu no gospel.

Ofli e Israel se encontraram nas salas de aula do curso de economia na UFMG. Logo os dois perceberam que tinham algo em comum: uma vontade imensa de chegar longe. Investiram no mercado financeiro. Deu certo. Mas eles queriam mais. E juntos descobriram um novo caminho. Tudo começou porque Ofli queria um GPS. Juntou durante meses a pontuação de um programa de fidelidade para trocar pelo tal aparelho. Quando conseguiu, ele não estava mais disponível. "Só dava para trocar por um liquidificador. E eu não queria um liquidificador", lembra, rindo. Pronto. Em 2011 nascia a Méliuz, que significa melhor, em latim, primeira empresa de cashback do Brasil.

A proposta da startup é simples. Toda vez que um consumidor faz uma compra em uma loja ou empresa parceira por meio do site www.meliuz.com.br, a startup devolve, em dinheiro, parte do valor gasto ao cliente. "Nós dividimos a nossa comissão com os consumidores", explica Israel. São mais de 1.600 lojas parceiras, entre elas as gigantes Walmart, Lojas Americanas, Latam e Ricardo Eletro.

Desde 2011, a empresa cresceu vertiginosamente. O ano de 2016, no entanto, foi especial. Em novembro, Ofli e Israel conquistaram o prêmio de Startup do Ano pela Associação Brasileira de Startups. A eleição garantiu ainda à dupla o troféu de melhor equipe fundadora. Os números também são auspiciosos. Em 2015, movimentaram 320 milhões de reais no e-commerce. Fecharam 2016 batendo a meta de 1 bilhão de reais. Tudo na Méliuz é superlativo. São 2 milhões de usuários cadastrados. No sistema de dinheiro de volta, o serviço já depositou mais de 22 milhões de reais para seus clientes.

O escritório da empresa no Santa Lúcia tem sofás e paredes coloridas, mesa de sinuca, pessoas trabalhando de bermuda e fones nos ouvidos. Ofli e Israel querem, agora, conquistar o varejo off-line. Na capital, a choperia Almanaque é a primeira a aderir ao sistema. Ao fechar a conta, o cliente que pedir para pagar pelo Méliuz recebe no seu celular um link para validar a compra. O consumidor então faz o pagamento normalmente ao estabelecimento e, depois, recebe 5% do valor total pago.  "No ano que vem, queremos estar em 100 municípios brasileiros", diz Ofli, que, com ousadia e energia, vem abrindo caminhos em um setor extremamente tradicional, o varejista.

Em um primeiro olhar, Ofli e Israel podem até parecer apenas dois meninos querendo conquistar o mundo. Que nada. São, sim, dois meninos, mas que pensam como gente grande.

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