Não confunda depressão na adolescência com angústia

Muitos pais deixam de prestar atenção às mudanças no comportamento dos filhos adolescentes

por Da redação com assessorias 14/06/2017 12:37

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A depressão é uma doença que também afeta os adolescentes, e seu diagnóstico costuma ser confundido com a angústia, típica dessa fase da vida (foto: Pixabay)
Antes considerado um problema muito comum apenas em adultos, a depressão, atualmente, afeta cada vez mais os adolescentes. Porém, nem sempre os pais e educadores estão preparados para diferenciar os sintomas desse problema sério. É comum encontrar aqueles que consideram a mudança de comportamento como uma fase da "aborrescência". A estimativa é que a depressão acometa de 3,3 a 12,4% dos adolescentes, sendo mais comum nas meninas.

Como lembra a psicóloga paulista Ghina Machado, cofundadora da Clínica Estar, a adolescência é marcada por profundas transformações físicas e emocionais. "O corpo muda drasticamente, assim como os níveis hormonais. O adolescente precisa lidar com a perda de sua identidade infantil e, ao mesmo tempo, com a reorganização do seu mundo. Sem dúvida, essa é a tarefa mais difícil desta fase do ciclo vital", comenta a especialista.

A depressão tem causas biológicas, genéticas, psicológicas e sociais. O histórico familiar (pais depressivos) aumenta o risco de desenvolver o problema na infância ou na adolescência em pelo menos três vezes. Outro fator que tem chamado a atenção dos estudiosos é a qualidade do vínculo parental no início da vida. Ou seja, a qualidade dos relacionamentos nas fases iniciais da vida pode influenciar o desenvolvimento ou não da depressão mais tarde. Segundo a psicóloga, quanto melhor for o vínculo emocional entre a criança, a mãe ou cuidadores, melhor será o desenvolvimento da sua capacidade de lidar com as emoções quando chegar à adolescência ou à vida adulta.

Há outros fatores de risco para a depressão na adolescência, como violência doméstica, histórico de abuso infantil, bullying, perdas (morte de um dos pais, irmãos ou avós), divórcio dos pais, não aceitação da autoimagem etc. "Lembrando ainda que a depressão pode ter doenças associadas [comorbidades], como transtorno de ansiedade, transtorno de conduta, transtorno desafiador opositivo, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, transtornos relacionados ao uso de drogas e os transtornos alimentares, como bulimia e anorexia nervosa", explica Ghina Machado.

Depressão na adolescência

Embora alguns sintomas sejam bem parecidos com os da depressão em adultos, na adolescência há características bem típicas e diferenciadas. "Todo mundo acredita que a tristeza é o sintoma mais básico da depressão. Entretanto, nos adolescentes são mais frequentes a irritação e a instabilidade emocional, podendo inclusive ocorrer crises de raiva frequentemente", comenta a especialista.

O importante é saber diferenciar a depressão da angústia comum em adolescentes. Neste caso, as características da depressão nessa fase é a duração dos sintomas. É possível suspeitar de um quadro depressivo quando o adolescente apresenta, na maior parte do dia, ou pelo menos por duas semanas, pelo menos cinco dos seguintes sintomas: tristeza; perda do interesse por atividades que gostava (apatia); diminuição do apetite; perda ou ganho de peso significativo; agitação; redução da capacidade de concentração; excesso de sono ou insônia; cansaço; sentimento de culpa; e pensamentos suicidas ou tentativas de suicídio.

Como mostra Ghina Machado, quando a criança entra na adolescência, aos 12 anos, ela precisa mais do que nunca da atenção dos pais. O diálogo deve ser a base do relacionamento entre pais e filhos, pois ele permite entender as angústias, as dificuldades e os sentimentos vivenciados pelo adolescente. "O ideal é procurar a ajuda de um psicólogo com experiência em atender adolescentes. O tratamento é fundamental já que existe o risco da depressão se estender para a vida adulta. Um estudo feito nos Estados Unidos, por exemplo, mostrou que 25% dos adultos com depressão relataram o primeiro episódio depressivo antes dos 18 anos de idade", conclui a psicóloga.

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