Não apenas no coração: olhos também podem sofrer infarto

Muitas vezes indolor, o infarto ocular pode até causar cegueira

por Da redação com assessorias 17/07/2017 11:50

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No caso do infarto ocular, vasos sanguíneos que alimentam a retina podem sofrer oclusões, levando até mesmo à perda da visão (foto: Pexels)
Muita gente não sabe, mas o infarto também pode ocorrer nos olhos. Porém, diferente do que tradicionalmente atinge o coração, o infarto ocular não costuma causar dor. O sintoma mais comum é uma súbita mudança no padrão de visão, ou mesmo cegueira parcial. De acordo com Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, essa perda de visão pode abranger todo o olho, mas nem sempre é assim. "Alguns pacientes apresentam perda de visão periférica ou ainda pontos cegos espalhados pelo globo ocular. Mas, embora alguns quadros comecem mais sutis, a perda de visão vai piorando ao longo de horas ou dias até que a pessoa não enxergue mais nada. Como um dos sintomas do AVC [acidente vascular cerebral] também implica em perda de visão ou perturbação visual, vale a pena buscar ajuda imediata diante desse tipo de mudança no padrão de visão", esclarece o médico.

O especialista explica que, assim como outros órgãos do corpo, os olhos dependem de um fluxo sanguíneo rico em oxigênio para funcionar corretamente. "A retina está localizada no fundo do olho e é um tecido que desempenha importante papel na formação das imagens, mandando sinais para o cérebro. Ela é repleta de artérias e veias que transportam sangue. Sendo assim, quando há qualquer bloqueio que comprometa o fluxo sanguíneo nessa região, a visão é afetada de tal forma que o paciente pode até ficar cego. Essa oclusão também é conhecida como infarto ocular", afirma Renato Neves.

De acordo com a Academia Americana de Oftalmologia, dos Estados Unidos, pessoas com mais de 60 anos têm risco aumentado para o infarto ocular – especialmente os homens. O oftalmologista afirma que existem alguns fatores que podem levar a essas oclusões. "O principal fator de risco é o histórico familiar. Quando a pessoa tem parentes diretos, como pais e irmãos, que já sofreram infartos, seja no coração, seja ocular, o risco é maior. Aterosclerose [formação de placas nas artérias], pressão alta, colesterol alto, doença coronariana, diabetes, dores no peito e glaucoma também são fatores de risco bastante conhecidos. Sendo assim, diante de um quadro de súbita perda visual, é fundamental procurar o pronto-socorro oftalmológico o quanto antes", explica o médico.

Segundo Renato Neves, o tratamento do infarto ocular tem como objetivo atenuar os danos à retina. São usados medicamentos para dissolução dos coágulos de sangue e podem ser feitos procedimentos para alargar as artérias da retina. "Seja como for, o importante é a prevenção desse tipo de ocorrência. Isso inclui cortar o fumo, controlar a pressão sanguínea e as taxas de glicose, colesterol e triglicérides, além de adotar hábitos mais saudáveis. Uma dieta equilibrada, exercícios regulares e boas noites de sono são grandes aliados da saúde ocular também", diz o oftalmologista.

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