Bairros São Bento e Santa Lúcia conservam ares do interior de Minas

Região é central, mas os moradores mantêm o hábito de tratamento acolhedor do mineiro, com amizade entre a vizinhança e donos do comércio

por Geórgea Choucair 16/05/2017 13:58

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Gláucia Rodrigues/Encontro
Henrique Barros Moreira com a mulher, Kenia, os filhos Gabriel e Isabela, e a poodle toy Nina: "Além da estrutura básica, o bairro tem entretenimento. É autossuficiente", diz Henrique (foto: Gláucia Rodrigues/Encontro)
É difícil saber em qual horário a vista salta mais aos olhos: durante o dia, ao entardecer ou à noite. Mas uma coisa é certa. O visual da área de lazer da casa da família do médico cardiologista Henrique Barros Moreira, no alto do São Bento, deixa os visitantes boquiabertos. E não à toa que lá é o cantinho preferido do médico para desfrutar os momentos de folga com a mulher, Kenia Felix Almeida Moreira, e os filhos Gabriel, de 9 anos, e Isabela, de 7, além da comportada cachorrinha poodle toy, a Nina.

A área privilegiada tem temperatura agradável e vista definitiva para a Serra do Curral, shoppings e a barragem Santa Lúcia, o que torna charmoso e acolhedor o ponto escolhido a dedo pelo casal. Eles se mudaram para o bairro há 10 anos, quando Gabriel estava prestes a nascer. A casa foi construída pouco a pouco e hoje é onde desfrutam grande parte do tempo livre com a família e amigos. "Só me mudaria daqui se fosse para fora do Brasil", brinca Henrique.

A escolha pelo bairro aconteceu em função de duas prioridades: morar em casa e em região próxima das áreas centrais da capital. "Além de ser uma região residencial, está perto de vários bairros e com diferentes vias de acesso", afirma Kenia. O marido, que trabalha em consultório e hospital, gasta cerca de 10 minutos para chegar ao trabalho.

Paulo Márcio/Encontro
Roberto Lúcio Gomes Faêda e a mulher, Andrea, moram com os filhos Rafael e Marina no coração do São Bento: "A nossa vontade era ter uma vida como de interior, sem usar muito o carro. Queríamos conhecer a vizinhança e ser reconhecidos", afirma Roberto (foto: Paulo Márcio/Encontro)
No próprio São Bento eles realizam compras e fazem serviços diversos, com fácil acesso a supermercados, drogarias, padarias, restaurantes, correios, salões de beleza e casas lotéricas. "Além da estrutura básica, o bairro tem entretenimento. É autossuficiente", diz Henrique. As atividades dos filhos, como aulas de natação e inglês, são feitas na vizinhança. As caminhadas diárias na avenida Bento Simão, que tem parte fechada pela manhã ao trânsito de veículos, fazem parte da rotina do casal.

A mesma avenida é usada para caminhadas pelos empresários Roberto Lúcio Gomes Faêda e Andrea Lucena Sales. Eles moram em condomínio de quatro torres no coração do São Bento com os filhos Rafael, de 5 anos, e Marina, de 5 meses. O casal está no bairro há 13 anos e montou duas de suas três lojas de sapatos no Center São Bento e no Falls -  a terceira fica no bairro Gutierrez. "A nossa vontade era ter uma vida como de interior, sem usar muito o carro. Queríamos conhecer a vizinhança e ser reconhecidos", afirma Roberto. "É impossível sair sem cumprimentar alguém na rua", completa Andrea. Os moradores, diz, são receptivos e acolhedores. "E os clientes das lojas são fiéis."

O filho estuda na esquina do condomínio onde moram e faz natação a cinco quarteirões. Como costumam ir a pé para o trabalho, decidiram vender um dos carros. "O outro ficou obsoleto", afirma Roberto. O veículo do casal é usado mais quando,  nos fins de semana e feriados, vão para a casa que têm na cidade de Tiradentes. Roberto também vai a pé diariamente à paróquia São Bento, onde acende velas, agradece e faz suas preces.

Ronaldo Dolabella/Encontro
Uriel Domingos Rosa e a mulher, Selma Maria, moram e têm negócios no Santa Lúcia: "Considero o bairro como se fosse uma família enorme", afirma Uriel (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Pelas ruas da região é frequente ver um senhor distribuindo flores para quem caminha, está dentro dos ônibus ou em padarias e restaurantes. Trata-se de Uriel Domingos Rosa, morador do Santa Lúcia há 27 anos. Ele chegou primeiro com a sua floricultura, na rua Kepler, uma das principais do bairro. Em seguida comprou apartamento ao lado do negócio e uma casa em frente. Atualmente, Uriel e a mulher, Selma Maria Rodrigues Rosa, dividem a moradia entre o apartamento e a casa, que funciona também como escritório e espaço para montar os arranjos da floricultura.

"Só entramos no apartamento para dormir. Gosto de ficar no alto à noite, com janela aberta", afirma Uriel. Ele acorda diariamente às cinco da manhã e vai à casa cumprimentar "as meninas", como chama carinhosamente suas plantas. "Coloco música e converso com elas. Planta é igual a bebê." Ele diz que é preciso cuidar, adubar, podar, fazer limpeza e tirar folhas velhas. "Além, é claro, de dar carinho", completa. Depois disso, sai até as 8h30 para fazer entrega de encomendas da floricultura.

Foi assim que o casal fez amigos e clientes fiéis. "Considero o bairro como se fosse uma família enorme", afirma Uriel. Parte da clientela começou a ser formada há mais de 30 anos, quando vendia flores em uma feira no aglomerado Santa Lúcia. Foi dessa convivência que decidiu montar a floricultura na região e depois mudar-se para lá com a família (a mulher e os filhos Katiene e Eduardo Rodrigues). Antes moravam no bairro São Paulo, na região Nordeste, mas Uriel tinha dificuldade com o trânsito. "Já chegava ao trabalho cansado", recorda-se.

Cláudio Cunha/Encontro
Os aposentados Cátia Maria e José Sebastião Abras com a filha Carolina: eles foram um dos primeiros a habitarem um dos poucos prédios do bairro no passado (foto: Cláudio Cunha/Encontro)
Uriel conta que foi a freguesia que lhe apresentou a região. "Vi que era um bairro familiar e com muitos jardins nas casas, ponto bom para eu ficar por perto", afirma. "As meninas", diz, trazem alegria e paz aos lares. "A casa fica triste e com pouca vida sem elas." Ele lembra que, quando montou a floricultura, o bairro era vazio e com muito lote vago. "Hoje é difícil encontrar terreno à venda."  E foi com a distribuição de rosas nas ruas que Uriel conquistou as pessoas e se tornou conhecido. "Assim, divulgo a floricultura, faço amigos e agrado a todos", diz.

O casal de aposentados José Sebastião Abras e Cátia Maria Rabelo Abras também se lembra da época que cruzava com vacas, cabras e cavalos comendo as gramas das casas no Santa Lúcia, onde mora há 30 anos. Eles foram um dos primeiros a habitar os poucos prédios da região na época. Mas conservam com carinho o lar, tanto na parte estrutural como na mobília. "Desde que chegamos só trocamos o sofá", diz Cátia.

Foi no Santa Lúcia que criaram os filhos Daniel e Carolina. "Temos bons colégios por aqui, tanto para crianças como para os jovens", diz José. Carolina é personal trainer e cantora de forró. Ela conta que sua rotina hoje gira ao redor da rua Kepler, pois tem estúdio de treinamento funcional a um quarteirão do prédio onde mora. Cerca de 80% da sua clientela é do próprio bairro. A avenida Bento Simão é usada com frequência pela personal, onde costuma dar aulas ao ar livre. Dessa forma, não precisa enfrentar o trânsito no dia a dia. O carro só é retirado da garagem quando sai à noite para os ensaios da sua banda de forró, a Baião de Rua, marcados nos bairros Cidade Jardim ou São Bento. "Só pego o volante por causa da minha paixão pela música e dança." Mas seu coração mesmo está fixado no Santa Lúcia, onde curte a família e os amigos, muitos formados desde criança.

Últimas notícias

Comentários